Neoliberalismo e o sufocamento da classe trabalhadora

O liberalismo em suas vertentes políticas e econômicas pode ser datado desde os séculos XVIII e XIX, a partir da obra de Adam Smith, sobre a ideia liberal de uma competição saudável para a sociedade, onde o Estado se faria desnecessário a partir do “controle invisível” que o mercado exerceria através da livre iniciativa da oferta e da procura, sendo comungado com o fundamento da ética individualista proposto por Jeremy Bentham e John Stuart Mill, e sua concepção filosófica hedonista.

Neoliberalismo e o sufocamento da classe trabalhadora

 

O liberalismo em suas vertentes políticas e econômicas pode ser datado desde os séculos XVIII e XIX, a partir da obra de Adam Smith, sobre a ideia liberal de uma competição saudável para a sociedade, onde o Estado se faria desnecessário a partir do “controle invisível” que o mercado exerceria através da livre iniciativa da oferta e da procura, sendo comungado com o fundamento da ética individualista proposto por Jeremy Bentham e John Stuart Mill, e sua concepção filosófica hedonista.

A partir dos anos 80, o capitalismo passou por uma adaptação do liberalismo histórico que ficou conhecido como o Neoliberalismo. Algumas características são notáveis no neoliberalismo, a partir da mínima participação estatal nos rumos da economia de um país como: A abertura da economia para a entrada do capital internacional através das multinacionais, a pequena intervenção dos governos no mercado de trabalho, a “desburocratização do estado” com leis e regras econômicas mais flexíveis para facilitar o funcionamento das atividades empresariais, além da política de privatização de empresas estatais, tendo assim a base da economia formada por empresas privadas.

 A intervenção estatal seria necessária para alardear as mudanças nas relações internacionais como a proposta do processo que ficou conhecido como a globalização ou a mundialização ou ainda o neo-imperialismo, onde “se acabariam as fronteiras entre os povos”, quando objetivamente significou o aumento das remessas de lucros dos países capitalistas periféricos para os centros financeiros mundiais.

Além disso, com a tentativa de aumentar a lucratividade, em queda desde o final da década de 60, com a perspectiva de implantação do toyotismo e a reorganização do trabalho através do sistema Kanban, através dos chamados Kanbans de Produção ou Kanbans de Movimentação no processo Just-in-time, além de outras ferramentas como a terceirização dos serviços, o Estado teria que partir para a corrosão dos direitos trabalhistas. Como estes direitos não foram conseguidos senão através das lutas dos trabalhadores, o Estado passaria a atuar com suas forças policiais em uma política repressiva e coercitiva tendo em vista à generalização dos protestos e das manifestações, como de fato se fez.

Alguns nomes ganharam notoriedade como representantes do neoliberalismo, como a “Dama de Ferro” Margareth Thatcher, primeira ministra da Inglaterra nos anos de 1979 a 1990, que governou sobre o princípio do anticomunismo, perseguindo com severidade o movimento sindical grevista e elevando consideravelmente o nível do desemprego após os cortes no setor público com os processos de privatização de empresas estatais. O presidente dos Estados Unidos da América entre os anos de 1981 e 1989, Ronald Reagan, e o Chanceler alemão Helmut Kohl, também ficariam conhecidos como grandes líderes neoliberais anticomunistas.

Pode-se constatar que o estado neoliberal atua como a forma estatal necessária para a nova etapa de acumulação do capital, através da privatização dos meios de produção e das empresas estatais, da desregulamentação da atividade privada e da liberalização quase que irrestrita do comércio e dos fluxos de capitais (como fica evidente na presente crise econômica), e muito destacadamente através de organismos internacionais, como o FMI e o Banco Mundial, no processo de celeridade de acumulação e transferência do capital dos países pobres para os países ricos.

Filósofos e Historiadores em geral, já apontam algumas das principais consequências do neoliberalismo, onde mesmo nos países mais ricos elevam-se consideravelmente os índices de desemprego, fome, miséria e diversas outras formas de violência diretamente ligadas com a diminuição do poder aquisitivo de parcelas significativas da população. A desnutrição, como aponta a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO) em relatório divulgado no último dia 19, atingirá a marca de 1,02 bilhão de seres humanos, em decorrência da atual crise econômica. A diminuição dos gastos estatais se caracteriza no neoliberalismo pela ausência grave de políticas sociais, em especial nas áreas da educação, esporte, saúde, lazer etc. Questões sensíveis aos Direitos Humanos também chamam a atenção como a utilização do trabalho infantil, atingido potencialmente graças à desregulamentação que permite uma maior corrosão de direitos dos trabalhadores e asfixia o poder de pressão dos mesmos.

Aliado às consequências supracitadas, observa-se outros conflitos específicos gerados como o ódio às mulheres, aos imigrantes e até mesmo a cidadãos de características semelhantes, graças ao acirramento e a competição promovidos e provocados pelo próprio sistema de poder, em especial no problema do desemprego, próprio do sistema capitalista.

A principal resposta que o sistema oferece ao conjunto de problema, dele oriundos, é o aumento da repressão às camadas mais pobres, seja através do autoritarismo policial ou mesmo do aumento assustador da população carcerária, quando os cidadãos em geral tornam-se reféns da legislação sufocante e restritiva de direitos, que tem como objetivo abafar as próprias contradições do capitalismo.

Outro aspecto perceptível já há décadas, e que a atual crise torna alarmante, é que assim como o mercado imobiliário, a indústria bélica também é de fundamental importância para a economia dos Estados Unidos da América, e que uma crise neste setor, que como qualquer outro visa a lucratividade e que para tanto aumenta a sua produção a cada ano, também golpearia com um colapso a economia americana. A diferença fundamental é que a indústria bélica não tem os consumidores que os diversos outros setores econômicos, e que para evitar o citado colapso o governo americano, mesmo que com o endividamento público, é o grande comprador da produção de armas, e para o escoamento de tal produção vem utilizando a sua política ofensiva de relações exteriores através do acirramento e da produção de conflitos bélicos, que podem vir a se intensificar agora com a perda da hegemonia comercial em vários centros geopolíticos considerados essenciais, como o Brasil.

 

 

Jairo Cubano (Sucursal/CE)

PAULO TEIXEIRA
PAULO TEIXEIRA disse:
13/01/2011 17h31
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