Ribeirão Preto homenageia luta contra a ditadura

No dia 5 de Setembro, a cidade de Ribeirão homenageou duas vezes os brasileiros, especialmente os revolucionários que tombaram pela ação fascista da ditadura militar.

Ribeirão Preto homenageia
luta contra a ditadura


No dia 5 de Setembro, a cidade de Ribeirão homenageou duas vezes os brasileiros, especialmente os revolucionários que tombaram pela ação fascista da ditadura militar.

O ministro Paulo Vanucci esteve presente na inauguração da exposição Direito à Memória e à Verdade: a Ditadura no Brasil 1964-1985, que está sendo exibida no Shopping Novo. Ela reúne mais de uma centena de fotos marcantes, que contam a história do período, além de uma cronologia e textos explicativos e que trazem os nomes dos heróis sacrificados.

Segundo Vanucci, o direito à rebelião contra a tirania está previsto na declaração dos direitos dos homens, que completa 60 anos. Em seu discurso, afirmou que hoje a tortura ainda é rotineira no Brasil, citando por exemplo o caso dos jovens de Guarulhos que tiveram que confessar um homicídio sob tortura, caso que ficou escancarado quando outro homem assumiu a autoria do mesmo. A tortura de hoje é uma herança da tortura nas ditaduras anteriores (Vargas e militar), que por sua vez são uma herança do período da escravidão, onde eram públicos e legais os castigos físicos contra os trabalhadores negros.

A mesma exposição é permanentemente exibida no prédio do antigo DOPS em São Paulo, próximo a estação da Luz, do metrô. O prédio do DOPS passou recentemente por uma reforma promovida pelo governo estadual, que alterou completamente as características ambiente, impedindo que os jovens conheçam as condições degradantes as quais eram submetidos os lutadores do povo. Após essa intervenção as celas se parecem mais com quartos de hotéis do que com as masmorras onde homens e mulheres eram brutalmente torturados e assassinados. Foi a oportunidade para apagarem as palavras de ordens que os presos haviam gravados nas paredes das celas.

Por iniciativa do vereador Leopoldo Paulino, no mesmo dia, a Câmara Municipal da cidade  também prestou uma homenagem aos homens e mulheres que se rebelaram neste difícil período de nossa luta. Foram batizadas três salas com o nome de brasileiros que simbolizaram  a luta contra o regime dos generais a serviço de Washington.

A sala de inclusão digital homenageia Joaquim Camara Ferreira, o Toledo, da ALN, um guerrilheiro que entregou sua vida à libertação do povo brasileiro, tendo tombado em 1970. A sala de reuniões agora se chama Barbosa Lima Sobrinho, em homenagem a este jornalista, que lutou contra a ditadura. A outra homenagem foi ao deputado Rubens Paiva, desaparecido pela ditadura em 1971.

A histeria dos militares e torturadores que no Brasil não foram punidos é o medo de que a luta contra os crimes da ditadura transcenda a mobilização dos sobreviventes do período e ganhe a massa de jovens que começa só agora a conhecer esta história. Essa é a esperança que temos para que o Brasil possa finalmente, a exemplo do que vêm ocorrendo na Argentina, punir os fascistas responsáveis por tanta dor e atraso para nosso povo.


Sucursal/SP