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PAN-2007 custa dez vezes mais do que o orçamento inicial

Essa matéria foi publicada na Edição 411 do Jornal Inverta, em 26/04/2007

A iniciativa do prefeito do Rio de Janeiro, César Maia, de se autonomear membro do Tribunal de Contas do Município está explicada como mais uma manobra para encobrir o estouro dos custos do PAN-2007 que estava orçado em R$ 386 milhões inicialmente e que deve custar cerca de R$ 5 bilhões no final das obras.

PAN-2007 custa dez vezes mais do que o orçamento inicial


    A iniciativa do prefeito do Rio de Janeiro, César Maia, de se autonomear membro do Tribunal de Contas do Município está explicada como mais uma manobra para encobrir o estouro dos custos do PAN-2007 que estava orçado em R$ 386 milhões inicialmente e que deve custar cerca de R$ 5 bilhões no final das obras. Ao mandar este projeto de lei à Câmara Municipal, César Maia já lança a candidatura do seu filho Rodrigo Maia para sua sucessão em 2008, tentando ocultar as denúncias de irregularidades nos custos dos Jogos Pan-americanos de 2007. Na realidade esta grande marmelada com dinheiro público já atinge as três esferas de governo, pois tanto o poder estadual como a administração federal estão envolvidos em mais este escândalo de desvios de verbas que já está sendo alvo de investigação do TCU (Tribunal de Costas da União). O ministro dos Esportes, Orlando Silva, já se prontificou a dar todos os esclarecimentos aos auditores do tribunal sobre os gastos federais liberados para o PAN 2007, mas afirmou que na sua opinião o planejamento do evento foi mal feito. O prefeito César Maia rebateu as declarações de Orlando Silva, dizendo que ele fala bobagens, pois está no cargo há pouco tempo e não participou das negociações anteriores sobre o cálculo dos custos da competição esportiva.

    Para cumprir o cronograma das obras do PAN 2007, os responsáveis pelas construções estão levando à exaustão os operários da construção civil contratados pelas empresas e por isso já aconteceram uma série de paralisações dos trabalhadores nos últimos dias, reclamando das péssimas condições de trabalho nos canteiros de obras, da falta de higiene nos alojamentos e da extensão do tempo da jornada para acima de oito horas diárias. Esta superexploração da mão-de-obra contrasta com a gastança do poder municipal, que nos últimos dias liberou, sem licitação, R$ 80 milhões para as empreiteiras na construção do Estádio João Havelange, no Engenho de Dentro, que está orçado em R$ 380 milhões. O governo federal aumentou ainda mais os gastos em R$ 100 milhões para a conclusão do evento, que na verdade 2/3 dos recursos para a realização dos Jogos Pan-americanos de 2007 são de dinheiro público.

    As mudanças na rotina dos moradores do Rio de Janeiro que foram prometidas ainda a tempo da realização dos jogos do PAN 2007 não aconteceram, pois os sistemas de transportes na cidade continuam sobrecarregados e o metrô não chegou até a Barra da Tijuca, que é o local onde a maioria das competições esportivas irão acontecer. O complexo lagunar da Baixada de Jacarepaguá continua poluído com o não término do emissário submarino. O sistema hospitalar na cidade do Rio de Janeiro continua caótico com a epidemia de dengue aumentando a cada dia. Sem falar do Programa de Despoluição da Baia de Guanabara que já torrou R$ 300 milhões dos cofres públicos e nem metade das estações de tratamento de esgoto estão operando. Além da criminalidade assustadora no Rio de Janeiro que é manchete nas páginas da maioria dos jornais do país e do mundo, que leva pânico tanto aos moradores da cidade maravilhosa quanto aos potenciais turistas que decidem visitá-la.


Bento Pereira

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