Nosso III Congresso e as ações do Partido entre as massas

Aproxima-se mais um momento importante de nossa luta revolucionária no Brasil, o III Congresso do PCML, que se realizará em breve. Em todos os estados onde nossa organização política desenvolve sua ação revolucionária, avança o debate sobre o tema central, que será objetivo de deliberação: a atualização de sua linha de trabalho junto às organizações de trabalhadores, sindicais, sociais, culturais e estudantis.

Nosso III Congresso e as ações do Partido entre as massas

 

Aproxima-se mais um momento importante de nossa luta revolucionária no Brasil, o III Congresso do PCML, que se realizará em breve. Em todos os estados onde nossa organização política desenvolve sua ação revolucionária, avança o debate sobre o tema central, que será objetivo de deliberação: a atualização de sua linha de trabalho junto às organizações de trabalhadores, sindicais, sociais, culturais e estudantis. A conclusão deste processo requer, antes de tudo, um grande empenho dos quadros dirigentes do partido para fazer com que o debate flua no clima de maior participação possível, para que seu resultado possa responder a todas as indagações que se apresentam em nossa ação cotidiana nestes movimentos, tendo em vista a base de princípios de nossa estratégia e tática para levar a cabo a revolução em nosso país. Nesse sentido, é dever da Comissão de Organização, além de acompanhar o debate e o processo de conferências dos estados, conduzir a própria realização do Evento, como já é de práxis.

 

Com relação ao tema em debate, é de vital importância considerar que, paralelamente ao conjunto de princípios que devem guiar nossa ação dentro destes movimentos, também é essencial levar em conta a base organizativa do partido, a estrutura orgânica e os quadros hoje destacados para este trabalho; e, ainda, a nova situação política nacional e internacional na qual o mesmo se desenvolve. Somente considerando todos esses elementos poderemos fixar metas concretas para um plano de ação e as reais possibilidades de sua realização prática. Nesses termos, seguindo a linha editorial iniciada na edição passada de nosso Órgão Central, em que abordamos um conjunto de princípios obedecendo à estratégia e tática fixadas nos Congressos passados, daremos curso a este editorial abordando o tema organizativo do Partido (de onde parte sua ação), bem como a questão da dialética necessária entre estes dois fatores – ação nos movimentos e organização partidária. Nos próximos editoriais, abordaremos mais em pormenor a questão dos quadros e a conjuntura nacional e internacional.

 

Lênin, quando pensou a questão organizativa do Partido, considerando a situação da Rússia, ainda sob o tzarismo, e o processo de reorganização do Partido diante da repressão que levou à dispersão dos revolucionários em dezenas de organizações em todo o país, que se deixaram dominar pela corrente economicista, afirmou que “não se pode sequer pensar seriamente em tática se não temos organização” e, mais adiante, que “nos momentos em que se produz a explosão das lutas sociais já é tarde para se construir a organização” (Por Onde Começar). Naturalmente, a situação do movimento revolucionário no Brasil está muito distante daquela realidade da Rússia, contudo é fundamental a importância de que a organização se antecipe em sua existência e preparação aos momentos de ascenso da luta, destinando-se justamente à sua construção-estruturação durante os momentos de descenso e menor enfrentamento. Essa é uma lição que vale para todos os revolucionários em todas as ocasiões, pois mais que uma proposição ou tese para os revolucionários bolcheviques, é uma necessidade elementar para que os revolucionários passem a conduzir as rebeliões e levantes de lutas econômicas a lutas políticas, à luta revolucionária pela conquista de uma revolução de fato. É, logo, uma questão de princípio para todos os revolucionários.

 

O processo de 1) organização revolucionária; 2) ação no movimento de massas; 3) condução dos mesmos à luta revolucionária; 4) Revolução; não obedece necessariamente a esta ordem aqui estabelecida. Um exemplo disso é muito claro na famosa frase de Engels que Lênin cita em seu livro Bancarrota da II Internacional: “nem toda situação revolucionária conduz a uma revolução”, como fizemos questão de lembrar no editorial passado.

Logo, existe uma dialética elementar entre os dois processos – o organizativo e o da ação no movimento de massas. Em um processo em que a organização dos revolucionários não esteja ainda suficientemente desenvolvida para atender a um ascenso do movimento de massas, ela se vê obrigada a acompanhar todo este movimento sem as condições de poder conduzi-lo à revolução. Neste caso, o maior desenvolvimento da ação nos movimentos de massas passa, pelo contrário, a influenciar o processo de organização, pois a necessidade de acompanhamento constante e o apelo que a ação de massas exerce sobre a consciência dos quadros, em contradição à insuficiência da organização para responder a isso de maneira adequada, leva à improvisação e ao voluntarismo que, apesar de desembocar muitas vezes em ações heróicas, pode causar a total desintegração da organização e a perda dos quadros.

 

Também é necessário, com base na experiência vivida por nós brasileiros, considerar a situação reversa, em que uma grande organização se desenvolva em contradição ao ascenso da luta de massas, exigindo que a mesma se mantenha através da ação constante junto ao movimento de massas, porém com as mãos atadas para conduzi-lo a uma luta revolucionária. Neste caso, é muito importante ter em conta as táticas e formas de luta pacíficas, para que as mesmas, apesar de legítimas, não se tornem o caráter predominante da organização, pois este é o caminho do reformismo. Se isso acontece, passamos a viver o drama vivenciado nos anos 60, quando o ascenso de massas se instaurou, mas o caráter reformista desenvolvido na organização anteriormente impediu-a de conduzi-lo a uma revolução de fato. Eis então a dialética do processo: o desenvolvimento da organização deve considerar que, nos momentos de descenso do movimento de massas, a organização que já exista minimamente deve refrear cada vez mais a cooptação de quadros, para que esse processo de luta pacífica e sem enfrentamento não molde a base de seus quadros de maneira a tornar essa forma de luta a forma de luta predominante no caráter da organização.

 

Com relação às organizações que não têm ainda uma estrutura minimamente desenvolvida, além do imprescindível processo de voltar-se para dentro e formar seus quadros, há o desafio de cooptar novos quadros, através da construção de formas de luta que fujam do âmbito institucional e possam, a partir do enfrentamento pontual, resultar em uma composição de quadros mais avançada. Quanto aos momentos de ascenso da mobilização, no caso de que a organização não tenha ainda uma estrutura de quadros minimamente desenvolvida, essa dificuldade é ainda mais marcante, pois significa que a mesma poderá crescer por saltos, mas terá de preservar seus quadros e sua linha tática e estratégica das influências reformistas que possam, nesse momento, polarizar a sociedade.

A organização já desenvolvida e que preservou seu caráter revolucionário deve, essa sim, em momentos de ascenso da mobilização, constituir o movimento mais amplo possível de ingresso às suas fileiras para abarcar todo o movimento de massas e conduzi-lo através da estratégia unificada e de ações revolucionárias à luta pelo poder. Assim, pode-se concluir que a construção da organização revolucionária se relaciona com sua ação no movimento de massas, seja nos períodos de ascenso ou de descenso do mesmo, não apenas com a intenção de conduzi-lo à tomada do poder como também encontrando nele seus melhores quadros.

 

Neste aspecto, nossa organização – que tomou como um princípio a forma leninista e que se encontra em processo de construção desde sua constituição em partido de quadros – deve compreender que em cada estado vive-se uma situação organizativa distinta, o que implica que a ação a ser desenvolvida nos movimentos de massa se dará de forma diferenciada, resultando, daí, uma maior ou menor presença nos mesmos, tendo em vista nossos princípios, dentre os quais destaca-se o fato de que atuar no movimento de massas não significa necessariamente ter sua direção prática (executiva e burocrática). É o momento, portanto, de aprofundarmos esse debate, com a contribuição mais ampla possível de todos os camaradas, para que em nosso III Congresso possamos refletir sobre todo esse debate e extrair diretrizes justas e objetivas para nossa ação revolucionária. Avante, camaradas!

Todos às Conferências Estaduais do PCML!

Viva o III Congresso do PCML!

Viva a Refundação do Partido Comunista (Marxista-Leninista) do Brasil!

 

P.I Bvilla pelo O.C. do PCML

 

Rio de Janeiro, 1º de julho de 2007