Energia do “futuro” com relações escravocratas

A “livre concorrência”, ou melhor dito, a violenta disputa pelo controle, ou monopolização sobre as reservas de petróleo ainda existentes está levando uma a uma das nações há uma guerra aberta, seja uma guerra intestinal (civil ou golpe militar) ou entre nações, para a defesa ou ataque de “seu” monopólio. É só observar o mapa das guerras abertas entre as nações (EUA x Oriente Médio ou EUA x região dos Bálcãs) e internas (EUA x América Latina ou EUA e Europa x África) para identificarmos os países agraciados por Deus com reservas de petróleo e gás, entre outras fontes, ou no caminho do seu transporte às matrizes imperialistas.

Energia do “futuro” com relações  escravocratas


A “livre concorrência”, ou melhor dito, a violenta disputa pelo controle, ou monopolização sobre as reservas de petróleo ainda existentes está levando uma a uma das nações há uma guerra aberta, seja uma guerra intestinal (civil ou golpe militar) ou entre nações, para a defesa ou ataque de “seu” monopólio. É só observar o mapa das guerras abertas entre as nações (EUA x Oriente Médio ou EUA x região dos Bálcãs) e internas (EUA x América Latina ou EUA e Europa x África) para identificarmos os países agraciados por Deus com reservas de petróleo e gás, entre outras fontes, ou no caminho do seu  transporte às matrizes imperialistas.

A recente divulgação da existência de uma mega-reserva de petróleo no campo de Tupi e na camada de pré-sal, ambos na Bacia de Santos, em São Paulo, colocou o litoral paulista na zona de disputa internacional pelo precioso e raríssimo ouro negro. A Exxon Mobil (“nossa” Esso), British Petroleum (BP), Chevron (“nossa” Texaco), Royal Dutch Shell (“nossa” Shell) – as gigantes transnacionais do petróleo e mães de todas as guerras atuais – se lançaram a uma guerra diplomata-jurídica para preservar seus interesses, isto é, (des)regulamentar o setor. Seus advogados de defesa estão na direção da ANP (Agência Nacional do Petróleo) e IBP (Instituto Brasileiro de Petróleo). Também se valem da compra de intelectuais, grande impressa e parlamentares mercenários para a luta institucional na defesa dos seus interesses monopolistas globais.

O país sede do cartel, os EUA, por meio de seu presidente George Bush, não só reativou a famigerada 4ª Frota como a colocou em movimento para realizar manobras nas chamadas “águas internacionais” do litoral paulista. Mas São Paulo não só tem petróleo como matéria-prima para suprir a demanda global por energia. O Brasil é o principal produtor de cana-de-açúcar do planeta e São Paulo é responsável sozinho por mais da metade da produção. A cana é a matéria-prima do álcool combustível, a fonte de energia salvadora do planeta para o presidente Lula e usineiros privados paulistas. Como o controle deste setor já está nas mãos de grupos privados, no caso nacional, a disputa e as atuais armas utilizadas para o controle transnacional, ou melhor, a monopolização estadunidense das usinas, terras e mão-de-obra, são de outro calibre.

 Os gigantescos grupos ianques e de outras potências imperialistas, tais como a Archer Daniels Midland (a maior produtora de etanol dos EUA), Cargill, Caufield & Byers, Clean Energy Bio-Energy, Globex, Infinity Bio-Energy e Pacific Ethanol,  Kleiner, Perkins, fazem com que os seus governos intervenham na economia. Os intelectuais, parlamentares, imprensa (neo)liberais e governantes das potências saem em defesa de seus produtores e operários locais como retórica para justificar o desvio de bilionários subsídios públicos (social) à sua produção de etanol e impor altíssimas taxas de importação ao álcool das colônias, principalmente do Brasil. Os nossos intelectuais, parlamentares, imprensa e governantes falam que o Brasil deve avançar na livre concorrência e abertura de mercado, abaixando barreiras econômicas e jurídicas e privatizando toda a economia para viabilizar a desova da “nossa” produção nos mercados das grandes potências.

Com as medidas protecionistas das matrizes, os estoques do combustível no Brasil se avolumam, seja nos reservatórios públicos como privados. Com a manobra, as “nossas” empresas têm que desovar sua produção apenas no mercado nacional, gerando superproduções. Mas o sistema de distribuição nacional de combustíveis está controlado pelo cartel das “7 Irmãs” (atualmente 4: ExxonMobil, BP, Chevron, Shell), que possui seus tentáculos até em nossa Petrobras. São elas que estipulam a quantidade e o preço de venda e compra dos combustíveis, inclusive do álcool. Pela tal “lei de oferta e procura”, a abundância de álcool deveria derrubar seus preços locais. Na realidade, o cartel derruba o preço para a sua compra, no atacado, enquanto que pagamos o “olho da cara” nos postos de gasolina, no varejo. A “mão invisível” do cartel vai quebrando as pequenas e médias empresas e os gigantes multinacionais e nacionais vão fazendo o arrastão sobre as usinas de São Paulo, Bahia, Pernambuco etc. Compram uma a uma as produtoras da energia do “futuro” a preço de banana.

Para aumentarem seus gigantescos super lucros, as transnacionais e os gigantes nacional da energia do futuro utilizam em grande escala a mão-de-obra escrava. O salário que o operário tem por direito ao cortar uma tonelada de cana nos canaviais paulistas é de aproximadamente R$ 2,89. Mas a medida do produto do trabalho é controlada pelo patrão, o que faz com que o peso pago da tonelada seja reduzido em cerca de um terço do real. Para pagar suas dívidas com o que os patrões chamam de alimentação e moradia das usinas, os cortadores são obrigados a extrair várias toneladas de cana por dia. Raramente um trabalhador em boas condições de trabalho diante das condições subumanas às quais são submetidos consegue produzir mais de 10 toneladas pesadas ao dia. Quando consegue realizar tal proeza, a sua vida útil cai para menos de 15 anos, que é a estimativa de vida nos canaviais paulistas. Começam a trabalhar com 13 ou 15 anos, mas não passam dos 30 de idade sem uma grave seqüela que os fazem sair da produção.

Essa é a nossa guerra. Mas o presidente Lula trata estes senhores escravocratas, tanto nacionais como estrangeiros, como “heróis”, contemporizando que a produção de energia do futuro justifica as relações escravocrata no país. Por outro lado, o presidente Lula não se cansa de ir aos fóruns internacionais vender o “nosso” álcool, pedindo que as grandes potências façam o que falam, derrubando os seus muros econômicos para supostamente criar empregos locais. Lá fora, Lula finge que é nacionalista, enquanto que os representantes das grandes potências fingem que estão escutando os interesses da colônia. Aqui, a escravidão assalariada avança debaixo de suas barbas, assim como os tentáculos do cartel do petróleo e do etanol às instituições que comanda.


José Tafarel