A Venezuela Bolivariana hoje

No sábado 23 de janeiro, celebrou-se na Venezuela o 58º aniversário da queda do ditador Perez Jimenez, derrubado por uma união cívico-militar no ano de 1952. No marco dessa celebração, o povo aproveitou para sair às ruas e demonstrar não só seu apoio ao processo revolucionário, como também seu compromisso com a defesa do processo e com seu máximo líder, o presidente Hugo Rafael Chávez Frías.

No  sábado 23 de janeiro, celebrou-se na Venezuela o 58º aniversário da queda do ditador Perez Jimenez, derrubado por uma união cívico-militar no ano de 1952. No marco dessa celebração, o povo aproveitou para sair às ruas e demonstrar não só seu apoio ao processo revolucionário, como também seu compromisso com a defesa do processo e com seu máximo líder, o presidente Hugo Rafael Chávez Frías.

Ao contrário do que chega nos meios internacionais, Chavez continua sendo o líder legítimo do povo venezuelano na sua construção do socialismo. Como demonstração disso, 55% dos votantes aprovaram a emenda constitucional em fevereiro do ano passado que permite que o mandatário se candidate à presidência mais de duas vezes consecutivas.

Para compreender um pouco do sentimento geral do povo venezuelano, conversamos com Andrés Alayo, trabalhador da empresa Marisela, empresa  socialista agroecológica que surge da expropriação de um latifúndio de 63 mil hectares, antes “territorio de latifúndio, narcotráfico e capatazes, hoje terra recuperada para a revolução agrária e dignificação do trabalho camponês”, segundo explica o próprio Andrés. Nos dizia que ele e outros companheiros de Marisela saíram a demonstrar seu apoio à Revolução Bolivariana porque ela é “um das últimas tentativas de dignificação do trabalhador camponês e do povo pobre e marginalizado depois de séculos de exclusão e opressão por distintos regimes políticos que hão governado o páis.” Além disso, porque “o Comandante Chavez encabeça uma das mais controvertidas, porém mais avançadas tentativas de liberação e construção dessa nova sociedad que sempre foi uma utopia, um sonho. Há dez anos essa utopia se está transformando numa realidade concreta, mostrando que é possível construir um novo modelo produtivo.”  Segundo Andrés, “as dezenas de milhares de camponeses, sem terra, pobres, descamisados que cavalgaram ao lado do General Ezequiel Zamora durante a Guerra Federal e nas guerrilhas de resistência após sua morte, camponeses que lutavam por terra e liberdade, recentemente agora estão sendo reinvindicados. É com o processo da Revolução Bolivariana que se entrega três milhões de hectares aos camponeses que se decidiram a organizar-se em distintas formas e recuperar essas terras do latifúndio. Esses três milhões de hectares foram historicamente improdutivos e hoje a Revolução Bolivariana [...] está plantando os primeiros passos para que haja uma revolução agrária de verdade no campo venezuelano. As distintas políticas do governo são parte da dignificação do camponês, do mesmo modo que estabelecer empresas agrícolas socialistas significa um salto no desenvolvimento do campo venezuelano para deixar de importar 75% dos produtos alimentícios e sair da cultura monoprodutora baseada no petróleo. Assim, diversificamos a economia fazendo com que o campo produza, caso contrário estaremos condenados a seguir vivendo dos produtos importados e presos aos preços impostos pelo mercado mundial.” Afirma que “talvez seja este um dos grandes méritos dessa revolução: o grandioso esforço para começar a construir infraestrutura e entregar terras para pôr em produção o campo venezuelano para benefício do povo venezuelano no geral.”

O desenvolvimento do trabalho no campo e a construção da soberania alimentária são só parte dos logros trazidos pela Revolução. Na sua transição ao socialismo, o governo Bolivariano oferece melhores condições de vida e trabalho para a população ao implementar políticas comprometidas com esses objetivos. Assim, o país avança rapidamente ao cumprimento prematuro de seis dos oito Objetivos do Milênio estabelecidos em 2000 na Cumbre do Milênio da ONU, para serem atingidos até 2015: (1) “Reduzir a pobreza extrema a menos da metade”: Na Venezuela, a pobreza caiu de 17,1% em 1998 a 7,9% em 2007; (2) “Educação básica de qualidade para todos”: Segundo o Instituto Nacional de Estatísticas, a taxa de escolaridade em educação básica já era de 99.5% no fim de 2006; (3) “Igualdade entre sexos e valorização da mulher”: Além da criação do Ministério da Mulher e do Banco da mulher, a participação popular feminina através dos conselhos comunais é de 60% e quatro dos cinco poderes públicos são hoje regidos por mulheres: O Comitê Nacional Eleitoral, a Assembléia Nacional, O Tribunal Superior de Justiça e o Ministério Público; (4) “Reduzir em 2/3 a mortalidade infantil”: De 25.6 fatalidades por cada mil nascidos em 1990, a cifra foi reduzida em 1/3 a 13.9 em 2007; (5) “Qualidade de vida e respeito ao meio ambiente”: o acesso universal à água potável é parte desse objetivo e há sido atingido, com o 92% da população com acesso à água potável; já em relação ao impacto ambiental, Chavez deixou claro seu compromisso na Cumbre de Copenhaguem ao afirmar: “Não mude o clima, mude o sistema”.

Os trabalhadores venezuelanos tem demonstrado seu compromisso reiteradas vezes nesses últimos dez anos, sendo duas dessas demonstrações decisivas para o avanço do processo: sair às ruas para exigir o retorno de seu líder em 2002 e haver resistido contra o paro patronal de 2002/2003 através de tomas de fábricas e planos de contingência para manter funcionando o aparato produtivo nacional. Em relação à situação da classe operária anterior ao processo revolucionário, explica o coordenador nacional da União Nacional de Trabalhadores (UNT) e membro da Equipe Operativa Nacional da Frente Bolivariana de Trabalhadores do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), Stálin Perez Borges: “Hoje as condições de trabalho estão melhores que na Quarta [República]. Hoje contamos com a Lei Orgânica de Prevenção, Condições e Meio Ambiente de Trabalho (LOPCYMAT) que empodera o trabalhador na defesa da sua saúde e segurança no local de trabalho; gozamos de estabilidade laboral, garantida através de decretos presidenciais para evitar que, principalmente agora, os capitalistas descarreguem o peso da crise no ombro do trabalhador; existe maior investimento em programas sociais para vivenda, saúde e educação a partir de uma melhor distribuição da renda petroleira; antes organizar-se custava muito, porque ainda que existisse uma lei que defendia o direito à livre organização isso quase nunca se respeitava, já que a burocracia aliada à patronal dominava os órgãos públicos, hoje é o contrário, trabalhadores de qualquer empresa pequena ou grande podem conformar um sindicato de maneira muito simples; em 2003, devido ao fato da única central que tínhamos, a Central de Trabalhadores da Venezuela (CTV), aliar-se com os empresários escuálidos e apoiar o paro patronal, conformou-se a União Nacional de Trabalhadores (UNT), que é hoje a maior central operária da Venezuela e que atravessa um momento de refundação onde vê sua direção nacional ampliada de 3 dirigentes a mais de 150 líderes sindicais em uma comissão operativa nacional transitória.”  Stálin afirma que nem tudo é perfeito e que o processo avança, mas não sem tropeços e muitas ameaças: “O governo está realizando muitas expropriações que a UNT apoia, como a da rede de Hipermercados Éxito, que serão postas sob o controle operário. Tivemos algumas experiências negativas com o controle operário, principalmente porque a chamada direita endógena, a contra-revolução interna ao processo, não permite que as propostas revolucionárias se levem a cabo. Hoje existe uma maior conciência por parte dos trabalhadores e do mesmo governo, já sabemos que só com a participação real dos trabalhadores podemos avançar. Em Cidade Guayana, centro industrial que representa a maior concentração operária do país, com mais de 50 mil trabalhadores, estes elaboraram o plano Guayana Socialista para implementar o controle operário a todas as empresas que foram recentemente nacionalizadas.” O lider sindical conclui:  “Apoiamos o processo porque vemos a possibilidade de romper definitivamente com o capitalismo. Desde o início, o presidente Chavez demonstrou que os trabalhadores e o povo poderiam tomar o poder, acabando com o domínio da burguesia. Cada vez que o imperialismo vem com uma ofensiva – como agora com a reativação da IV Frota, a implementação de bases na Colombia, aviões violando nosso espaço aéreo – Chavez responde com esperança. Existem enormes possibilidades para que os trabalhadores controlem as empresas e, eventualmente, toda a economia nacional.” Em entrevista prévia à página Aporrea.org, quando questionado sobre quê fazer ante a ameaça imperialista à Venezuela, Stálin explica: “Confrontado com uma crise econômica mundial, que cada dia se aprofunda mais, o império norteamericano não deixa de pensar em resolver seus problemas pela via militar e totalitária. [..] Não pode haver uma fábrica ou ministério ou qualquer centro de trabalho sem seu batalhão de trabalhadores prontos para defender nossa revolução contra qualquer agressão.”

As palavras de Stálin são mais uma evidencia de como o povo trabalhador está em sintonia com o presidente Chavez, quem o chamou no dia 23 de janeiro a ativar imediatamente o contra-ataque Bolivariano, com a união e a resistência dos povos de toda a América Latina. Lembrou ele que já Bolívar, em sua imensa sabedoria, previu em 1829: “Os Estados Unidos [...] parecem destinados pela Providência a pragar a América de misérias em nome da liberdade”. Temos que preparar-nos, portanto, para dar a batalha contra o império, pela liberação dos povos de Nossa América. Termina Chavez, com uma palavra de ordem conhecida por todos nós:

   

“Pátria, Socialismo ou Morte, VENCEREMOS!”


Em Defesa da Revolução Bolivariana!


Pela Defesa da Unidade e Soberania Continental!


Surcussal São Paulo