Sobre o Próximo Passo dos Comunistas Revolucionários no Brasil

O ano de 2007 se apresentou para povo brasileiro em geral e os comunistas revolucionários, em particular, trazendo grandes desafíos. O primeiro e o mais importante destes é lutar para o Brasil acompanhar a marcha revolucionária que a América Latina desenvolve, seguindo os passos de Cuba, como fazem a Venezuela, Bolívia, Equador e Nicarágua. Mas atingir este objetivo revolucionário para os trabalhadores do campo e da cidade, bem como para aqueles que lutam por dias melhores em nosso país, não é tão simples como parece. Embora grande parte dos agrupamentos de esquerda no Brasil imagine os processos na Venezuela, Bolívia, Equador e Nicarágua como o caminho natural para a nação e que a questão fundamental é encontrar a base de alianças políticas ou o veículo político, dentro do quadro de partidos e lideranças político-institucionais, para chegar a este objetivo, na verdade esta posição dificulta muito o processo revolucionário brasileiro, pois, inverte a lógica do processo, subordinando o principal ao secundário (a estratégia pela tática). O agrupamento do PC do B já começa a conhecer as verdadeiras limitações de sua tática de chegar ao poder na carona do PT. Os grupamentos de esquerda dentro do PT, por sua vez, também começam a reconhecer as limitações de um processo institucional no qual para se manter no governo deve fazer concessões cada vez maiores ao PMDB, PP, PSDB, PFL, PTB e etc, em detrimento da própria esquerda reformista aninhada no PSB, PPS, PDT e PSOL. Assim, este principal desafio que os revolucionários devem enfrentar neste ano de 2007, começa demonstrar que o caminho brasileiro para acompanhar a marcha revolucionária da América Latina, passa por outras determinações que o simples fato presente no recente extrato histórico dos demais países que se incorporam à luta prefaciada por Cuba em nosso continente.

E quais seriam estas determinações?

Em primeiro lugar, a particularidade do processo revolucionário em nosso país, cuja história guarda diferença com o conjunto dos países da América Latina em geral e no particular. Neste sentido, é sempre bom relembrarmos a lição de Friedrich Engels, grande pensador revolucionário e fundador do comunismo científico, juntamente com Marx, que afirmou em seu livro "O Anti-Dühring":

"Na história da sociedade... a repetição é a exceção, não a regra, e mesmo no caso de um fenômeno se repetir, jamais se repete exatamente nas mesmas circunstâncias... Neste caso, o conhecimento é fundamentalmente relativo, no sentido em que se reduz a compreender as relações e as consequências das formas políticas e sociais determinadas, que existem apenas para um dado momento e em povos dados e que são essencialmente efêmeras. Quem for, neste campo, correndo atrás de verdades definitivas e sem apelo, verdades autênticas e imutáveis, voltará com o cesto quase vazio, trará uns quantos lugares comuns da pior espécie...". (Engels, F, 1971,106-120).

Em segundo lugar, a interferência das forças humanas, revolucionárias e contrarrevolucionárias no processo revolucionário nacional, considerando que a história das sociedades é um processo vivo, que se faz, se desfaz e se refaz a cada momento de determinação da luta de classes, no plano nacional e internacional, seja pelo antagonismo ou não entre as mesmas, seja pelo desenvolvimento desigual e por saltos destas. Neste caso é importante notar a clara contradição no desenvolvimento da luta de classes internacional e na América Latina, que se desdobra em tendências antagônicas, pois em termos objetivos a correlação de forças, o poder militar, econômico, político e ideológico da burguesia imperialista dos EUA continua determinando a tendência principal do período histórico em curso, como de contrarrevolução, enquanto que as forças revolucionárias na América Latina passam a determinar o conteúdo da contra-tendência, assumindo seu protagonismo, em lugar dos países do Oriente Médio, com a forte probabilidade de deslocar o centro da luta de classes mundial para o continente.

Em terceiro lugar, conhecendo-se a formação sócio-económica brasileira e a dinâmica com que se desenvolve a luta de classes na mesma, uma determinação fundamental é extrair os elementos históricos sociais que nos permitam avançar do estágio em que nos encontramos ao mesmo patamar revolucionário, não digo de Cuba, mas da luta revolucionária em que se encontram Venezuela, Bolívia, Equador e Nicarágua, ou das FARCs na Colômbia. E estes elementos necessários ao avanço do movimento revolucionário no país, não podem deixar de considerar a interferência da luta de classes internacional e com ela o deslocamento do seu centro para o continente, já que dada a importância geopolítica do Brasil no continente implicaria o acúmulo de forças revolucionárias, que combinadas no plano continental e internacional mudaria qualitativamente a atual correlação de forças, abrindo a condição para uma nova onda revolucionária mundial como tendência dominante.

Diante destas determinações principais, os elementos históricos e sociais, diante de nossas análises sobre a situação nacional e internacional apresentadas em vários trabalhos, entre estes "O Que Refundar?", "O Enigma da Esfinge", "A Crise na Ásia", "Plataforma Comunista", "Carta ao Povo Brasileiro" e o conjunto de editoriais que vem acompanhando sistematicamente o desenvolvimento histórico pelo prisma da luta de classes, podemos concluir que pelos menos 5 grandes elementos são necessários para que o Brasil possa marchar no mesmo patamar revolucionário que marcham os países anteriormente citados:

a) A afirmação das teses e experiências revolucionárias sobre as teses reacionárias da burguesia e as teses reformistas e revisionistas (de direita e "esquerda") e a campanha de desmoralização do socialismo da mídia nazi-fascista, que impede as forças potencialmente revolucionárias de se libertarem da escravidão ideológica à classe dominante e ação reformista e revisionista, se passarem à luta revolucionária de fato; logo, isto implica aumentar exponencialmente o poder de comunicação dos comunistas revolucionários entre as massas, para levar as idéias e teses revolucionárias a todos os recantos por diferentes vias. Isto significa desenvolver a idéia de Lênin de que, "se não conseguirmos influenciar a opinião pública, não podemos aspirar dirigir seus movimentos práticos?";

b) Aprofundar a formulação teórica, com o estudo sistemático dos fundamentos da ciência marxista-leninista aplicada à realidade histórica de nosso país e do mundo, em especial da América Latina, para aperfeiçoarmos cada vez mais nossa compreensão da luta de classes na atualidade e planejarmos ação junto aos movimentos práticos e de caráter econômico dos trabalhadores para elevarmos estas lutas à condição de luta política revolucionária; isto implica dizer, a necessidade do estudo científico da realidade, paciente, sistemático e estável, mais uma vez aqui nossa idéia é com base em Lênin, de que "é possível se recompor uma direção prática mais rapidamente que a direção ideológica", pois esta exige um tempo maior de estudo e formulação da teoria";

c) A formação de Quadros, o que exige um trabalho sistemático, paciente e persistente com base nas lideranças mais destacadas que surgem nas lutas econômicas, sociais e políticas (formuladores, organizadores, agitadores, propagandistas e técnicos), considerando a história revolucionária no país, a deformação da assimilação e aplicação prática pelo movimento comunista, como afirmou Luis Carlos Prestes em sua "Carta aos Comunistas" e outros documentos. Este trabalho significa constituir uma rede de revolucionários profissionais capazes, intelectual, prático e moralmente de atender a necessidade de uma vanguarda teórica e prática;

d) Consumir a infraestrutura operacional segura e capaz de dar suporte a todas as ações revolucionárias necessárias para o trabalho de defesa da teoria revolucionária (campanha de agitação e propaganda); produção das teses revolucionárias (centro de formulação, meios para produção em escala de massa e a distribuição em rede atingindo as regiões estratégicas); a formação de quadros revolucionários capazes teórica e praticamenteprofissionaispara realizar todas as tarefas necessárias à luta; o que significa trabalhar dentro de um plano ousado de conquista dos meios econômicos para esta finalidade com planejamento e controle, sob todas as operações, através de um corpo técnico e revolucionário profissional;

e) Desenvolver uma estrutura de organização segundo os princípios do centralismo-democrático, cuja base inicial é a "direção centralizada e a mais ampla descentralização possível da responsabilidade ante o Partido de cada um de seus membros em separado"; isto significa por um lado, dois códigos de honra revolucionária, a hierarquia e disciplina; por outro a garantia que a centralização ocorrerá de fato e a ação revolucionária possa ser planificada de fato, pois se a esta descentralização (que não é senão o revés daquilo que se chama divisão do trabalho), não se fizer acompanhar de comunicação entre as organizações locais, este centro não passará de legenda e a força revolucionária em ação estéril e dispersa. Sem estes princípios do centralismo, não é possível pensar em sua contra-partida na dinâmica da estrutura revolucionária: a democracia interna que se expressa pela comunicação; a eleição dos organismos superiores pelos inferiores nos fóruns apropriados e o acatamento das decisões dos organismos superiores pelos inferiores.

f) A ação junto ao movimento de massas é objetivo fundamental do trabalho revolucionário, neste particular é necessário entender as transformações e formas históricas que este fenômeno social apresenta na realidade concreta, já que não é possível moldá-los aos nossos desejos e vontade. Nos seus fluxos e refluxos, obedecendo a dinâmica da luta de classes, eles sempre se renovam exigindo do trabalho revolucionários novos métodos e meios que façam a ligação da direção ideológica revolucionária com os mesmos, é neste ponto que tudo se decide, pois é a ação prática dos revolucionários (agitação e propaganda) o fio condutor para ganhar ideologicamente estes movimentos e dirigi-los (comandá-los praticamente) segundo a direção tática e estratégica revolucionária definida pela direção ideológica. Nesta ação revolucionária as bases que vão se constituindo passam a conformar um movimento em torno do Partido, cujo objetivo tático é passar da luta econômica à luta pela tomada do poder, e o estratégico é se tornar uma nova estrutura de poder da sociedade, no processo da revolução. Neste particular todos conhecem nossa proposição de formação dos Comitês de Luta Contra o Neoliberalismo;

g) finalmente, chega-se ao Internacionalismo proletário e a defesa da revolução no país e continente. Neste aspecto, a necessidade de um forte movimento que não somente se solidarize com a luta do proletariado internacional, mas também lute para se reconstituir as relações destroçadas pela ação da contrarrevolução e a traição dos reformistas e revisionistas, mais que uma definição doutrinária do marxismo-leninismo, é uma exigência prática que o momento histórico atual exige ao trabalho revolucionário no mundo. Especialmente na América Latina, considerando a sua forte tendência em se tomar o centro revolucionário mundial, neste início do século, não se pode sequer pensar em desenvolver uma luta revolucionária séria no país, sem considerar sua implicação geoestratégica e geopolítica no continente. O Brasil não pode continuar de costas para a América Latina, é necessário um forte trabalho de ligação histórica, cultural e política de nosso povo, com os demais povos, suas experiências e lutas revolucionárias do nosso continente. Este trabalho não pode ser espontaneísta, mas coordenado e concatenado com a luta revolucionária continental, naturalmente fortalecendo Cuba, como principal referência revolucionária.

Camaradas, estas são algumas de nossas considerações sobre o trabalho dos comunistas revolucionários brasileiros, em especial dos que se organizam no Partido Comunista Marxista-Leninista, para 2007; e se conseguirmos avançar neste sentido, toda a agenda de lutas e realizações revolucionárias programadas para este ano, deve ser abalizada por estas diretrizes. Diante da realidade histórica atual e da luta de classes que tende a se condensar em nosso continente, pensar nesta forma e método de nos libertamos da escravidão capitalista e do jugo imperialista, em especial dos EUA; é mais importante para o povo brasileiro neste momento que fazer proselitismo da desgraça da violência que se abateu sobre o Rio de Janeiro, escondendo a desgraça no restante do país e também as causas da mesma, que é a fase atoai do capitalismo, que em seus estertores históricos só tem a oferecer para o povo trabalhador a exploração extrema, miséria, fome, corrupção, violência e guerras, em síntese "todas as torturas do trabalho para aquele que produz seu próprio produto como capital". Portanto, mais que necessário, é imprescindível seguir a luta pela revolução e poder sonhar com a verdadeira liberdade e lutar por ela como fazem neste momento os demais povos da América Latina, na Venezuela, Bolívia, Equador, Nicarágua, e as demais organizações revolucionárias no continente, acompanhando Cuba, se levantam contra o imperialismo, em especial, o imperialismo dos EUA.



Viva a luta pela refundação do Partido Comunista Marxista Leninista no Brasil!

Viva a revolução continental!

Até a Vitória Sempre! Ousar Lutar, Ousar Vencer!

Rio de Janeiro, 15 de Fevereiro de 2007

P. I. Bvilla

Pelo OC do PCML