Artes e Lutas no Oriente-se!

Nova Iguaçu, Baixada Fluminense-RJ, é um celeiro de talentos, como por diversas vezes o INVERARTE pode comprovar ao reunir artistas representantes da música, arte, dança e outras expressões da criatividade do povo. O Inverta entrevistou Patrícia Gia Nut, que resgata a Cultura Oriental.

Nova Iguaçu, Baixada Fluminense-RJ, é um celeiro de talentos, como por diversas vezes o INVERARTE pode comprovar ao reunir artistas representantes da música, arte, dança e outras expressões da criatividade do povo.

Em 2010, o INVERTA entrevistou Patrícia Gia Nut, bailarina de Dança do Ventre, professora de Educação Física, do Espaço Gia Nut, em Nova Iguaçu. Patrícia e parte de sua equipe se apresentaram na UERJ, no Seminário de Luta Contra o Neoliberalismo, como se pode recordar em http://inverta.org/jornal/edicao-impressa/446/especial-19-anos/gia-nut-a-magia-do-oriente-em-nova-iguacu.

A atração exercida pela cultura oriental - principalmente as artes e lutas - junto aos brasileiros e brasileiras é cada dia maior.

Para falar sobre isso, conversamos novamente com Patrícia, agora uma das diretoras do Oriente-se, onde encontramos reunidos exemplos do que afirmamos anteriormente: além da dança do ventre, dança cigana, yoga, e artes marcias, como o Sambo.

A equipe cresceu e Patrícia Gia Nut nos guiará por essa seara mais uma vez, sobre a arte em que é mestre, a Dança do Ventre e Folclore Árabe, a também milenar cultura cigana e um dos esportes mais completos do mundo, o Sambo, além do kung Fu (Wing Chun HFY) e outros.

INV - Patrícia, o fascínio pelo Oriente e sua cultura crescem a cada dia. Não por acaso, o Espaço Gia Nut deu lugar ao Oriente-se, agregando novas atividades da cultura cigana e das artes marciais. Como se deu a ideia de transformar o Espaço Gia Nut no Oriente-se e como foi a recepção por parte dos estudantes?

PGN - É um imenso prazer estar aqui com vocês novamente falando da arte oriental, essa arte que cresce cada vez mais, principalmente aqui na Baixada Fluminense, no Rio de Janeiro.

A ideia da Oriente-se - Instituto de Arte e Cultura veio da necessidade de expandir os diversos segmentos culturais, não só a cultura árabe como também a cultura chinesa, russa e porque não a cigana, já que esta engloba não só o Oriente como o Ocidente.

E essa ideia foi possível quando conheci, através de um projeto de artes orientais no SESC de Nova Iguaçu, o sifu e atleta Marcio Melo, que era proprietário da antiga academia Marcio Melo Club Combat.

Quanto à recepção dos alunos e admiradores da arte está sendo muito positiva, pois o que antes era apenas uma escola de dança transformou-se em um núcleo de arte.

INV - Você nesses quatro anos viajou por vários países apresentando o seu trabalho. Como essa experiência contribuiu para sua formação?

PGN - Através da minha arte (Dança do Ventre e Folclore Árabe) tive o privilégio de conhecer alguns países como Alemanha, Finlândia e Áustria, e essa viagem foi de extrema importância para minha carreira, pois pude fazer esse intercambio com outras bailarinas árabes que vivem na Europa e constatei que a arte é muito valorizada por lá, seja qual for, o Brasil está no caminho e espero que um dia o artista seja também mais valorizado.

INV - Fale um pouco sobre a imprescindível contribuição do Povo Cigano à nossa cultura:

PGN- A antiga Gia Nut Espaço de Dança foi pioneira em introduzir a modalidade de dança cigana artística, muito bem ministrada pela professora Lu Barcelos, profissional renomada que também se encontra na Oriente-se.

A dança cigana artística vem com a intenção de ensinar as modalidades das danças, costumes e cultura dessas populações nômades, que tem em comum a origem indiana e uma língua (o romani).

Também conhecidos pelos termos Boêmios, Gitanos, Calons (em todo o Brasil), Quicos (em Minas Gerais e São Paulo). Visamos a arte pela arte e não pela religião, e passamos isso para todos.

INV - Em que se baseia a cultura cigana e qual o ponto de unidade entre todos os que se intitulam ciganos.

PGN - A cultura cigana se baseia na tradição oral de sua herança ancestral, a maioria dos ciganos no Brasil  é de origem Calón, encontrados na península ibérica e América Latina, como Bolivia, México, Argentina e Brasil, porém, muitos não são nômades e nem falam o idioma calón (é a mistura do romani com o português, o galego, o basco, o catalão e, especialmente, o castelhano).

INV – A resistência do Povo Cigano é histórica.

PGN – Sim. Durante a 2ª Guerra Mundial, os nazistas dizimaram tanto os ciganos quanto os judeus, mas infelizmente a história não dá foco necessário a esse tipo de holocausto cometido contra os ciganos.

INV- Como se apresenta o Povo Cigano que se encontra em Nova Iguaçu com quem vocês estão mais ligados? Como a dança cigana pode ser apresentada ao público, fale sobre as técnicas e as características que elas trazem dos seus povos de origem:

PGN - Aqui em Nova Iguaçu existem várias Tzaras ciganas, como Tzara Familia Verdade e Tzara Ramirez, onde se encontram adeptos da cultura cigana que, de forma espiritual, ou seja, trabalham com a energia cigana, pois não são ciganos de sangue, o que não os impedem de seguir os costumes ciganos através de festas, jogos de baralho cigano e consulta em geral, além dos ciganos de sangue que se apresentam toda segunda-feira no Jeito da Baiana, restaurante pioneiro na diversidade cultural cigana no município.


A dança cigana artística é muito mais que mexer a saia. Quem estuda a arte da dança cigana seriamente consegue identificar a origem de cada movimento, dos ritmos e acessórios, pois temos diversas origens como dança cigana da Rússia, da Turquia, da Espanha, e cada qual com seu acessório, tais como leques, xales, punhal, pandeirola, rosa, etc.

Segundo a professora de dança cigana Lu Barcelos, é um estudo profundo que requer respeito e disciplina e requer aulas técnicas para melhor conhecimento e precisão nas coreografias.

INV - As artes marciais, como o Kung Fu, Sanda (boxe chinês) e o Sambo (modalidade russa), também estão sendo oferecidas e sob a condução do professor Márcio Melo.

PGN - O professor Marcio Melo também tem formação profissional em Educação Física, e é praticante de Kung fu (wushu/Sanda) há 16 anos.

Hoje em dia, ele é o representante na Baixada Fluminense do Sistema Wing Chun Hung Fa Yi (Arte Marcial Chinesa Preservada pela Sociedade Secreta Revolucionária Hung Mun, desde o século XVII, que tinha por objetivo escapar dos invasores Manchus).

Historicamente, esse conhecimento foi aberto ao público só recentemente pelo Grão Mestre Garret Gee (Zhu King Hung), 8º geração. Marcio Melo também é professor e atleta de Sambo Combate, modalidade de luta russa parecida com o MMA.

Foi Campeão no 1º Open de Sambo em 2013 e na Competição do Arnold Classic 2014, na qual conquistou vaga na Seleção Brasileira de Sambo, na categoria até 62 Kg, e está em fase de treinamento para disputar o Campeonato Mundial este ano no Japão.


Gilka Sabino