Entrevista com Fidel Viteri

Entrevista com Fidel Viteri, militante comunista equatoriano do Movimento Bolivariano Alfarista e da Juventude Bolivariana Alfarista, onde expõe um pouco da realidade do Equador, as semelhantes dificuldades da luta revolucionária de seu país com o Brasil, e a representação do jovem revolucionário para o mundo, entre outras questões abordadas por ele.

Entrevista com Fidel Viteri

 

Nesta edição, emtrevista com Fidel Viteri, jovem militante comunista  do Movimento Bolivariano  Alfarista, do Equador. Fidel, inicia essa conversa declarando que ser jovem não significa só ter poucos anos, porque há muitos jovens com o pensamento completamente atrasado e velho. Segundo o jovem equatoriano, ser jovem significa ser revolucionário, ser rebelde, ir contra o sistema capitalista, ir contra o estabelecido. Há uma citação de Maio de 68 em Paris, da revolta que os jovens universitários fizeram, jovens contestadores do sistema estabelecido, que lutavam para mudar a França. Viteri relembra uma citação inscrita em maio de 1968 nos muros de Paris feita por jovens revolucionários que diz: " “Queremos um mundo que se ajuste ao tamanho de nossos sonhos”. Ser jovem segundo ele é não deixar de sonhar nunca:" Temos muitos tipos de sonho, porém os sonhos da juventude são os mais bonitos, os mais puros e limpos, sem ataduras, travas, são sonhos que nos fazem imaginar mais além do que vivemos. Para isso, nós, jovens, temos que ir gerando-o, ir criando-o, o que dizia Marx sobre a Praxes: “Não só teorizar como praticar também”. Isso é ser jovem, isso é ter consciência. Há muitos velhos que são jovens, muitas de nossas direções estão cheias desses jovens de muita idade. Que continuam tendo esse sonho louco de mudar o mundo, de criar, como diz um cartaz de Maio de Paris, que “Se há imaginação, há poder”, de criar um poder do povo para o povo, isso é ser jovem".


IN – Já começando por seu nome. Qual a razão de seus pais terem colocado esse nome em você?

FV – Primeiro porque na forma de pensar de meus pais, o nome Fidel significa muito. Fundamentalmente significa revolução. Recordando-nos de nosso Comandante-em-chefe de Cuba, nosso querido velho Fidel, o exemplo heróico que deu nosso comandante Ernesto Che Guevara e que deu nosso querido companheiro Camilo Cienfuegos. Então o nome Fidel é muito importante e eu o levo com muito estima, tento não fraudá-lo, e tenho que seguir essa linha revolucionária que me colocaram desde que estava no ventre de minha mãe. Prosseguir na luta por um mundo melhor, pelo socialismo, essa luta pela troca de sistema, eliminar as injustiças, eliminar esse sistema no qual poucos têm quase tudo e a grande maioria morre de fome. Por isso que me colocaram o nome Fidel. Porque Fidel não significa o rótulo de um companheiro revolucionário, significa totalmente o contrário, é fazer a revolução, é ser revolucionário, é querer a revolução, é amar a revolução.


IN – Qual o significado de ser jovem para você?

FV – Bom, para começar, ser jovem não significa só ter poucos anos, porque há muitos jovens com o pensamento completamente atrasado e velho. Então, ser jovem significa ser revolucionário, ser rebelde, ir contra o sistema, ir contra o estabelecido. Há uma citação de Maio de 68 em Paris, da revolta que os jovens universitários fizeram, jovens contestadores do sistema estabelecido, que lutavam para mudar a França. Então a citação diz: “Queremos um mundo que se ajuste ao tamanho de nossos sonhos”. E ser jovem é isso, é ser sonhador. Um jovem não pode deixar de sonhar nunca. Temos muitos tipos de sonho, porém os sonhos da juventude são os mais bonitos. E a questão dos sonhos, pode-se dizer que são os mais puros e limpos, sem ataduras, travas, são sonhos que nos fazem imaginar mais além do que vivemos. Para isso, nós, jovens, temos que ir gerando-o, ir criando-o, o que dizia Marx sobre a Praxes: “Não só teorizar como praticar também”. Isso é ser jovem, isso é ter consciência. Há muitos velhos que são jovens, muitas de nossas direções estão cheias desses jovens de muita idade. Que continuam tendo esse sonho louco de mudar o mundo, de criar, como diz um cartaz de Maio de Paris, que “Se há imaginação, há poder”, de criar um poder do povo para o povo, isso é ser jovem. Não deixar envenenar nossa mente com tendências ideológicas atrasadas, tampouco digo que ser jovem é cair na libertinagem. E aí está uma coisa que é bem clara, uma coisa é liberdade e outra coisa é libertino. O libertino é uma deturpação da liberdade, o libertino é o que o capitalismo nos produz, que acreditamos que para lutar no capitalismo muita gente, muitos jovens vão cair nas drogas, vão cair no álcool. Inclusive se declaram revolucionários consumindo esse tipo de produto, que a única coisa que faz é nos alienar da realidade, tirar nossa mente da realidade e não perceber o que se passa com nossos irmãos, porque todos aqui somos irmãos. E por que digo que somos irmãos? Porque somos igualmente explorados, igualmente vilipendiados, igualmente maltratados, ultrajados, isso é o que nos une, esse laço de irmandade. Temos muitos irmãos que parecem que se afastam de nós, e se declaram revolucionários ao consumir maconha, ao consumir metanfetamina, ao consumir heroína, produtos impostos pelo sistema capitalista e pelo imperialismo ianque para aplacar essa força revolucionária e contundente que é a juventude. Podemos ver na América Latina que mais de 50% da população é jovem. Então, a única forma que o imperialismo ianque teve para aplacar essa maioria foi nos impondo esta série de produtos que nada mais fez que abandonar a mentalidade criativa de jovem para colocar em prática e só o manter em uma nuvem e não poder atuar.


IN – Como está hoje a organização política a que você pertence, principalmente em relação à sua Juventude do Equador?

FV – Nós agora vivemos um verdadeiro problema dentro do que é a juventude do Equador, já que essa teoria pós-moderna de que a luta de classes acabou, de que não existe a mais-valia e toda uma série de coisas e condicionamento que o sistema neoliberal vem nos impondo. Em geral a mesma juventude não acredita mais na luta de classes, a luta dos pobres contra os ricos, e que os pobres tomem o poder em suas mãos. Então chegamos a um ponto em que a juventude está apolítica, e isso é um grande erro, porque ser apolítico é servir ao sistema. Muitos jovens se declaram apolíticos e dizem “Ah eu sou apolítico e não me meto nisso.” Então é um trabalho bem duro. Primeiro conscientizar politicamente as pessoas. Bertold Brecth, quando fala de analfabetismo político nos deixa algo bem claro “não há pior caso de analfabetismo que o analfabetismo político”, porque eu posso ser analfabeto, mas posso ter uma consciência política, posso gerar um processo revolucionário, mas se sou um analfabeto político não posso gerar nada, fico inativo, é mais um número dentro do sistema. Esses são os sonhos da juventude do Equador, ao invés de sonhar com a troca de sistema, sonham ter uma casa, um carro, conseguir um par e estabelecer e continuar mantendo o mesmo sistema econômico, político, social e cultural, que está imperando. Contudo, nós, desse movimento, começamos a trabalhar, recuperando as figuras controversas da juventude, dos jovens da década de 60, 70 e 80, que nos deixaram um legado histórico, um processo revolucionário a nós, e que nós devemos tomá-lo e levá-lo a cabo. Dentro disso podemos lembrar de uns poucos, na época de 60 o fundador da Federação de Estudantes Secundaristas do Equador, Fausto Vargas. Foi assassinado em uma das ditaduras que vimos. E o jovem revolucionário Arthur Carrín que foi assassinado no governo fascista neoliberal, de León Frebez Correo. Os jovens assassinados na década de 70, como Renné Pinto, Raúl Sedeño, e muitos outros companheiros que nos deixaram essa história, essa luta. Nós trabalhamos em recuperar essa memória da juventude, e que ser jovem significa ser revolucionário, por isso que eles têm medo. A oligarquia teme quando há uma manifestação da Federação de Estudantes Secundários do Equador - FESE, quando há uma mobilização estudantil universitária, ou quando há uma mobilização estudantil trabalhadora, quando há uma mobilização estudantil camponesa, porque sabem que nós não tememos a morte. Não temos medo de perder nossas vidas, entregar nossas vidas para construir um mundo melhor. Isso que nós, juventude do Movimento Bolivariano Alfarista, vamos gerar, uma consciência política dentro dos setores que podemos trabalhar, que fundamentalmente nós temos concentrado nos colégios e universidades do Equador.


IN – Você falou dos exemplos que estão vivos na cabeça, no coração, na ação da juventude, e nós podemos ver como a juventude em todo o mundo é parte de uma resistência ao imperialismo seja na América Latina, seja na Ásia ou seja no Oriente médio, como podemos ver pela resistência da Intifada na Palestina. Como você vê essa resistência da Juventude?

FV – Bom, para começar essa resistência da juventude, acontece pelo que já disse anteriormente, porque não nos conformamos. E por gerar os jovens, como não somos conformistas com esse sistema, chegamos a um ponto no qual atacamos, e atacamos quando vemos como nos assassinam, como nos oprimem, como nos reprimem os estados burgueses. Há uma coisa dentro dessa luta mundial da juventude que reflete algo em comum, que é acabar com a submissão ao imperialismo, acabar com o jugo imperialista ianque. Dentro de todas as palavras de ordem da juventude em nível mundial sempre tem que identificar o teu inimigo principal, e nosso inimigo principal é o imperialismo ianque, que fez esse mundo de seu quintal, e podem fazer o que quiser dele, e quando nós, os jovens, vemos que querem fazer isso, nos rebelamos contra toda autoridade religiosa, estatal, governamental e vamos dizer “Não!”, “Basta!” Somos nós  que manejamos a história, que construímos nossos futuros nesse presente, e não vamos continuar permitindo que nos imponham regras absurdas de como nos comportar. Isso é o fundamental de toda a resistência. Nós no Equador temos uma consigna que diz: “Se a miséria se globaliza, globalizamos a resistência!”, essa consigna é completamente clara evidentemente, sem nenhuma articulação política em nível mundial. Nós globalizamos a resistência, liderada fundamentalmente pela juventude. No Chile, o caso dos Pinguinos, os estudantes secundaristas que tomaram aproximadamente 92% dos colégios em nível nacional. Na França, os jovens latinos que saíram a protestar contra as injustiças as quais têm sido submetidos pelo sistema francês. Na Grécia, pelos assassinatos indiscriminados dos jovens rebeldes e revolucionários. Na Palestina e no Oriente Médio por essa frota militar, assassina e genocida, essa frota militar terrorista, que oprime e que assassina, mas sim que não ataca os supostos alvos militares, ataca os hospitais, as escolas, que ataca inclusive os institutos internacionais aos quais eles defendem com capa e espada. Vimos como os israelitas bombardearam a sede das Nações Unidas na Faixa de Gaza, dois comboios de ajuda humanitária da ONU e uma ambulância da Cruz Vermelha Internacional, da Meia Lua Vermelha Palestina. É contra isso que nós lutamos, até isto que nós chegamos. Por isso que um dos nossos símbolos agora é o sapato. O querido camarada compatriota do mundo, esse iraquiano, Muntadar al-Zaidi, que teve coragem suficiente, valentia suficiente, mesmo sabendo que poderia custar a sua vida, mas a única forma de expressar sua fúria e sua indignação contra o terrorista número 1 do mundo, que foi e que é, e que continuará sendo, George W. Bush, que no seu governo para amedontrar nossa América Latina, nossa pátria grande, criou a IV Frota com o maior porta-aviões e mais perigoso do mundo, com capacidade de tecnologia e bombardeio nuclear, porque tem medo. Talvez tenha medo agora. Tem medo que a juventude possa levantar a bandeira de luta revolucionaria e liberte a América Latina e concretizemos nossa segunda e definitiva independência como fez nosso povo irmão de Cuba, como fez o povo irmão da Nicarágua, que não perdeu-se está retornando a esse processo revolucionário, e como muitos países da América Latina e do mundo, está nascendo agora. A luta em Gaza é nossa luta! A luta na Argentina é nossa luta! A luta no Iraque, no Paquistão é nossa luta. Onde há uma resistência e de onde for criado da juventude um pólo de luta revolucionária dessa juventude vamos estar nós. E se não estivermos, é porque certamente já nos assassinaram, vai haver mais. Por que os povos deixaram de estar oprimidos e estão se rebelando mundialmente. Dentro das potências capitalistas como na Europa ou como nos EUA há os levantes operários, e aqui está nascendo despidos e tempestivos por uma crise capitalista, por uma crise do sistema, no qual já não dá mais, e a única forma de sair dessa crise que atualmente vivemos, é a troca revolucionária da superestrutura e estrutura dos Estados, e eliminar as fronteiras impostas pelas burguesias locais, que não os pertencem, para defender interesses deles. Nós somos internacionais. Eu não sou equatoriano, eu sou latino americano, caribenho. Não sou equatoriano, eu sou palestino, eu sou parte do povo norte americano, do povo que vive uma exploração muito mais brutal que nós vivemos, porque nesse sonho americano que impõem há muito mais exploração, mais miséria que em muitos países. Eu sou todos esses. Eu sim participo da chamada intifada, por nossa agrupação irmã e revolucionária do Hamas, eu participo da ação política revolucionaria do Hezbolah, eu participo em todas essas lutas revolucionárias, que vivemos atualmente, e que são fundamentalmente dirigidas e lideradas pela juventude, essa juventude que diz Basta! E faz andar a roda da história, e essa juventude que com um só grito de guerra que é “Revolução” faz com que triunfemos e que acabemos com a exploração, a miséria e a fome, no qual somos submetidos por mais de 500 anos.


IN – Companheiro, para terminar, gostaria que falasse sobre o significado de Alfaro para a juventude revolucionária equatoriana e latino-americana.

FV – Alfaro é um personagem bem controverso. Em que luta e gera uma revolução neoliberal no Equador, entretanto assassinado por não querer seguir na revolução neoliberal e querer mudar o caráter da revolução liberal. Em tentar criar uma revolução, até certo ponto, socialista, nessa época. Estamos falando de final de 1800 e começo de 1900. A participação do símbolo e imagem de Alfaro é fundamental. Porque mais que chamemos velho Alfaro, foi jovem, sempre jovem, sua luta é jovem, tentaram acabar com a luta de Alfaro quando Alfaro foi sequestrado pela oligarquia nacional, pela oligarquia vende-pátria do Equador. Entretanto, um grupo de jovens tive o valor de atrever-se a sonhar e o recuperaram para o povo, para a juventude fundamentalmente. Depois que estes jovens retomam a figura de Alfaro, ele volta a ser jovem, volta a ser revolucionário, volta a ser guerrilheiro que toda a vida foi, volta a gerar um acionar revolucionário, por isso que nós dizemos que para ser Alfarista tem que ser bolivariano, para sermos bolivarianos teremos que ser marxistas nesta época. E como todas as lutas mudam, a luta de Alfaro voltou a mudar e agora a luta de Alfaro é pelo socialismo, agora a luta de Bolívar é pelo socialismo, a luta de Tupac Amaru é pelo socialismo, a luta de todos os nossos próceres pela independência e a resistência é pelo socialismo. Alfaro significa muito para nós, fundamentalmente porque foi o único que se atreveu a sonhar, primeiro em uma integração de nossa pátria, e segundo na integração de nossa pátria grande, que é nossa grande pátria Latino-americana e caribenha, dentro disso um exemplo tão claro, os exemplos claros da integração que Alfaro queria fazer, dentro de nossa pequena pátria, nosso pequeno povo do Equador, e tentou unir a serra com a costa, e dentro de nossa grande pátria mandou soldados equatorianos, deu recursos econômicos, inclusive enviou uma carta à rainha da Espanha para acabar com o jugo espanhol na ilha de Cuba, e colaborou diretamente com José Martí para a independência, a primeira independência da Ilha, desse pequeno Davi que enfrenta o enorme Golias, há umas 90 milhas de distância. Outra coisa que também simboliza Alfaro, que é um símbolo de resistência, um símbolo de luta, isso é o fundamental, a espada de Alfaro é a espada da liberdade, é a espada vai quebrar as algemas do nosso povo como já rompeu uma vez, mas agora vai quebrar as algemas definitivamente, isso é fundamentalmente Alfaro, Alfaro é tudo e é nada, é um pequeno homem e um sentido revolucionário, é uma utopia, redentora e revolucionária, uma utopia construtora, isso é Alfaro, nosso querido general de homens livres, nosso comandante guerrilheiro, por isso nossa palavra de ordem é Viva Alfaro, Carajo! Nossa palavra de ordem é voltar a recuperar, voltar a construir o sonho de Alfaro! Querer ver uma pátria livre, ver uma pátria grande Latino-americana, e fundamentalmente uma pátria sem fome, sem morte, sem exploração, sem injustiças econômicas e sociais, isso é o nosso Alfaro.


Bianka de Jesus

 

miguel molina v
miguel molina v disse:
13/01/2011 17h31

 Mis felicitaciones por los conceptos de un joven compañero con claridad en el análisis histórico, el conocimiento de los referentes politicos y simbólicos de nuestro país Ecuador.
Falta mucho por hacer construir y cambiar.
Miguel Molina.
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