ICAIC – A primeira instituição cultural da revolução cubana

Entrevista com o presidente do Instituto Cubano de Arte e Indústria Cinematográfica (ICAIC), Omar González Jiménez, realizada durante a I Convenção Nacional de Cubanos Residentes no Brasil, no Rio de Janeiro, no dia 5 de maio de 2007.

    ICAIC – A primeira instituição cultural da revolução cubana


    Entrevista com o presidente do Instituto Cubano de Arte e Indústria Cinematográfica (ICAIC), Omar González Jiménez, realizada durante a I Convenção Nacional de Cubanos Residentes no Brasil, no Rio de Janeiro, no dia 5 de maio de 2007.



    IN – Sua palestra sobre a globalização na Cultura abordou vários aspectos importantes dos efeitos dos valores capitalistas nas nações e nos povos submetidos a ela.

    OG - São vários anos trabalhando sobre o impacto da globalização na cultura, que é muito maior que a subjetividade e entra na área da tecnologia, com a generalização da imagem, da comunicação. A globalização é como nós conhecemos, uma porta de dominação do mundo pelo império e é uma forma que o imperialismo tem de infiltrar-se em todos os ângulos econômicos, da subjetividade cultural, da política e em todos os setores. É uma chantagem econômica de opressão aos países pobres, e a motivação principal do mundo não é gerar cultura e educação, mas sim de apropriar se dos recursos do mundo. Isso é o que justifica toda a política do imperialismo norte-americano. Na palestra falei com ênfase, nos meios de comunicação, principalmente na televisão e na própria internet, assim como também no cinema e no setor audiovisual em geral, mas também no campo da literatura e da música. É impressionante o indicador atual do consumo cultural do ponto de vista qualitativo no qual o imperialismo tem o objetivo de empobrecer a Literatura em todo o mundo, visando o consumo imediato. Na televisão, ao analisarmos a Telesur, vemos uma resposta ao imperialismo, que não domina totalmente, há resistência. E através de iniciativas como essa mostramos qual é a capital de Cuba, as cidades mais importantes do Congo e de Moçambique, por exemplo, estamos criando esta consciência nas pessoas para que assistam a Telesur e às várias agências de notícias, como a Prensa Latina, que vão mudando o modo de pensar dos indivíduos de uma maneira popular, com muito trabalho e com persistência de que continuamos a existir, como em uma convenção como esta, que é uma forma de articulação dos grupos que estão aqui lutando por sua pátria e com orgulho de serem cubanos.


    IN - Fale um pouco do trabalho do ICAIC pela integração cultural latino-americana desde sua fundação em plena Revolução.

    OG - O ICAIC surgiu em 24 de março 1959 e foi a primeira instituição cultural criada pela Revolução Socialista Cubana, tem 48 anos de história. Partiu de uma premissa essencial de uma discussão sobre se o cinema era uma indústria ou uma arte e na criação desta instituição foi escrito que o cinema é uma arte e fica assim instituída para ser distribuída como uma forma de crítica, de tomada de consciência, de experimentação e que mostra a história com uma outra leitura; com o papel que o cinema cumpriu em vários movimentos do terceiro mundo, que é o de revelar a verdade das coisas muito mais do que interpretar a história universal como Hollywood. Nós queríamos fazer e contar a própria história cubana. O cinema é uma arte, mas também um instrumento importante da luta e por isso tinha que se fazer um cinema autêntico para revelar aspectos de nossa própria realidade e desenvolver alguns tipos de estilos que não existiam em Cuba, como a animação, por exemplo. Hoje são produzidos mais de 400 filmes por ano e poderemos chegar a 500 filmes de 30 minutos daqui a dois anos. Fazemos filmes com muita fantasia e simbologia também, temos mais de 5 mil obras nos arquivos e mais de 400 longas-metragens com filmes de grande valor, como “Memórias do Desenvolvimento”, um dos mais importantes da história de Cuba e várias outras obras, como a de uma batalha que aconteceu em Angola, nesta participaram assessores cubanos, foi um filme histórico muito comentado por ser uma nova maneira de fazer documentário pela Escola Cubana, com direção de um grande mestre chamado Santiago Álvarez, que dirigiu projetos únicos de cinema latino-americano durante mais de 30 anos. Uma revista semanal no cinema através da rede para conhecer a realidade de Cuba e para sabermos dos acontecimentos da história internacional e do país, usando somente a tecnologia e as imagens que se tem em Cuba. Podemos encontrar, por exemplo, Amílcar Cabral dando uma entrevista e outros revolucionários da AL, da África, da Ásia, como Ho Chi Min. Temos várias obras sobre o Terceiro Mundo e a II Guerra Mundial, e uma possibilidade infinita da história de nosso país e do mundo. Aí está o ICAIC.


    IN – Como está o desempenho dos filmes brasileiros em Cuba, a situação da exibição das películas e a troca de experiências entre os cineastas?

    OG - Sempre que existe a possibilidade do novo cinema latino-americano estar incluído, temos um filme brasileiro e isto resulta sempre numa disputa saudável entre a Argentina e o Brasil que são pólos da produção cinematográfica na América Latina, mas também existe Cuba e o México. Está nestes quatro países a maior parte das produções com grande participação no cenário internacional. O Brasil tem uma política cinematográfica importante neste momento, com um auxílio por parte do Estado, o ensino também é um destaque na região da AL. Há um vínculo orgânico com o cinema brasileiro, com os diretores Rui Guerra, Nelson Pereira dos Santos, exemplificando, que em festivais de nosso país ganharam prêmios por suas produções. A televisão brasileira é muita assistida pelos cubanos, temos um acordo com o Ministério da Cultura do Brasil de intercâmbio de filmes. Há uma plataforma de sete filmes para circular entre os países latino-americanos, de nossa parte tem sido tranqüilo, em Cuba toda a rede é pública, mas os filmes brasileiros que têm compromissos com a co-produção, com os direitos vendidos da produção de cinema do país, são aspectos a considerar. Um dos grandes problemas do Brasil é que as distribuidoras não estão nas mãos de órgãos públicos e muitas não se interessam em exibir filmes cubanos e ficam somente passando produções norte-americanas e os filmes brasileiros que têm público.


    I – O povo cubano tem acesso ao cinema o ano inteiro com vários festivais nacionais e internacionais. Quais os mais concorridos?

    OG - Cada província tem seu festival e é difícil dizer qual é o mais concorrido, mas o mais importante é o festival internacional do Novo Cinema Latino-Americano, sempre realizado em dezembro, ele dura dez dias e já está em sua vigésima nona edição. Há o Festival Internacional de Filme Pobre e o Festival Internacional de Documentários de Santiago Álvarez, que se realiza em Santiago e que mostra documentários de todo o mundo. Há também o Festival Audiovisual para Infância e Adolescência de Animação, realizado junto com a bienal. A animação tem pouco espaço no mundo porque está controlada pela Fox-Disney. Existe o Fórum internacional de Novos Realizadores, para menores de 25 anos e que têm participação estrangeira com produções independentes e serve para gerar as discussões entre a juventude de vários países. Existe o Festival do Cinema da Montanha, um evento das cidades e vilas que estão afastadas dos centros urbanos, são produções locais e que têm grandes dificuldades de exibição no interior. O que mostra que o cinema cubano tem preocupação com todas as pessoas, os diretores se reúnem com os camponeses, pescadores e fazem debates entre a população e os atores da obra. E existem locais que funcionam com painéis solares e com isso vêem televisão e cinema em grupo.

    A nossa produção para este ano é de oito a dez longas-metragens, uns trinta documentários em uma aliança com a Telesur muito importante, que são uma série de produções sobre a AL sobre personagens da nossa história como Artigas, Martí e tantos outros libertadores do nosso povo; estamos com uma produção com a Televisão da Espanha sobre a música cubana; temos uma série sobre os cinco heróis presos nos EUA; temos uma história de pessoas que estudaram em Cuba, na década de 60, e que hoje são profissionais, encontramos uma família em que a avó esteve em Cuba e que os seus descendentes ficaram aqui e que hoje são profissionais, são embaixadores ou seguiram outras profissões e que adotaram Cuba como seu país e fazem isso através de gerações de revolucionários e dão seu testemunho de solidariedade na América Central, na África e em outros lugares; estamos também falando sobre uma aldeia de Angola que resistiu à invasão da África do Sul e à guerra contra a Unita, e o papel do regime do apartheid neste momento. Temos produções com Espanha, França, Itália e estamos procurando co-produções com países da América Latina com cineastas bolivianos, venezuelanos e com estes últimos sobre a luta pela ALBA (Alternativa Bolivariana para as Américas).


Bianka de Jesus

Rolando Rivera

Julio Cesar de F Lobo


john muller
john muller disse:
13/01/2011 17h31
o sistema capitalista tem como papel pricipal o neoliberalismo degradando nossa naturaza e destruindo seu ciclo em prol de poucas pessoas
o governo e os principais veiculos de comunição em nassa á o legalizado iludindo e alienando o povo fazendo se acreditar que esse resto que lhe sobra é o suficiente para sobreviver
nosso socialismo só sera capaz de ser implantado quando a propria população sair do comodismo e ir a luta
viva o socialismo
Comentários foram desativados.