A produção de etanol na agricultura brasileira

O aumento da área plantada de cana de açúcar na safra 2007/2008 subiu 7,4% de 6,16 milhões de hectares para 6,62 m/hectares de 2006 a 2007 e fará a safra do produto aumentar de 474,8 milhões/t para 528 milhões/t no mesmo período. O Estado de São Paulo é responsável por 66,9% do total produzido da Região Centro-Sul com 461,6 milhões de toneladas e o Norte e o Nordeste são responsáveis por 66,3 milhões (12,6%) da colheita nacional.

A produção de etanol na agricultura brasileira


O aumento da área plantada de cana de açúcar na safra 2007/2008 subiu 7,4% de 6,16 milhões de hectares para 6,62 m/hectares de 2006 a 2007 e fará a safra do produto aumentar de 474,8 milhões/t para 528 milhões/t no mesmo período. O Estado de São Paulo é responsável por 66,9% do total produzido da Região Centro-Sul com 461,6 milhões de toneladas e o Norte e o Nordeste são responsáveis por 66,3 milhões (12,6%) da colheita nacional.

A maior parte da cana (468 milhões/t ou 88,7%) será destinada à indústria sucroalcooleira, sendo metade para a produção de álcool e a outra para produzir açúcar, considerando que o álcool terá o maior volume da história com 20 bilhões de litros que é um aumento 14,54% em relação à safra anterior, e deste total 10,6 bilhões de litros são de álcool hidratado e 9,35 bilhões de anidro. A produção de açúcar está estimada em 31,3 milhões de toneladas, o que é um aumento de 3,6% sobre a safra passada.

Uma das conclusões que se tira deste projeto do etanol como combustível para veículos automotores é que o valor das propriedades agrícolas no Brasil vão aumentar muito graças aos incentivos tanto do governo brasileiro como em razão dos investimentos externos para a construção de mais de 100 usinas em todo o país. Grandes conglomerados internacionais estão se interessando em investir no projeto do etanol brasileiro para abastecer não somente o mercado interno como também exportando o produto para vários países desenvolvidos como os EUA e o Japão, sendo a frota de veículos norte-americana a maior do mundo.

O aumento da exploração dos trabalhadores do corte da cana já foi objeto de vários estudos que mostram que o tempo de vida dos bóias frias é menor do que o dos escravos, pois estes últimos tinham que ser alimentados pelos seus senhores, enquanto os trabalhadores volantes, através dos salários, têm que comprar a comida com o salário de R$ 500 por mês. É uma miséria, e os bóias frias têm uma jornada de trabalho excessiva, chegam a cortar várias toneladas de canas por dia. Esse problema, com a opção do governo Lula de incentivar a produção de etanol, tende a se agravar com o aumento da exploração mais intensa da mão-de-obra.

Com os milhões de hectares disponíveis no território brasileiro, a sua maioria será utilizada no programa do agrocombustível e isso fará com que aconteça um maior êxodo rural, pois este tipo de atividade agrícola tem que ser realizada em grandes extensões de terra o que aumentará a concentração da terra em nosso país. Somente um modelo agroindustrial de grande porte é capaz de desenvolver o programa do etanol. Com isso os empréstimos oficiais continuarão na sua maioria sendo recebidos pelos grandes fazendeiros e empresários rurais, e a agricultura familiar, que é a maior produtora de alimentos para o mercado interno, será prejudicada na utilização de recursos públicos. Um dos grandes subsídios que o governo federal oferece aos grandes agricultores nacionais e internacionais é que estes agentes econômicos simplesmente não pagam as suas dívidas com os bancos estatais e conseguem a sua rolagem com o apoio da bancada ruralista no Congresso Nacional, mas os pequenos produtores agrícolas sempre honram os seus compromissos muitas das vezes perdendo as suas terras e virando sem terra para pagar as suas dívidas.

A diminuição de culturas alimentares no Brasil é uma ameaça que o projeto do etanol traz no seu seio, pois com o álcool sendo cotado como uma mercadoria no cenário mundial fará com que para terem mais lucros no agronegócio os empresários rurais irão investir cada vez mais neste tipo de atividade primária e terá necessidade de grandes extensões de terra com isso as propriedades se concentrarão mais ainda para produzir etanol alcançando outras fronteiras agrícolas no território brasileiro e diminuindo a produção de culturas alimentares que atualmente abastece o mercado interno do país.

Julio Cesar de Freixo Lobo