Mais uma faceta da crise dos EUA
Essa matéria foi publicada na Edição 429 do Jornal Inverta, em 29/10/2008Ao ler jornais, assistir os programas de opinião, os noticiários nas rádios e televisões os espectadores escutam sobre a catastrófica crise financeira que atingiu o centro do império e que certamente terá sérias repercussões e conseqüências em todo o mundo. As palavras mais escutadas são bolsa de valores, subprime, alta do dólar, ações, pacote de resgate, seguradores, bancos... Porém, onde ficam as pessoas nestas análises e notícias? Como esta crise está afetando e irá afetar a vida dos milhões de homens e mulheres que não são os responsáveis pela mesma? O que acontecerá com os responsáveis?
Mais uma faceta da
crise dos EUA
Ao ler jornais, assistir os programas de opinião, os noticiários nas rádios e televisões os espectadores escutam sobre a catastrófica crise financeira que atingiu o centro do império e que certamente terá sérias repercussões e conseqüências em todo o mundo. As palavras mais escutadas são bolsa de valores, subprime, alta do dólar, ações, pacote de resgate, seguradores, bancos... Porém, onde ficam as pessoas nestas análises e notícias? Como esta crise está afetando e irá afetar a vida dos milhões de homens e mulheres que não são os responsáveis pela mesma? O que acontecerá com os responsáveis?
Mantendo-nos no cenário imobiliário estadunidense, sabemos que milhões de famílias estão ameaçadas de serem despejadas de suas casas por não poderem pagar suas hipotecas ou seus aluguéis. Só neste ano, quase setecentas e cinqüenta mil pessoas foram despejadas. Mais de 107.500 somente no mês de setembro, segundo o Foreclosures Index dos EUAForeclosureS.com (Índice de abertura de processos hipotecários). Os números mostram um aumento importante do número de proprietários afetados. “A abertura de processos hipotecários subiu 6,6% de agosto a setembro, um aumento de 25,8% no terceiro trimestre com relação ao segundo, e um aumento de 82,6% neste ano com relação ao mesmo período do ano passado. Os processos hipotecários ultrapassam um milhão”, segundo uma análise da MarketWatch. O mesmo relatório demonstra que o número de pré-julgamentos hipotecários, que inclui notificações por falta de pagamento ou anúncio de abertura de processo prévio ao julgamento real, terminaria com um recorde de 2 milhões. Isso significa que um total de 3 milhões de famílias estadunidenses serão despejadas ou ameaçadas de despejo até o final deste ano.
Um relatório publicado pelo The Wall Street Journal em 8 de outubro demonstrava que quase 1 de cada 6 proprietários nos EUA está “com a corda no pescoço”, devem mais por suas casas do que estas realmente valem, depois que os preços imobiliários caíram mais de 30% em algumas zonas. Isto representa 12 milhões de famílias, 16% de todos os proprietários de moradia dos EUA, um aumento de 4% com respeito aos que se encontravam nessa situação há dois anos.
E estes dados refletem apenas a situação do mercado imobiliário. Porém não podemos esquecer que esta crise gerará uma recessão econômica em todo o mundo e que milhões de empregos já estão comprometidos. As empresas já estão anunciando os cortes previstos.
Muitas famílias estadunidenses já foram despejadas ou entregaram seus imóveis por não poder honrar suas dívidas, tendo, então, que viver dentro de carros e trailers por simplesmente não terem outra opção. Outras sofrerão com a recessão econômica, com o aumento do desemprego, a diminuição do consumo e dos créditos. A pergunta que fica é: por que um plano de resgate aos bancos e não um plano de resgate das casas dessas pessoas? Por que o governo de George W. Bush escolheu usar dinheiro público para socorrer às instituições financeiras e não para ajudar a população a pagar suas hipotecas? O dinheiro do resgate irá para os bolsos dos mesmos conselheiros diretivos dessas instituições, que levaram a situação a esta crise catastrófica. Isso é justo? Ao invés de serem responsabilizados pelas conseqüências que sua ganância e parasitismo terão nas vidas das pessoas em todo o planeta, são bonificados e ajudados. Assim funciona a economia capitalista, onde os interesses privados estão acima do bem-estar da população, onde se é preso por roubar um pão quando se tem fome, mas se é recompensado quando se aplica políticas inconseqüentes. É um sistema de uma perversidade incrível.
E para piorar a situação, os meios de esquerda são altamente censurados. As informações que chegam é que a Lei Patriótica está sendo duramente aplicada em todas as oportunidades possíveis, dificultando a divulgação da situação atual e de como a população está reagindo e se manifestando. Sabemos que as forças do governo estão se utilizando inclusive da prisão preventiva, contemplada pela Lei Patriótica, na qual uma pessoa pode permanecer presa por 48 horas sem provas, alegando intenção de conspiração por parte daqueles que, obviamente desconformes com o que está acontecendo e vendo-se seriamente afetados, sentam-se para discutir o futuro.






