Entrevista com atletas cubanos no PAN 2007

O Inverta entrevistou no Pan-americano 2007 atletas cubanos. Os experientes e galardoados atletas deram declarações sobre o esporte e a maneira como ele é desenvolvido na revolução como prioridade para a saúde e não para a estética.

Entrevista com atletas cubanos no PAN 2007


O Inverta entrevistou no Pan-americano 2007 os atletas cubanos Miglelina Cóbian, que foi corredora dos 100m, 200m e dos 4x 100m, competiu aqui no Brasil em 1963 no Pan-americano de São Paulo; Eric Lopes da Ginástica Artística, graduado em Educação Física; Ana Fidelia Quirot bicampeã nos 400m e 800m no atletismo; Regla Torres que atuou no voleibol; e Tomaz Herrera, que durante 18 anos se dedicou ao basquete da seleção cubana. Os experientes e galardoados atletas deram declarações sobre o esporte e a maneira como ele é desenvolvido na revolução como prioridade para a saúde e não para a estética.


IN – Gostaria que vocês se apresentassem.


MC - Fui corredora dos 100m, 200m e dos 4x 100m e competi aqui no Brasil em 1963 no Pan-americano de São Paulo. Estou aqui no Rio de Janeiro como glória esportiva de Cuba. No México, em 1968, ganhei a medalha de prata no revezamento 4x 100m e fui finalista nos 100m, participei ainda nos jogos de 1962, na Jamaica; 1966, em Porto Rico e em 1970, no Panamá. Eu nunca competi aqui no Rio com o calor forte e avançamos muito no esporte com combatividade e bons resultados.

AFQ - Sou Ana Fidelia Quirot e o meu esporte é o atletismo e estou junto aos companheiros apoiados pelo governo cubano para apoiar a nossa delegação nos Jogos Pan-americanos. Muitos atletas são campeões Pan-americanos e sou bicampeã nos 400m e 800m.

RT - Eu sou Regla Torrez da equipe de voleibol.

TH - Eu sou Tomaz Herrera e por 18 anos fui jogador da seleção de basquetebol de Cuba. Participei de três jogos olímpicos, quatro campeonatos centro-americanos, dois pan-americanos, três campeonatos mundiais e fui campeão olímpico com medalha de ouro, em 1972, que foi um dos grandes feitos que alcançamos dentro da América Latina. E estamos aqui no Rio de Janeiro nos Jogos Pan-americanos como convidados de nosso comandante-em-chefe como glória do esporte, na qual o motivo principal é participar da atividade para estimular o rendimento dos atletas cubanos junto com Teófilo (Boxe) e outros que são medalhistas de ouro nos Jogos Olímpicos como a Girón, que é uma lenda do atletismo mundial e que foi um destaque dos Pan-americanos de Indianápolis; Eric Lopez, que é o cubano que mais medalhas ganhou nos Jogos Pan-americanos; Miglelina Cobian, entre outros. Ana Fidelia Quirot

 





Ana Fidelia Quiroa

IN - Qual a importância da revolução cubana na vida dos esportistas?


MC – Em Cuba o esporte é um direito do povo, assim surgem os campeões do nosso país que se iniciam nos círculos infantis e depois nas escolas e etapas especiais, vão se desenvolvendo nossos atletas. O esporte é de grande importância para a revolução, para promover a saúde entre o povo. É uma maneira de desenvolver a saúde para todos, mas principalmente para a terceira idade.

EL - É algo muito importante que não começou comigo, mas a formação esportiva que temos. Sem esse exemplo da nossa revolução, penso que em outro sistema seria muito difícil, nosso governo segue apoiando o esporte de várias modalidades. O povo cubano admira muito isso em nossos atletas, de participarem destes tipos de eventos para lutar por ganhar competições pela nossa pátria.

AFG - A revolução é importante não somente na minha vida, mas na de todos os cubanos que amam o seu país, porque graças à revolução nós podemos mostrar aqui que estamos representando nosso país e que por isso existe uma educação que faz com que Cuba seja livre do analfabetismo. Graças à revolução, existe uma medicina gratuita e graças à revolução, Cuba ocupa hoje uma posição de glória como potência mundial em muitos esportes, essa é a importância que nós conseguimos desde 1959 com o nosso querido comandante-em-chefe, que é invencível. Levantamos a bandeira da revolução existente em Cuba, da solidariedade que é um legado que nós tivemos.

RT - É muito importante, se não fosse isso não estaríamos neste estágio, devemos isso ao nosso comandante, que nos mandou aqui para apoiar a todos os atletas do nosso país. O esporte em Cuba, graças à revolução, torna as pessoas iguais, que em um corpo sadio se tem também uma mente sã. Desde as crianças pequenas até os mais velhos praticam esporte em Cuba, é um país de grandes esportistas, com todas as nossas dificuldades econômicas existem muitas coisas boas que conseguimos. Antes de tudo somos embaixadores de Cuba em qualquer país do mundo, nosso país dá muita importância à educação e aos esportistas, a tudo o que é necessário para sermos saudáveis e representarmos Cuba dignamente. Nosso povo e nosso comandante têm muito respeito ao país. Quando vamos defender nossa pátria, mesmo com tantos problemas do nosso povo, lutamos para fazer o melhor nas competições que disputamos.

TH - A revolução tem uma importância transcendental, porque deu todas as condições para eu poder me realizar completamente, não somente como esportista, mas também como homem, pois abriu oportunidade para poder trabalhar no esporte cubano como embaixador da revolução esportiva. Nos estimula, é um apoio extraordinário de nosso povo, que nos apóiam não somente no momento da atividade em si. Nós da delegação cubana neste Pan-americano sabemos disso, e uma diferença clara é que o nosso comitê olímpico também estimula o espírito nos jovens atletas de seguir a linha de disciplina para alcançar as vitórias.

 

Miguelina Cobián

Miguelina Cobián

IN - A visão geral sobre os esportes é que o esforço físico é destinado ao corpo e não para a mente. O que vocês pensam sobre isto?


MC - Uma das grandes preocupações do país é que o esporte diminua os vícios, o nosso esporte é amador e não profissional, temos acompanhamento médico para que a atividade física seja uma glória esportiva e uma forma de melhorar a saúde, que é responsabilidade do estado, que representemos Cuba como país e desenvolvendo a saúde e as glórias de culto a uma vida saudável para o povo.

EL - Na verdade o esporte vincula o físico e a mente, quem não está preparado nos dois sentidos não tem esta atividade na vida cotidiana e coletiva. Nós, depois da vida esportiva, podemos continuar nossa vida social, profissional, que será melhor, e do contrário, não teríamos espaço na sociedade. Estamos bem preparados pela revolução, como disse a princípio, todo mundo pensa deste jeito, mas nem em todos os lugares há a mesma reação, há muitos camaradas que vêm a Cuba por esporte e não somente para ganhar medalhas.

TH - De um modo geral nós pensamos que o esporte tem um elemento integrador e importante para a formação completa do jovem, a atividade esportiva ajuda a ter um objetivo de tornar a pessoa socialmente útil, que se desenvolva tanto físico como mentalmente, não devemos ver somente como uma forma de desenvolver os músculos, mas também que desenvolva a inteligência para conseguir um aperfeiçoamento e conseguir ensinar o esporte com a consagração da constância, principalmente da vontade, do empenho que os atletas podem conseguir nos treinamentos e que participam de uma atividade recreativa. Um argumento da importância no mundo em dar atenção ao esporte que, por exemplo, na favela tenha atividade esportiva, que tenha espaço para os jovens e para as pessoas que vivem neste lugar, que não têm a possibilidade econômica de ter uma atividade esportiva, tenham essa oportunidade. Em Cuba o esporte é um direito de todo o povo e é gratuito desde a escola para que tenham uma projeção de que em todos os setores se insira um planejamento esportivo.

Erick López

Erick López
IN - Mais uma vez Cuba tem deixado sua grande contribuição no esporte. Fale um pouco sobre isso.


EL - Estou muito contente, assim como os outros atletas do meu país com a conquista das medalhas e triunfando mais uma vez com os atuais participantes e os que já competiram, que vêm fazendo um trabalho de muitos anos, isso irá continuar na disputa de medalhas para Cuba, é um exemplo para o mundo.

AFQ - Eu creio que nós traçamos uma meta, chegamos aqui ao Rio para manter a segunda posição na competição por países, sabíamos que não seria fácil, pois a cada ano os jogos se tornam mais difíceis com as rivalidades entre os atletas distribuídos entre os diferentes países. E não é como antes, que os EUA ganhavam quase todas as medalhas e agora a luta é maior com o Brasil, o México e os EUA como uma potência, como sempre. Em 1991 Cuba ficou em primeiro lugar com 140 medalhas de ouro superior aos EUA. Cuba e nós, atletas cubanos, manteremos a segunda posição durante muitos anos e temos alcançado o desenvolvimento na competição e nossa delegação tem sido magnífica, tem conseguido resultados que não eram esperados e mostrou que nossos atletas têm uma força de vontade e um diferencial que trazemos para o Rio.

RT - A final entre Brasil e Cuba parecia uma final de uma olimpíada, nós sabemos que são duas equipes tradicionalmente boas em qualquer tipo de competição, seja no Pan, Olimpíada ou Mundial, sempre é um jogo igual e neste momento é um clássico do vôlei feminino.

TH - Os jogos foram muito bem no sentido geral, dando todas as condições para os atletas ficarem. Sabemos do esforço que está sendo esta competição para o país, que assumiu uma responsabilidade como esta. Nossa delegação estava imbuída no compromisso de manter o segundo lugar, pensamos ser possível. Os países que foram sede do evento têm como resultado do apoio da torcida um aumento de seus atletas na performance geral dos jogos como acontece agora no Brasil.

 

Tomás Herrera

Tomás Herrera
IN - Nós sabemos que em Cuba é desenvolvido um projeto intelectual, cultural e de saúde em que os esportes estão em lugar de destaque. Fale um pouco sobre como é coordenado este modelo desde a infância.


EL - O esporte em nosso país tem início na escola, todas as crianças têm direito à prática esportiva, seja sua escolha o futebol, basquete ou ginástica. Podem ser escolhidos pelos professores de acordo com as características que tenham para aquele esporte, mas, principalmente, que tenham uma formação de educação física e que depois são selecionados para categorias especiais de acordo com os seus rendimentos para a sua educação curricular. Depois podem ser iniciados em outros centros. Vão se desenvolvendo até chegar à equipe nacional, que vai sendo selecionada por etapas, a maioria dos atletas mais de 90%, passam por essa seleção até chegar a representar o nosso país.

AFG - É um projeto que existe em nosso sistema de educação e de esporte desde a escola até a universidade. Existe um curso de licenciatura em Educação Física especial para os atletas que são integrantes da equipe nacional que, no ensino, têm um curso de maior tempo, de cinco ou seis anos, a carreira comum dura cinco anos. Existe um convênio de um, três ou quatro anos, no qual, muitos atletas têm que se superar, por isso a ênfase na superação dos esportistas.

IN - Em muitos outros países os esportistas ganham milhões como é o caso dos EUA e em Cuba o amadorismo, por exemplo, faz parte da formação profissional de vocês.
EL - Um esportista cubano vive uma vida profissional comum e preferimos o abraço de onze milhões de compatriotas do que qualquer dinheiro em um país capitalista.


IN - Qual a formação acadêmica e profissional de vocês, além do esporte?


EL - Eu sou graduado como professor de Educação Física, em 1992 e fiz a licenciatura em Cultura Física e Esporte, daqui a um ano termino o mestrado no Comitê Olímpico. Fui selecionado por essa entidade, que faz parte da minha formação, porque meu país tem essa necessidade. Devemos continuar superando as dificuldades na vida profissional com o mesmo desejo e entrega como atleta.

AFG - Eu sou licenciada em Cultura Física, em Cuba não se concebe um bom esportista que não seja um bom estudante. Depois de competir temos que estudar e seguir uma carreira. É importante que os atletas sejam preparados para que amanhã tenham uma profissão.

RT - Agora estou estudando para fazer comentários esportivos e sou professora de voleibol?

IN - Gostaria que você deixasse uma mensagem para os leitores de Inverta, da Prensa Latina e do Granma em português.


MC - Devemos sempre seguir adiante no esporte para uma vida melhor para todos os povos. Muito obrigado.

EL - Eu desejo aos leitores o melhor na sua vida pessoal e profissional e que sigam admirando o povo de Cuba e os esportistas cubanos e que eles sempre sairão das competições dando o melhor de si para conseguir um melhor espetáculo, mesmo que não ganhem uma medalha. E em cada evento que Cuba participe se sintam bem e desfrutem dos jogos, para isso é que serve o esporte. Muito obrigado.

AFG - Para todos os leitores de Inverta e do Granma internacional e a todos os amantes da revolução cubana que sigam o exemplo de Cuba de que um mundo melhor é possível.

RT - Gostaria de dizer que eu adoro o Brasil e não pensem que não gostamos de vocês por causa de algumas pessoas. Mas queria dizer que pensem nas crianças, que são o futuro de qualquer país,  esta é a principal coisa, que seja um país de esportistas e que tenham disciplina como em qualquer atividade. Seria importante trabalhar com as crianças, diminuiria a pobreza em vários sentidos. A principal preocupação deve ser as crianças.

TH - Esta é uma festa muito bonita em que podemos trabalhar e fazer suas perguntas e indagações, além dos comentários para que se cheguem à verdade, isso é muito importante em todos os meios para que possa mostrar os objetivos com temas interessantes que não aparecem em outros veículos de comunicação. Acho que o espaço que vocês estão dedicando à luta dos cinco prisioneiros cubanos que estão nos EUA por uma causa justa, que entrevistem personalidades do mundo sobre determinadas questões dando espaço para a juventude e assim vão incorporando mais leitores, é um tipo de jornalismo que se quer. Muito Obrigado.

Elton John
Larissa Sabino