O “I have a Dream” das Oligarquias dos Estados Unidos com Obama

Os olhos do mundo se voltaram para a posse do novo presidente dos EUA, o Sr. Obama. Entretanto é importante entender qual o fator pincipal que fez com que o mesmo fosse eleito, diante da conjuntura atual em que vive os EUA.

O “I have a Dream” das Oligarquias dos
Estados Unidos com Obama

 

Os olhos do mundo se voltaram para a posse do novo presidente dos EUA, o Sr. Obama, o primeiro negro a se tornar presidente neste país. Entretanto, é fundamental entender que o principal fator que fez com que o mundo se voltasse para este acontecimento não é, de modo algum, a questão da cor da pele do novo presidente estadunidense, mas, sobretudo, a situação em que se encontra o país, considerando seu atual status mundial de maior potência econômica e militar do planeta, que nas últimas sete décadas exerceu a hegemonia do mundo capitalista, nas últimas duas, com a queda da URSS, a hegemonia mundial, constituindo o que se traduziu de unilateralismo ou unipolaridade mundial. Eis então, a causa fundamental e preocupação de todos sobre os desdobramentos deste processo. Os mais destacados analistas do sistema burguês mundial a sintetizaram pela palavra: “Esperança”.


Sem dúvida, a palavra “esperança” é um fator quase vital para os EUA, mais que para qualquer país hoje no mundo e quiçá mais do que esta expressão traduza universalmente, diante da crise em que sua economia mergulhou, arrastando a economia do mundo capitalista a uma nova depressão, que para todos os especialistas configura-se como uma crise mais grave que a grande depressão dos anos 30 do século passado. Nestes termos, a expressão esperança significa mais que uma simples expectativa, mas, sobretudo fé, tanto para os pobres dos EUA que crescem aos milhões de desempregados que se amontoam nas filas do seguro-desemprego, nas casas de caridade religiosas e nos locais dos programas de assistência social do governo, nos milhões que perderam as moradias e buscam desesperadamente, em albergues, traillers, pontes, um local para fugir dos infortúnios do clima, quanto para as vítimas do alcoolismo e das drogas, da violência dos assaltos e crimes bárbaros que se avolumam em variáveis estratégias de sobrevivência e desespero.


Mas há uma fé necessariamente ainda maior em Mr. Obama, a fé das camadas médias, dos milhões de pequenos rentistas que viram suas economias evaporarem com o crash das bolsas de valores e dos golpes financeiros, como foi o caso do golpe perpetrado pelo ex-presidente da Nasdaq, Bernard Madoff, que num esquema pirâmide defraudou mais de 50 bilhões de dólares dos investidores em todo o mundo, configurando um quadro de total descrédito das instituições financeiras do sistema e dos seus executivos. A crise moral do sistema é tão grave que o bombardeio de propaganda induzindo aos milhões de consumidores a comprar e manter seus investimentos nas bolsas torna-se, a olhos vistos, uma inegável declaração de desespero das oligarquias. Recentemente um grande investidor simulou a própria morte para fugir dos seus clientes face às perdas que causou com suas apostas nas bolsas. Dois dos membros do recente secretariado escolhido por Obama tiveram seus nomes questionados devido à corrupção, um deles o que seria secretário de Comércio, Bill Richardson (declinou a indicação de seu nome), o único representante de origem latino-americana (como lamentam os repórteres da CNN) e ex-secretário do Banco Central de Nova Iorque, burlou o fisco em cerca de 30 milhões de dólares em impostos não pagos.

Contudo, não param por aí os níveis de fé sobre o termo “esperança”, que plasma o mandato do novo presidente estadunidense. Aqui soma-se a das oligarquias, que veem o seu papel hegemônico no sistema capitalista mundial desvalorizar-se com o declínio da economia e da política dos EUA. E neste ponto, se condensa em última análise toda a explicação do fenômeno Obama, escarnecendo toda a escatologia do marketing em torno de sua figura, relacionado-a ao “I HAVE A DREAM” de Martin Luther King”. O novo quadro de secretários de Estado imposto a Obama, nas pastas estratégicas já diz tudo: por um lado, o militar continua o mesmo General da era Bush, Robert Gates; no Banco Central o velho conhecido do terceiro mundo, Paul Volker (aquele que de uma só vez elevou as taxas de juros  multiplicando as dívidas externas dos países pobres e tornando-as impagáveis e escravizando a todos na década de 80 do século passado). Que pese o fato das oligarquias financeiras já terem eleito um novo paradigma de política econômica, com a nomeação de Paul Krugman e seus estudos da “Bolha Especulativa”, ao Nobel. Isto em nada muda a tendência que se apresenta de aprofundamento da crise e muito menos a lógica da política financeira do sistema como indica a presença de Paul Volker no Banco Central Americano. O mesmo se dá em relação à essência da política exterior, pois mais que obedecer a uma doutrina diplomática de multilateralidade, ela continuará a obedecer aos objetivos de lucro do complexo industrial militar, diante da crise de acumulação de capital que vive este setor em função do novo quadro de fim da bipolaridade mundial e guerra-fria e corrida armamentista, traduzido no confronto capitalismo versus comunismo.


Assim, chega-se em parte à essência que explica o fenômeno Obama nos EUA e que guarda aparente semelhança com a chegada de Luis Inácio da Silva, Lula, à presidência do Brasil. No desespero, as oligarquias buscam uma figura que impacte a sociedade, insufle expectativa de mudanças, eleve ao máximo a esperança das massas e injete a fé que tudo pode mudar. Esta tática das oligarquias visa tão somente ganhar tempo, eliminar as reais mudanças que estão por trás da aparência das coisas e que enquanto não acontecerem de fato, o reinado das oligarquias continuará, levando o horror econômico ao mundo, o desespero do holocausto aos pobres e miseráveis em todas as partes do planeta e a morte ambiental do mesmo. O discurso de posse de Obama mostrou claramente isto, seu ponto forte foi afirmar o sistema americano, quer dizer, o modo de vida capitalista como superior ao comunismo, dando “seu exemplo de negro, e ex-proletário que chega à presidência do país” e promete que os EUA continuarão a ser “a maior potência mundial”.


Os pobres e trabalhadores de todo o mundo, em especial de nossa América, devem unicamente acreditar em sua capacidade e força para se constituírem em um mundo livre do capitalismo e dos Obamas, pois se George Bush foi a face odiosa do sistema, com sua arrogância, preconceitos e bestialidade, conduzindo o mundo a crises, guerras e torturas abomináveis, Obama é a face dissimulada, fria, calculista, que recobre seu papel de administrar a máquina de exploração e opressão mundial com o mando do “I have a Dream”, a ganhar tempo para o sistema se recompor da crise e, estrategicamente, esgotar o potencial revolucionário que se acumula ao longo de séculos de opressão e exploração dos negros, latinos, asiáticos e membros da população branca conscientes nos EUA; para, por antecipação, evitar que a crise do capital imploda o esteio do sistema capitalista e imperialista mundial, abrindo as condições para que os povos de todo o planeta avancem para um novo modo de produção e vida superior ao capitalismo. Que nenhum pobre do mundo, em especial latino-americano ou africano, se iluda com esta demonstração “democrática” dos EUA, ela é burlesca e tão cedo a crise desmoralizará a Fé dos americanos em Obama, tão cedo se dará a virada na opinião pública mundial protagonizada pelas oligarquias.


Nestes termos, se Bush condensou todo o ódio mundial durante seus dois governos, Obama tem o papel de condensar todo o sentimento de compaixão do mundo, mas no fundo o objetivo são os mesmo: por um lado, orgia do capital para as oligarquias dos EUA e suas franquias em todos os países do planeta; e, por outro, opressão e exploração para os povos oprimidos e explorados. Que pese as boas intenções e a sinceridade de Obama; que pese sua condição de negro na presidência de uma sociedade da Ku Klux Klan; que pese seu novo paradigma econômico no maniloviano Krugman; para além das boas intenções e sinceridade o que está em jogo é conteúdo das mesmas, e estas nada têm de bom para a humanidade. A nossa real esperança é que diante da crise que tende a se agravar ainda mais e deste período em que o mundo questiona os paradigmas do modo de produção e de vida capitalista, os revolucionários consequentes e homens e mulheres de bem possam se unir e conduzir a energia revolucionária das massas para uma saída que passe longe dos precipícios e horrores fascistas se estruturar em todas as partes como última alternativa imperialista, na contradição dentro do sistema aos fracassos do governo Obama. É momento da unidade de todas as forças revolucionárias no planeta contra o fascismo e em defesa do socialismo. Que ninguém esqueça que foi sobre o governo do democrata John Kennedy que as forças da reação dos EUA tentaram aplastar a recém nascida Revolução Cubana, através da invasão da Baía dos Porcos. E esta lembrança é tanto mais importante quanto avança a revolução bolivariana, na Venezuela, e os demais processos progressistas na Bolívia, Equador e Nicarágua. Quanto ao Brasil, a questão não é a condição progressista do governo Lula, mas as fontes de matérias-primas que se tornam cada vez mais vitais e estratégicas para os EUA diante da crise.


Abaixo a farsa do “I have a Dream” Americano com Obama!


Abaixo a ardilosa estratégia da saída fascista!


Pela unidade revolucionária contra o fascismo e pelo socialismo!

 

Rio de Janeiro, 23 de Janeiro de 2009
P. I. Bvilla
OC do PCML(br)