Manifesto do 1º de Maio de 2007

O 1º de Maio é o dia internacional de luta dos trabalhadores há 121 anos e hoje a classe operária no mundo inteiro vai às ruas para lutar contra o sistema capitalista e comemorar suas conquistas, como fazem os trabalhadores de Cuba, Venezuela, Bolívia e tantos outros países.

Manifesto do 1º de Maio de 2007

 


Origem do 1º de Maio

    O 1º de Maio é o dia internacional de luta dos trabalhadores há 121 anos e hoje a classe operária no mundo inteiro vai às ruas para lutar contra o sistema capitalista e comemorar suas conquistas, como fazem os trabalhadores de Cuba, Venezuela, Bolívia e tantos outros países.
    No dia 1º de Maio de 1886, trabalhadores de Chicago, Estados Unidos, iniciaram uma greve geral contra a jornada de 14 a 16 horas, os maus tratos, os baixíssimos salários e pela jornada de 8 horas. Os grevistas foram duramente reprimidos e os seus líderes, Albert Parsons, Adolfo Fisher, George Engel e Augusto Spies foram enforcados. 120 anos depois, no 1º de Maio de 2006, na Quinta da Boa Vista, Rio de Janeiro, trabalhadores, estudantes e intelectuais se reuniram para realizar um ato de protesto, marcando uma clara diferença dos atos que transformam a data em ocasião para shows e sorteios eleitoreiros em apoio às oligarquias burguesas e seus pelegos. Dessa vez, as forças repressoras das oligarquias se manifestaram com sua truculência habitual, espancaram e feriram vários trabalhadores que, no entanto, não se fizeram dobrar, resistindo e denunciando a violência, enchendo de brio e júbilo o legado histórico do proletariado internacional. Por isso, estamos novamente nas ruas em todo o país para reafirmar um 1º de Maio de luta.

Neoliberalismo e suas conseqüências

    Em outubro de 1917, iniciava-se uma nova fase da luta do proletariado no mundo, um estágio nunca antes visto pela humanidade. A bipolarização do mundo no conflito Leste-Oeste e as crescentes conquistas do socialismo fizeram com que a burguesia estabelecesse o que se denomina de Estado do bem-estar social, numa tórrida política de vão-se os anéis ficam-se os dedos. A queda da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) e dos países socialistas do Leste europeu permitiu à classe dominante do mundo começar sua nova empreitada de ganhos cruéis, implementando a doutrina neoliberal, quebrando assim a única válvula de escape do sistema capitalista. O que estamos vendo hoje não é mais do que a crise de um sistema falido, que patrocina fome, guerras, miséria, falta de saúde e de educação, fruto de uma política de ganhos criminosos por parte da classe dominante, intensificando assim a exploração do trabalhador. A política neoliberal se afirma no Brasil na década de 90, no entanto, esta concepção já estava disseminada pelo mundo em razão do desfavorável momento pelo qual passava a classe proletária mundial. A entrada dessa política hedionda no nosso país tornou a crise do sistema capitalista no Brasil cada dia maior, com os índices de criminalidade, fome, miséria e todos os males que atingem a sociedade, crescendo vertiginosamente.
    Hoje, os 10% mais ricos concentram 42% da renda, enquanto os 10% mais pobres possuem apenas 0,7%, isso é dizer que a classe trabalhadora fica apenas com a miséria e a destruição, enquanto a classe mais abastada desfruta seus carros de luxo e suas mansões. No Brasil atual, 5,4 milhões de aposentados são obrigados a trabalhar, porque sua renda é miserável; 3,5 milhões de crianças ajudam no sustento da família ao invés de estarem estudando; e 28 milhões de brasileiros trabalham acima das 44 horas semanais, isso sem falar nos trabalhadores informais, que só na cidade do Rio de Janeiro ficam entre 80 e 90 mil trabalhadores, muitas vezes alvo de preconceito e violência. Além do 1º de Maio, os trabalhadores informais têm também seu dia, 7 de Maio, em memória à trabalhadora Rita de Cássia, que morreu queimada em confronto com as forças repressoras da guarda municipal do Rio de Janeiro. Estes trabalhadores chegam a contribuir com cerca de 8% (12,8 bilhões de reais) do PIB do país. Segundo dados do IBGE, o número de desempregados chega a 12 milhões. Acrescente-se a isso os campos de trabalho escravo no interior do país. Esses índices agravam e geram problemas crônicos à sociedade, elevando a pobreza e a miséria, fazendo crescer a criminalidade que tanto corrói as entranhas da sociedade. Hoje, nós vemos a burguesia começar a se manifestar em atos públicos de repúdio à violência, mas onde estavam estes para se manifestar contra a violência da fome nas favelas? E contra a violência policial para com os moradores destas comunidades? Onde estava a mídia nazi-fascista para denunciar o esgoto a céu aberto? Ou para denunciar a pobreza que cruelmente empurra o jovem para o crime? Ou a falta de segurança nas periferias, ou os mortos de fome no campo? Onde estavam estes meios de comunicação para pedir justiça aos mortos do Eldorado dos Carajás? A criminalidade se tornou um problema tão grande que começa, somente agora, a atingir com mais freqüência à classe burguesa, no entanto, a classe proletária sofre destes males há décadas e nada se fala.
    As favelas continuam a crescer e as condições de moradia cada vez mais precárias. O déficit habitacional já atingiu 6,6 milhões de moradias, das quais, 91,6% correspondem aos que recebem até cinco salários mínimos. A política neoliberal de contenção dos gastos públicos tem acarretado o progressivo sucateamento do sistema público de saúde, favorecendo o sistema privado em todas as suas modalidades. Para o proletariado a extrema precariedade do sistema público, e os planos de saúde para quem pode pagar.  
    A política neoliberal corroeu os alicerces da sociedade capitalista brasileira e a crise se alastra dia a dia. No campo da educação, o Brasil está em 72º lugar entre 127 países e o pior índice é o da evasão escolar, no qual ocupamos 85º lugar (isso quer dizer que muitas das nossas crianças abandonam a escola até a 5ª série), diz o relatório da UNESCO; 75% da população brasileira é analfabeta se incluirmos os analfabetos absolutos (7%) e funcionais (aqueles que apenas sabem escrever o nome). O Brasil é o 8º país em desigualdade no mundo, 33 milhões de brasileiros vivem com menos de 1 dólar por dia (menos de 2 reais), considerado pela ONU (Organização das Nações Unidas) abaixo da linha da pobreza, isso sem falar daqueles que vivem no limiar da pobreza com 2 dólares diários, representando 6 reais por dia, e o que se faz com 6 reais?
    O Brasil cresceu no ano de 2006 cerca 3%, mas isso não quer dizer que o pobre ficou menos pobre, pelo contrário o rico ficou mais rico, enquanto o povo brasileiro passa fome, o governo gasta milhões para pagar os juros da dívida externa, gasta boa parte de seu PIB (Produto Interno Bruto) para pagar esta dívida que é de cerca de R$ 500.000.000.000,00 (quinhentos bilhões de reais), assim enriquecendo os banqueiros em detrimento do povo, esta é a imagem da crise do sistema capitalista do nosso país, crise criminosamente escondida pela mídia burguesa que tenta passar a imagem de um país promissor.

A América Latina hoje


    Frente a esta situação de miséria e dor, o povo resiste e se levanta. Os ventos da revolução sopram novamente nas terras da América Latina. Depois de mais de uma década de política neoliberal imperialista, os povos do continente, sob as mais diversas formas, se manifestam contra o neoliberalismo e fazem chegar ao poder partidos e candidatos de oposição. O sonho de Simón Bolívar, José Martí, Luiz Carlos Prestes anima novamente a luta pela revolução social. Ao lado de Cuba hoje encontram-se os governos de Hugo Chávez, na Venezuela; Evo Morales, na Bolívia; Daniel Ortega, na Nicarágua; e outros.

A contra-ofensiva imperialista


    O imperialismo norte-americano, como tem feito seguidas vezes, em momentos de impasse, recorre à América Latina como área subordinada e prioriza, no momento, o envolvimento econômico, sem deixar de lado sua estratégia de transformar o Brasil em uma grande base militar. O plano apresentado com a vinda do presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, pretende transformar a atual estrutura agrária dos países da América Latina e do Brasil, em particular, impondo a plantação de cana-de-açúcar e milho para produção de biocombustível destinado à solução de sua crise energética, permitindo assim, acumular capital para transitar o padrão industrial, com base no petróleo, para outra matriz energética. Mas a que preço o capitalismo quer se salvar? Os danos ao meio ambiente serão imensos e a previsão é de bilhões de mortos por fome e sede, pois além da destruição de áreas verdes, a produção de alimentos declinará e os preços se elevarão. A posse de matérias-primas e de fontes de energia intensifica a devastação de áreas como a Amazônia e colaboram com o aquecimento global e escassez de água, comprometendo a vida no planeta.
Esta é a mensagem de luta para todo o povo brasileiro, honrando todo o sangue dos mártires trabalhadores e lutando junto por um país socialista e livre do jugo imperialista. Por terra, trabalho e pão.

Viva o 1º de Maio e todas as lutas proletárias contra o imperialismo!

Contra as reformas neoliberais!

Pelo Congresso Nacional de Luta contra o Neoliberalismo!

Abaixo o governo das oligarquias no Brasil!

Não à catástrofe ecológica e ao deserto verde em que pretendem transformar o
Brasil!

Viva a Revolução Continental e por um programa de transição para a sociedade
socialista!

Todos os dias haverão de ser nossos!

Ousar lutar, ousar vencer!


Comitê de Luta Contra o Neoliberalismo – CLCN
Partido Comunista Marxista-Leninista – PCML
Juventude Comunista Marxista-Leninista – JCML
Jornal INVERTA
Centro de Educação Popular e Pesquisas Econômicas e Sociais – CEPPES
DCE Aedo Carvoliva – FEUC
Associação dos Servidores da Justiça do Trabalho – ASJT
Associação dos Servidores do IBGE – ASSIBGE
Núcleo Sindical Hospital Geral da Posse
Associação de Mulheres de Padre Miguel
Associação de Mulheres do Gouveia
Federação das Associações de Ambulantes do Estado do Rio de Janeiro – FAAERJ
Associação da União dos Vendedores Ambulantes do Centro e Adjacências –
AUVACA