A crise na produção de leite

O mercado da indústria de laticínios no Brasil corresponde a R$ 9,7 bilhões, o que mostra que o setor responde por 10% da renda total da atividade rural no país. As fraudes na produção de leite em Minas e em outros estados brasileiros mostram a falta de um controle de qualidade dos agentes públicos em relação à propriedade privada no Brasil, que usa da corrupção para descumprir as leis e corromper a fiscalização dos órgãos públicos.

A crise na produção de leite


O mercado da indústria de laticínios no Brasil corresponde a R$ 9,7 bilhões, o que mostra que o setor responde por 10% da renda total da atividade rural no país. Em 1975 a produção leiteira era de 8 bilhões de litros ao ano e passou a 22 bilhões no final da década de 90, sendo que as vacas brasileiras naquele mesmo período por unidade produziam 700 litros por ano e dobraram a sua produtividade média com um aumento anual de 2,6% e em algumas bacias leiteiras houve um aumento na produção de até cinco vezes no período de 30 anos. A atual crise no setor leiteiro no Brasil com aumento dos preços para o consumidor final se deve a concentração no número de produtores de 116 mil em 2001 para 94 mil em 2003, em contrapartida a produtividade desta atividade econômica aumentou de 149 litros por produtor em 2001 para 171 litros em 2003. As cinco maiores empresas que controlam cerca de 50% do setor leiteiro no Brasil são: Nestlé, Parmalat, Itambé, Elegê e CCL.

As fraudes na produção de leite em Minas e em outros estados brasileiros mostram a falta de um controle de qualidade dos agentes públicos em relação à propriedade privada no Brasil, que usa da corrupção para descumprir as leis e corromper a fiscalização dos órgãos públicos. A adulteração do leite pode ser mais uma disputa entre os agentes econômicos envolvidos na atividade, pois as estatísticas mostram a concentração de capital em vários ramos da economia brasileira e no setor agrícola não pode ser diferente. As grandes empresas multinacionais são as maiores interessadas neste novo escândalo para o consumidor brasileiro e na verdade com a produção de laticínios do Brasil, abarcando 2/3 do total no Mercosul. A falência de pequenos produtores é interessante para as grandes cooperativas agrícolas que poderão criar oligopólios para desrespeitar a tão propalada lei da oferta e da procura, aumentando e diminuindo os preços de acordo com as suas necessidades, através de vários processos, como “dumping” e formação de cartel.

O negócio do leite é difícil por excelência por causa dos custos que os produtores do setor tem com a atividade. A maioria dos insumos e tecnologias usadas na produção leiteira tem como fornecedores grandes grupos multinacionais e por isso os pequenos agricultores ficam reféns de empresas como a Cargill, Monsanto, Nestlé e outras gigantes do setor agrícola que usam o mercado para ditarem as regras do agronegócio e além disso os pequenos produtores ficam nas mãos das grandes cooperativas do setor que se deixarem de comprar o seu leite eles irão à falência e serão engolidos pela concorrência da livre iniciativa aumentando a concentração do capital, que é a mola mestra do sistema capitalista.



JCFL