MPB, realidade e encanto com Alice Passos

A intérprete, instrumentista e educadora Alice Passos conversou com o INVERTA sobre a sua carreira e também sobre a influência familiar na escolha da música como profissão. Na entrevista, ela fala entusiasmada sobre a gravação do seu 1º CD com várias parcerias com artistas consagrados como Dori Caymmi e Guinga. O seu projeto musical de ensino “Quando Canto” está trazendo muitas alegrias na sua vida e lhe dando prazer na carreira.

A intérprete, instrumentista e educadora Alice Passos conversou com o INVERTA sobre a sua carreira e também sobre a influência familiar na escolha da música como profissão. Desde a infância, o gosto pela arte faz parte da vida de Alice, que também é professora de música e socializa com seus alunos sua arte e formação. Na entrevista, ela fala entusiasmada sobre a gravação do seu 1º CD com várias parcerias com artistas consagrados como Dori Caymmi e Guinga. O seu projeto musical de ensino “Quando Canto” está trazendo muitas alegrias na sua vida e lhe dando prazer na carreira.

INV - Alice Passos, conte-nos um pouco sobre a sua carreira artística como instrumentista e cantora, e sobre a influência familiar nesta sua profissão musical:

AP - Minha mãe diz que eu me ninava, que eu cantava pra dormir quando era bebê. Adoro essa história. Crescendo lembro de estar sempre em ambientes musicais, mas nunca me interessei particularmente por um instrumento, até entrar para os Flautistas da Pro Arte, com 8 anos, tocando flauta.

Meu pai tinha uma oficina de violões, e eu passava algumas tardes lá. Minha mãe, sempre tocando, fazendo shows, dirigindo shows… minha irmã cantora e cavaquinista, meu irmão baixista e cantor. Eu sabia o que queria fazer desde sempre, acho, por mais que em uma época eu tenha pensado em fugir para um lado menos “humanas”, acabei fazendo vestibular para Arranjo (UniRio) quando estava no 2º ano do Ensino Médio, e passei.

Como cantora comecei dando canja na Lapa, onde minha irmã e os amigos dela faziam show. Daí acabei formando meu próprio grupo com alguns amigos, gravamos uma demo em 2007 e por aí segui, até gravar meu primeiro disco, lançado no fim de 2016. Ou seja, podemos dizer que eu tenho mais de 10 anos de carreira.

INV - Quais são os seus estilos de música preferidos? Ou você gosta da música de qualidade sem escolher o ritmo e o estilo?

AP - Não tenho estilo de música preferido. Tenho uma queda forte por música brasileira, e como não uso (ainda) Spotify nem Deezer, nem nada deste tipo, acabo ouvindo o que tenho, que é basicamente música brasileira.

Gosto muito de jazz cantado, Ella Fitzgerald e Chet Backer. Conheço pouquíssimo da música tão rica da América Latina, bambucos, milongas, joropo, barcarola… Mas estou sempre aberta a conhecer.

INV - Apesar da pouca idade você já tem uma boa experiência na música. Como foi a gravação do CD “Alice Passos: Voz e Violões”?

AP - Foi extremamente prazeroso realizar a gravação do meu primeiro disco. Passei alguns meses encontrando os violonistas e ensaiando os arranjos, moldando a música para o formato voz e violão.

Os compositores e violonistas todos toparam super generosamente, tive o prazer de gravar com gente que eu admiro de muito tempo, como Dori Caymmi e Sergio Santos. O Guinga eu já havia tido alguma experiência de gravação com ele, temos umas 3 faixas gravadas que nunca lançamos.

Tive também o prazer de gravar, pela primeira vez, músicas do João Camarero, Pedro Messina e Miguel Rabello, que até então nunca tiveram suas canções lançadas.

INV - Fale um pouco de sua luta e dos seus parceiros musicais para conseguir sobreviver com a falta de patrocínio e com o fechamento de vários espaços culturais no Rio de Janeiro. Um bom exemplo da crise foi o desaparecimento do Bar Semente, no Centro do Rio.

AP - Eu não vivo nem nunca vivi, ainda, de fazer shows. Dou aulas de música particular e em grupo. O problema não é só a falta de patrocínio e a falta de lugar para cantar, o carioca é um povo que gasta R$500 no Rock in Rio, R$70 bebendo cerveja, mas não paga R$15 pra ver um show.

Acho que precisamos nos organizar bem, e creio que já está acontecendo um movimento para a cultura não ser soterrada no Rio, porque se depender do prefeito eleito, Crivella, não vai restar Casa do Jongo nem carnaval, nem nada.

INV - Como professora do Projeto “Quando Canto”, você está levando boa música aos seus alunos. Como foi a ideia de criar este projeto? Está alcançando os seus objetivos?

AP - Como já disse, tenho uma forte queda por música brasileira, e desde os 14, 15 anos que “fuço” inéditas do Cartola, músicas desconhecidas do Nelson Cavaquinho, etc. Ao longo dos anos, fui criando um repertório bem grande.

Minha mãe tem 4 coros, e eu sempre cantei em coro. E com a Patricia Costa, regente excepcional, aprendi muito. Ao longo dessa experiência senti como tem gente que quer só cantar a música, sem fazer abertura. Foi assim que surgiu a ideia das aulas de canto em grupo, onde passo parte do repertório que recolhi - a outra parte é escolha dos alunos - e ainda ensino técnica vocal. É muito prazeroso.

 

Julio Cesar de Freixo Lobo