O planeta manipulado por um punhado de oligarcas

Recente pesquisa demonstra como 737 gigantescas corporações controlam 80% do capital global

Uma das principais características da produção industrial é a tendência ao aumento da divisão do trabalho. Quanto mais a técnica e a tecnologia avançam, novas indústrias são instaladas, novas áreas são desbravadas, novos ramos da produção são desenvolvidos, novas especialidades são acrescentadas à divisão internacional do trabalho. No mesmo sentido, aumenta-se a interdependência de cada unidade produtiva e do trabalho na produção de bens de consumo e de capital no mercado mundial.

Ao lado deste aumento quantitativo de indústrias e da divisão internacional do trabalho, ocorre outra tendência, exatamente no sentido contrário da anterior: a concentração e a centralização do poder de comando sobre todo desenvolvimento da produção em geral, bem como, do progresso da técnica e da tecnologia. De um lado, acompanhamos a socialização da produção em todo o planeta, do outro, a ditadura no comando da produção e distribuição do universo das mercadorias e serviços.

Uma recente pesquisa realizada por um grupo de especialistas do Instituto Federal de Tecnologia de Zurique, Suíça, identificou que precisamente 737 gigantescas corporações transnacionais controlam 80% do capital global. O estudo com a conclusão foi publicado sob o nome “A rede de controle global das transnacionais” (The network of global corporate control). Para os autores, este estudo se trata da “primeira investigação da arquitetura da rede de propriedade internacional” onde “uma grande parte dos fluxos de controle acionário” global se encontra nas mãos “de um pequeno núcleo de instituições financeiras”.

A partir de uma profunda investigação de uma complexa rede de participação cruzadas entre empresas, mercado acionário, holdings, consórcios, trustes, financiamentos etc. os investigadores identificaram que, na realidade, quatro quintos da globalização capitalista está nas mãos de um seleto grupo de capitalistas, os donos de 737 corporações transnacionais. A pesquisa investigou a arquitetura acionária de 43 mil empresas transnacionais, de acordo com o critério da OCDE (Organização de Cooperação e de Desenvolvimento Econômico), e cerca de 37 milhões de acionistas, espalhados em 194 países, alencados no banco de dados de 2007 da Orbis (Sistema de Indicadores Global, que contém informações de empresas pelo mundo).

Esmiuçando ainda mais a complexa rede de participação direta e indireta de capitais industrial e financeiro, identificaram que 147 gigantescas transnacionais detêm nada menos do que 40%, isto é, praticamente a metade, do “valor econômico e financeiro de todas as corporações do mundo inteiro”. Penetrando ainda mais neste pequeno grupo de gigantescas corporações, eles conseguiram identificar ainda que há 50 supercorporações que, direta ou indiretamente, são os seus principais detentores do capital. São, para os autores do estudo investigativo, as “superentidades”, os “donos do mundo” capitalista.

Como os autores afirmam “Na própria literatura de controle das finanças corporativas pode-se observar a frequência com que as instituições financeiras são capazes de influenciar na decisão estratégica das empresas”. A partir de uma complexa rede de controle acionário e de financiamento, cinco dezenas de capitalistas controlam e manipulam diversos ramos da indústria, suas sucessivas fases de produção internacional, as mais modernas técnicas e tecnologias utilizadas no parque industrial, inclusive os laboratórios de desenvolvimento científico e novos produtos. Controlam a produção, a tecnologia e a liberdade de imprensa.

Os donos do mundo são, para os investigadores, os proprietários dos bancos JP Morgan Chase & CO., Unicredito Italiano SPA, AllianzSE, Bank of America Corporation, Merril Lynch, Lehman Brothers Holdings, Credit Suisse Group, Deutsche Bank AG, Goldman Sachs Group, Morgan Stanley, Société Générale, Banque Populaire Caísse, entre outros. Esta oligarquia financeira criou e são os donos dos famigerados “hedge funds” e “sub-primes”, produtos que encheram o mundo de especulação e bolhas financeiras arrastando-o a atual profunda e gigantesca crise. Com seus papéis podres, destruíram e estão destruindo o país, arrasando para uma profunda crise países inteiros e jogando milhões de pessoas na profunda miséria.

Esta oligarquia domina a mão-de-obra internacional, controla os melhores engenheiros e cientistas, determina o que deve ser produzido e comercializado no mercado internacional, controla os principais e mais importantes laboratórios de pesquisas, elabora os planos político-econômicos de governos, dita a liberdade de imprensa e o que é conveniente sair na comunicação global etc.

A reunião de acionistas destes bancos define não só o destino de suas finanças, mas o destino e a sorte do mundo. Cria teorias tendenciosas sobre o buraco de ozônio, efeito estufa e aquecimento global para vender seus novos lançamentos, produtos “revolucionários” e “ecologicamente” corretos. Cria monstruosas teorias sobre inflação, gastos públicos e aumento salarial para vender seus planos econômicos, as receitas governamentais para a taxa de juros, “austeridade” fiscal e arrocho salarial. Estas “superentidades” convertem o mundo à sua imagem e semelhança.

Cinco dezenas de oligarcas são tudo. Milhões de pequenas, médias e grandes empresas são nada. Dezenas de pequenos, médios e grandes estados nacionais são, também, nada. Essa oligarquia, e seu país e governos sede, só pode sobreviver e se desenvolver senão com uma feroz política colonial e de rapina sobre o resto do mundo. Essa oligarquia dominante tende à dominação, à concentração e à centralização, isto é, à ditadura e ao terror econômico e militar. Apesar das belíssimas propagandas na mídia, nunca vacilam para a liberdade de concorrência, a distribuição da riqueza, a democracia ou para o bem-estar social.

 

José Tafarel