O genocídio perpetrado contra o povo saarauí

O povo saarauí habita o Saara Ocidental, sofrendo repressões, detenções, e até mesmo torturas por parte do governo do Marrocos com o intuito de liquidar resistências ao projeto de autodeterminação dos saarauís.

O povo saarauí habita o Saara Ocidental, sofrendo repressões, detenções, e até mesmo torturas por parte do governo do Marrocos com o intuito de liquidar resistências ao projeto de autodeterminação dos saarauís.

No século XIX a Espanha coloniza o Saara Ocidental, objetivando explorar suas riquezas naturais (fosfatos). Neste momento ocorre o início dos enfrentamentos entre os espanhóis e os saarauís, buscando estes últimos a defesa de suas riquezas. É o início da luta contra o colonialismo.

No século XX (1974), a monarquia espanhola se compromete a realizar referendo para a autodeterminação; fato que nunca se realizou, pois ao abandonar o Saara Ocidental em 1976 partilha entre o Marrocos e a Mauritânia a região antes ocupada. Neste contexto surge a Frente Polisário, que proclama a República Árabe Saarauí Democrática.

O acordo da Espanha com o Marrocos e a Mauritânia nunca foi publicado no Diário Oficial da Coroa.

Ocorre em 1979 a derrota da Mauritânia para a Frente Polisário, que reconhece a soberania dos saarauís. Quanto ao Marrocos, continua a beligerância até 1991, e com a ONU mediando o conflito assina-se um cessar-fogo. Estabeleceu-se a realização de um censo para em seguida ser realizado um referendo no qual se optaria pela integração ao Marrocos ou pela autodeterminação. Levou-se mais de oito anos para a publicação do censo e quando foi publicado em 2000, o Marrocos se negou a honrar o compromisso, e até a presente data não foi realizado o plebiscito.

No término da guerra, Marrocos controlava 80% do Saara Ocidental, enquanto 20% era área inabitável sob responsabilidade da Frente Polisário. O governo do Marrocos construiu com ajuda norte-americana e israelense uma barreira de 2.270 Km, que percorre o Saara Ocidental e o sudeste do Marrocos, separando as áreas controladas pela monarquia árabe e a zona livre da Frente Polisário. Encontram-se nos muros ninhos de metralhadoras, sete milhões de minas, radares e armamentos pesados, com o objetivo de impedir o livre trânsito de mercadorias e de pessoas, isolando o povo saarauí.

Até o momento, 30.000 pessoas vivem no Saara Ocidental, 200.000 estão nos acampamentos de refugiados no deserto da Argélia, 15.000 estão na área do Saara Ocidental controlada pelo Marrocos, sofrendo todas as formas de humilhações, até mesmo com riscos de perderem a própria vida.

Os refugiados na Argélia correm o perigo de uma catástrofe humanitária, pois as contribuições dos países doadores, segundo a Cruz Vermelha da Argélia, são insuficientes para assegurar a higidez plena desses imigrantes forçados.

 

José Augusto Di Jorge Vasconcellos

Fonte: TELESURTV.NET