Reserva da Contagem devastada por grileiros e omissão governamental

Sem nenhuma preocupação com o meio ambiente, os condomínios do Grande Colorado, na região de Sobradinho, avançaram ameaçadoramente. Dois terços da Reserva Biológica da Contagem já estão cercados por eles. Não nos opomos aos assentamentos, não nos opomos aos condomínios, não nos opomos a quem luta pelo direito à moradia. Nosso ativismo, se é que a expressão adequada é essa, surge da conscientização de que alguma coisa tem de ser feita para reverter esta ameaça.

Reserva da Contagem devastada por grileiros e omissão governamental


    Sem nenhuma preocupação com o meio ambiente, os condomínios do Grande Colorado, na região de Sobradinho, avançaram ameaçadoramente. Dois terços da Reserva Biológica da Contagem já estão cercados por eles. Não nos opomos aos assentamentos, não nos opomos aos condomínios, não nos opomos a quem luta pelo direito à moradia. Nosso ativismo, se é que a expressão adequada é essa, surge da conscientização de que alguma coisa tem de ser feita para reverter esta ameaça.

    Nossa inconformidade centra-se não apenas na especulação dos grileiros, na esperteza comercial e na ocupação desenfreada, mas também em instituições tais como o Governo do Distrito Federal (GDF), o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), entre outras instituições governamentais que poderiam estar engajadas nessa batalha de conscientização.

    À primeira vista, um visitante, dos poucos que começam a descobrir o interesse pela preservação da natureza, pode ter a sensação de que ali a fiscalização parou no tempo, que o descaso é uma realidade. Um dos absurdos é a enorme placa dentro de um condomínio fechado e bem guardado com os dizeres: “Área de propriedade da União”. O termo “ecologia” não é novo, foi criado ainda no século 19 para designar o estudo das relações entre os seres vivos e seu habitat. No pós-guerra, na década de 50 do século passado, com o objetivo de recuperar as economias devastadas, as nações do planeta promoveram o “desenvolvimento a qualquer custo”, e, com isso, as agressões ao meio ambiente começam a adquirir proporções alarmantes.

    Nas proximidades da Reserva Biológica da Contagem a proporção não é diferente. A reserva, que é um berçário natural de nascentes de água, está correndo risco de desaparecer. Sabemos que a água é elemento indispensável a toda espécie de vida. Água que está sendo agredida com as mais diversas formas de poluição. A morte da água naquela importante reserva biológica representa a agonia de todas as espécies nativas da flora e fauna que restauram do Cerrado brasileiro.

    E a cada dia observamos isso acontecendo com o avanço das ações predadoras na área. Do lado de Sobradinho II, a ameaça vem de uma fábrica de manilhas. Basta-se abrir uma trilha, para surgir um novo parcelamento de terra pública. Assim começa a especulação e nasce mais um condomínio. Qualquer parcelamento irregular é uma ameaça, porque faz secar as fontes dos rios e riachos, a poluição chega às águas e o lixo jogado de qualquer jeito compromete o bem mais precioso para nossa sobrevivência. Mais grave ainda é a perda da consciência de que somos parte do ambiente. Estamos perdendo o sentido do perigo numa época em que a Companhia de Água e Saneamento de Brasília (Caesb) alerta que estamos ameaçados de ficar sem água para beber durante a seca deste ano se não chover com mais intensidade até o mês de abril.

    Enquanto isso, não há explicação para a compreensão de que nos Lagos Sul e Norte mexer em habitação irregular pode trazer problemas para o meio ambiente. É o explicador explicando o explicável, diria o poeta. Enquanto isso, na invasão da Vaquejada, em Ceilândia, mais de 200 famílias não tiveram a mesma sorte e seus barracos foram derrubados pelo atual governo do Distrito Federal.

    O discurso pregado pelos órgãos governamentais parece ter dificuldade em sair do papel. As ações contra o meio ambiente, ao longo dos últimos 10 anos, são devastadoras em vários pontos do DF. Prevalecem à ambição do homem diante daquilo que seria sagrado para a própria sobrevivência. Os grandes problemas causados, principalmente, por uma política habitacional desordenada e sem metas, mas com objetivos claros, estão sem solução em curto ou médio prazo. O único sinal que existe é o da destruição. Da certeza de que o meio ambiente está perdendo o jogo. O fato é que, com a falta de uma fiscalização eficaz dos órgãos públicos, a devastação ameaça a Reserva Biológica da Contagem, uma das últimas às proximidades da capital da República, com direito a cachoeira e nascentes de água cristalina. A fauna da reserva é ameaçada. Lobos-guará, raposas, capivaras, tutus, mico-leão-preto vivem acuados. Aves diversas, como a sabiá, o canário da terra e a saracura-do-brejo também estão sumindo. A flora já reclama a sangria da devastação. Espécies como quaresmeira, sangue-de-cristo, chapéu de couro e arnica estão desaparecendo. O capim-gordo, outra espécie própria da reserva, já é coisa rara.

    Em uma das primeiras celebrações, às árvores, na cidadezinha mineira de Dores do Indaiá, o orador, um menino de 13 anos, disse: “A derrubada delas é uma ameaça à própria civilização”. Isso aconteceu em 1904. Mais de 100 anos se passaram e muita gente, em todo o mundo, ainda não entende as palavras desse menino. Para a região do Cerrado, a era Roriz tem sido uma tragédia. Pelo que parece é uma ameaça crônica. Na outra ponta, a Mata Atlântica, que já cobriu 82% do território paulista, hoje não passa dos 5%, enquanto o Pantanal e a Amazônia são regiões em permanentes ameaças. Mas nem tudo está perdido, ainda é tempo de reverter essa situação.

    Seja um ativista em defesa da Reserva Biológica da Contagem. Denuncie qualquer irregularidade pelo 0800-618080.

Antônio Carlos

CARLA
CARLA disse:
13/01/2011 17h31
É SE Ñ CUIDARMOS COMO FICARA NOSSO PLANETA...
É HORA DE TODOS PENSAR!!!
E CUIDAR DE NOSSO BEM!!!
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