O Pan 2007 e a falsa rivalidade entre Cuba e Brasil

A disputa esportiva é sempre salutar em qualquer modalidade e é o coroamento de um trabalho árduo dos atletas para conseguir chegar ao máximo das suas performances e subir ao pódio entre os três primeiros colocados. No último Pan-americano 2007 disputado no Rio de Janeiro foi criada uma rivalidade artificial entre as duas grandes potências no esporte da América Latina, Brasil e Cuba.

O Pan 2007 e a falsa rivalidade entre Cuba e Brasil


A disputa esportiva é sempre salutar em qualquer modalidade e é o coroamento de um trabalho árduo dos atletas para conseguir chegar ao máximo das suas performances e subir ao pódio entre os três primeiros colocados. No último Pan-americano 2007 disputado no Rio de Janeiro foi criada uma rivalidade artificial entre as duas grandes potências no esporte da América Latina, Brasil e Cuba, para dividir os dois países, principalmente a opinião pública, e evitar uma possível unidade política e ideológica entre as nações-irmãs para a criação de um bloco comum entre os membros da Comunidade dos Países da América do Sul.

A mídia e imprensa burguesas estabelecidas no Brasil, mais uma vez, cumpriram com louvor o seu papel de órgão central da contra-revolução mundial, e tiveram um papel claro neste divisionismo, na disputa pelas medalhas, mas no final prevaleceu o trabalho coletivo do povo cubano que ficou com 59 medalhas de ouro contra 54 do Brasil. Se compararmos as diferenças entre o tamanho geográfico, o número de habitantes e o desenvolvimento social e econômico de Cuba e Brasil talvez possamos entender o porque da colocação dos dois países no ranking esportivo do continente americano.

A massificação da prática esportiva em Cuba é um fato incomensurável como uma forma de levar saúde, disciplina e lazer para o povo do país e mostrar um objetivo do governo socialista de que o esporte é uma política de estado no dia a dia da população cubana.

No Brasil com uma população dez vezes maior do que a de Cuba, por sermos um país com grandes contradições sociais, a prática esportiva é um privilégio de pequena parte da população e, mesmo assim, o pouco incentivo ao esporte desestimula a que todas as modalidades recebam patrocínio e sejam difundidas entre a população. Somente há pouco tempo o Estado brasileiro se preocupou em incentivar os que investem no esporte e isso já deu seus resultados em alguns tipos de modalidades, como o Voleibol e a natação e em alguns tipos de luta, como o Judô, mas a maior parte dos esportistas brasileiros não tem nenhum tipo de patrocínio e por isso lidam com uma série de dificuldades para continuarem a praticar o esporte, e, para terem um desempenho de nível internacional, precisam se desdobrar cada vez mais e não tem espaço no mercado esportivo. Os que são oriundos da classe operária têm que ultrapassar uma barreira quase que intransponível nesta atividade e parte deles já são eliminados na falta de estrutura básica para sua própria sobrevivência como: falta de Saúde Pública, desde o pré-natal, cuidados na primeira infância, alimentação, falta de tratamento dentário, moradia; e a falta popularização da prática esportiva, sendo que somente o futebol é massificado entre a população de um modo em geral e da classe operária em particular. Isso para realizar uma comparação grosso modo entre os dois países que possuem uma identidade comum em vários aspectos, como a miscigenação populacional e a Cultura de um modo geral.
 
A imprensa burguesa, em suas provocações, mostrou sempre o lado pejorativo da delegação cubana, principalmente o que eles chamam de “deserções” em que os dois boxeadores de Cuba eram aliciados por empresas de marketing esportivo da Alemanha para ganharem milhões de dólares em lutas internacionais, mas depois foi explicado o que aconteceu e que eles não desistiram da cidadania cubana, mas sim tiveram um deslize de conduta e voltarão para Cuba. Outra forma de prejudicar a imagem de Cuba foi a despedida da delegação cubana que não esperou o fim das festividades e os dirigentes do Comitê Olímpico de Cuba afirmaram ser um problema de exigência da companhia aérea cubana e não um desrespeito às delegações dos outros países e a ODEPA, que organiza os Jogos Pan-americanos.

Em uma série de matérias a imprensa brasileira fez um jogo de intrigas para criar rivalidade e um sentimento chauvinista entre os brasileiros contra Cuba Socialista e incitaram brigas entre os lutadores de judô e mais uma série de escaramuças e contendas entre os esportistas para aumentar o fosso que separa os dois países, mas a grande verdade é que o desejo de unidade na América Latina é muito maior do que estas pequenas disputas esportivas, ainda mais manipuladas pela ação divisionista estadunidense, que em várias modalidades enviaram times de segundo escalão, fazendo com que a luta por medalhas ficasse mais acirrada entre os países latino-americanos, principalmente Cuba e Brasil, que se digladiaram pelo pódio, mas somente entre o segundo e o terceiro lugar, como no Atletismo e na Natação.
Ao nosso ver, a solidariedade entre Cuba e Brasil pode ser muito maior do que é atualmente, pois Cuba envia médicos e educadores para vários lugares, inclusive o Brasil e devido ao embargo norte-americano, o comércio entre os dois países e as trocas de produtos e serviços não aumenta significativamente, mas mesmo assim o Brasil tem ajudado Cuba a sobreviver ao criminoso bloqueio econômico dos EUA, com acordos econômicos e diante das pressões do império norte-americano, tem tido uma conduta diplomática no que se refere ao apoio internacional, como na solicitação da entrada de Cuba como país observador no Mercosul.

O Jornal INVERTA apesar de ter solicitado com antecedência o credenciamento para a cobertura do evento, não obteve a autorização das autoridades organizadoras, mas mesmo assim, realizou o seu trabalho com seriedade e acompanhou o brilhante desempenho dos atletas brasileiros, que obtiveram ótimos resultados em vários tipos de esportes, como na Ginástica Olímpica, na Natação, nas lutas, no Atletismo e nos esportes coletivos, demonstrando o espírito de luta do povo latino-americano, o que já demonstra uma unidade de vencedores neste continente abaixo da linha do Equador, longe do alcance das garras afiadas da águia norte-americana.

Rio de Janeiro, Agosto de 2007
Redação de INVERTA