Anos 2 mil: Sal do Samba ou Século XXI, A Redescoberta da Pedra do Sal

Depois de mais de duas décadas de ostracismo, a Pedra do Sal (patrimônio cultural, 30 anos de tombamento) volta, no ano 2000, ao roteiro turístico da cidade, através de aguerridos agentes culturais da região portuária.

Depois de mais de duas décadas de ostracismo, a Pedra do Sal (patrimônio cultural, 30 anos de tombamento) volta, no ano 2000, ao roteiro turístico da cidade, através de aguerridos agentes culturais da região portuária.

Coincidentemente ou não, eles são descendentes do povo Gêge-Nagô, como Donga, João da Baiana, Sinhô, assíduos frequentadores da Pedra do Sal. Referências e protagonistas do projeto Sal do Samba, Donga, João da Baiana e Sinhô tiveram suas obras pesquisadas, estudadas e divulgadas na Pedra do Sal do ano 2000 até o ano de 2010.

Além de apresentações de obras de Sinhô, Donga e João da Baiana para as novas gerações, o projeto Sal do Samba recuperou a dobradinha Feijoada&Samba que estava há décadas em desuso nas quadras das principais Escolas de Samba do Rio de Janeiro. Feijoada naquele momento? Só do Ricardo Amaral, no Hotel Sheraton - São Conrado... Acredita?

Plataforma da Cultura do Samba das décadas de 20, 30 e 40

O Sal do Samba, portanto, serviu como plataforma da cultura do samba das décadas de 20, 30 e 40 do século passado. Além disso, teve o mérito de lançar novos artistas como Adriana Passos, Julieta Brandão e Grupo Panela Di Barro, entre vários outros.

Frequentado por intelectuais, pesquisadores e turistas estrangeiros, o projeto Sal do Samba promovia uma Roda de Samba de mestres e discípulos. Na galeria dos mestres figuravam: os saudosos Claudio Camunguelo (flautista, compositor e estivador). Camunguelo teve como parceiros musicais Nei Lopes e Zeca Pagodinho, entre outros. Tem mais: Djalminha da Providência e Haroldo Melodia.

Por esta razão, os domingos ensolarados do Sal do Samba (Pedra do Sal) viraram programas obrigatórios para Wilson Moreira (a esposa dele, Ângela, promoveu encontros sambísticos na Pedra do Sal nos anos 80), Tia Surica (a Portela nem sonhava em reeditar sua feijoada), Vó Maria (nem pensava em gravar seu primeiro CD), Ligia Santos (filha de Donga), Ekéde Maria Moura (viúva de Paulo Moura), Délcio Teobaldo (músico, escritor e cineasta), Mestre Arerê e seus Capoeiras, Geisa Kety (filha de Zé Kety), Beth Carvalho e..

Agregador, Sal do Samba recolocou a Pedra do Sal no seu devido lugar, já que os organizadores propiciavam passeios pelos Morros da Conceição e Providência. Além do samba (dos anos 20, 30 e 40) e da feijoada, o público assistia as palestras de acadêmicos e pesquisadores. Quer nomes? Ei-los: Hiram Araújo, Ligia Santos, Haroldo Costa, Mauro Viana...

Sal do Samba, Anos 2000 ou A Redescoberta da Pedra do Sal
    
O projeto Sal do Samba, Anos 2000 ou Século XXI, A Redescoberta da Pedra do Sal, portanto, será o levantamento desta recente história do samba carioca cujo palco foi a Pedra do Sal.    

Para isso, o trabalho começará com a reunião do acervo do Sal do Samba espalhado pelo país e pelo mundo. Daí que o primeiro passo será a deflagração da campanha: “Sal do Samba, anos 2000 – poste seu relato histórico, poste sua imagem”. Reunido o acervo, partir-se-á para a seleção dos ícones históricos e posterior estruturação do livro: Sal do Samba, Anos 2000 ou Século XXI, A Redescoberta da Pedra do Sal. O livro deve se constituir em 150 páginas, com fotos e reproduções de depoimentos. Além disso, o projeto se compõe de edições de eletrônicos (site, webtv) e impressos (jornal e revista).

Sal do Samba, Histórico:

Sal do Samba - Associação de Moradores da Saúde, produtores culturais e artistas voluntários estabeleceram uma meta para o ano 2000: recuperar o prestígio histórico-cultural da Pedra do Sal, na Pequena África. Para isso, reuniram yalorixas, capoeiristas, percussionistas, cineastas, sambistas históricos, os Filhos de Ghandi e muitos outros. Naquele ano 2000 inaugurara-se o projeto Sal do Samba (roda de samba + feijoada). O cantor e compositor Claudio Camunguelo, as cantoras Adriana Passos e Julieta Brandão, o grupo Panela Di Barro, Damião Braga, Maria Lucia Luzia, Maiara e Dona Eunice (Associação de Moradores), Mauro Rasta, Lamarão, a Ekede Maria Moura e o jornalista Mauro Viana formavam o núcleo-duro da iniciativa cultural. A primeira edição de Sal do Samba foi um sucesso estrondoso. Mais de 500 pessoas lotaram a Pedra do Sal. O projeto Sal do Samba, na Pedra do Sal fez acender a luzinha dos iluminados mentores da reforma da região portuária, que passou de Portuária a Porto Maravilha. A Pequena África, o Sal do Samba e os abnegados da cultura deixaram outro legado. Todo o movimento de retomada das feijoadas das Escolas de Samba tiveram o Sal do Samba como modelo e inspiração.
 

Mauro Viana