EM DEFESA DE UMA ORGANIZAÇÃO JUVENIL

IV.2. Sobre a operacionalidade
dessa organização em 3 níveis:

 

• Além da luta ideológica e da possibilidade de que alguns jovens se formem como quadros e dirigentes, é necessário levar em consideração pelo menos mais alguns aspectos:

• Os militantes da Juventude devem conhecer e organizar-se segundo os princípios do centralismo democrático, que é a maneira mais democrática de organizar-se sem perder a capacidade de agir com unidade, rapidez e segurança. Esses princípios devem reger as relações entre os diferentes organismos de militantes – direções municipal, estadual e nacional, suas respectivas secretarias executivas e núcleos. Por isso, cada núcleo deverá ter pelo menos um representante (pode ser mais de um) que componha a direção municipal.

•    *O Inverta será o principal instrumento de discussão coletiva. Através da leitura e discussão regular de todos seus editoriais em cada núcleo e em cada organismo de direção da Juventude se realizará pelos militantes a ampla discussão coletiva necessária para a prática do centralismo democrático.

• O Inverta também deve ser utilizado como instrumento de agitação, propaganda e formação em todas as Frentes de Massa da Juventude

• Os militantes da Juventude devem organizar cursos, estudos e debates para os membros das Frentes de Massa, sobre a teoria marxista-leninista, os exemplos históricos de luta, a conjuntura brasileira e mundial.

• Os militantes da Juventude devem organizar cursos, estudos e debates internos sobre a teoria marxista-leninista, os exemplos históricos de luta, a conjuntura brasileira e mundial, para que sua formação não seja apenas prática, mas também teórica.

• Os militantes da Juventude devem participar, quando convocados, dos cursos, estudos e debates organizados pelo partido.

• Cada núcleo e cada organismo de direção da Juventude deverão organizar-se de maneira a garantir a realização das seguintes tarefas:

Redação do Inverta

-Distribuição do Inverta
-Finanças
-Organização (garantir que aconteçam as atividades, contatar pessoas, etc.)
-Finanças
-Formação teórica
-Agitação e Propaganda (especialmente importante entre os jovens)

• A Direção Nacional deve garantir também a realização de Relações Internacionais.

Essas são as características essenciais, que deverão ser discutidas com maior detalhamento para a formulação das teses e plano de trabalho da organização, uma vez que se concorde em construí-la.

I - Relação com o Partido

 

A Juventude é a organização juvenil do Partido. Deverá ser dirigida, portanto, pelo Partido, com ênfase especial nos membros jovens do Partido. Isso não quer dizer que não sejam necessários os órgãos dirigentes da Juventude, nem que esses não dirijam, na prática, o trabalho diário da mesma.

Aí mora o que parece ser a maior contradição do tema: como manter, ao mesmo tempo, uma eleição democrática dos dirigentes da Juventude e a ligação centralista democrática da organização juvenil com o Partido?

De fato, muitos rachas já aconteceram historicamente devido à má percepção desse problema. A Juventude Comunista da Venezuela (JCV), por exemplo, rachou com o PCV em duas ocasiões, devido a divergências que se manifestaram sob a forma de diferentes posições da JCV e do PCV quanto ao governo e à luta armada.

Na primeira ocasião, toda a direção nacional da Juventude foi expulsa, contribuindo para a origem das Forças Armadas de Liberação Nacional (FALN). Na segunda, a maioria da Juventude rachou e deu origem ao que hoje é o maior movimento guerrilheiro da Venezuela, as Forças Bolivarianas de Liberação (FBL).

O grande problema é que a realidade nem sempre corresponde aos estatutos... Poderíamos escrever mil estatutos garantindo a unidade entre Partido e seu braço entre os jovens, a Juventude, e essa unidade não existir na prática.

Assim como, com medo da tal falta de unidade poderíamos deixar de construir uma organização juvenil.

Unidade significa coincidência de objetivos e de ação e é uma palavra tão importante exatamente porque significa juntar pessoas por uma mesma causa.

Assim, não construir uma organização juvenil por medo do sectarismo que ela possa ter com relação ao Partido também é, em si, uma posição sectária.

Com medo de perder a unidade com os jovens que estivessem sob nossa esfera de influência política, não chegaríamos nem sequer a atrair os jovens para essa esfera de influência!

Não devemos temer o sectarismo dos jovens. Mas sim persuadi-los de nossas posições, simplesmente mostrando a verdade, e nada mais que a verdade. Se nossas posições estão de acordo com a realidade concreta, os jovens também serão capazes de enxergá-lo.


Devemos discutir com os jovens, trabalhar com os jovens, propiciar espaços políticos para sua formação prática e teórica. Devemos formar comunistas.
Para tanto, há que se ter em mente:

1) Que grande parte dos jovens militantes da juventude ainda não é comunista, mas que muitos deles esperam um dia ter o orgulho de poder dizer que o são.

2) Desses, os melhores podem também ser cooptados para o Partido, passando a militar unicamente no Partido ou tendo dupla militância.

3) Que temos poderosos instrumentos que devem ser utilizados no trabalho de formação política dos jovens militantes da Juventude e daqueles que se aproximarem de suas Frentes de Massa. Esses instrumentos são fundamentais para garantir a unidade tático-estratégica entre o Partido e sua organização juvenil:

3.1. O Jornal INVERTA.

3.2. Cursos e atividades de formação, da juventude e do Partido.

3.3. Dupla militância – os jovens membros do Partido que estiverem encarregados pelo Partido de militar também na Juventude são os maiores responsáveis pela manutenção da unidade.

Sua tarefa é fundamental, pois são eles que realizarão, na prática, a discussão de nossa estratégia e de nossas táticas com os militantes da Juventude. São eles que discutirão a conjuntura, no dia-a-dia, com esses jovens.

São eles que defenderão nossas posições e são eles, também, que levarão ao Partido as inquietudes que se produzirem entre os militantes da Juventude, garantindo o vínculo centralista democrático e a representatividade.

São eles os responsáveis diretos no Partido pela construção de uma Organização Juvenil de novo tipo e são eles que responderão pelo seu bom andamento.

II - Sobre a dificuldade na construção dessa
Organização Juvenil

 

Aqui, temos que reconhecer a dificuldade imediata de construção de uma organização juvenil. Se temos tantas dificuldades na construção do próprio Partido, que é prioritária, que dirá de sua organização juvenil.

Cabe analisar o dilema necessidade versus possibilidade. É necessário construir essa organização? Sim. É possível construí-la agora?
Alguns pontos contam a favor de que se dê a determinados jovens militantes do Partido a tarefa de construir uma organização comunista de novo tipo:

• O principal é o fato de que, de uma maneira ou de outra, a discussão já está presente, e o bolo está crescendo sem que ninguém tenha idéia de qual foi a receita...

Temos nos organizado de formas diferentes e com concepções diferentes em cada local e isso talvez seja algo de menor importância no momento, enquanto ainda podemos funcionar assim, mas será um problema muito, muito grave se nos descuidarmos do assunto e só discutirmos quais são de fato nossas necessidades e possibilidades quando as diferenças de organização já estiverem consolidadas.

Será um problema que poderá causar diferenças internas e será um problema que poderá impedir que tenhamos uma imagem unitária perante o povo brasileiro, em especial perante as organizações juvenis da esquerda brasileira e os jovens brasileiros em geral.

Será um problema muito, muito grave se quando nos pusermos a analisar os erros das organizações juvenis existentes já tenhamos construído uma organização igualzinha.

• Outro ponto importante é que a própria construção de uma organização juvenil pode contribuir para a construção do Partido. Não só porque através do trabalho da Juventude podemos atingir jovens comunistas capazes de estar no Partido e de trabalhar para sua construção – a própria existência de uma organização juvenil com as características aqui expostas contribui imediatamente para a construção do Partido.

No sentido de que muitas das tarefas do Partido são também tarefas da Juventude e podem ser realizadas por esses jovens, e no sentido de que a conseqüência de nossa organização juvenil e a combatividade dos jovens próximos a nós constroem um referencial político que se transfere metodicamente ao Partido.

• Também vale lembrar que a luta ideológica é uma tarefa essencial do Partido em sua refundação, dadas as características atuais do capitalismo imperialista e da organização do povo brasileiro.

A inserção do Partido em todos os espaços é essencial para travar e ganhar essa luta ideológica e daí a importância da construção da Juventude: A Juventude é o instrumento de inserção do Partido entre os jovens.

“O inimigo trabalha, e trabalha de forma encoberta e descoberta”. 1 Nosso trabalho deve estar presente constantemente nas vísceras dos jovens brasileiros.

Assim, almejamos com esse documento impedir que aconteça a única coisa que não deve de nenhuma maneira acontecer: que jamais façamos essa discussão.

A análise da necessidade e das possibilidades de construção de uma organização juvenil deve, logicamente, ser discutida melhor nas instâncias do Partido.

Por hora, nossa proposta é que uma vez deliberada a necessidade ou não de construí-la e o tipo com o qual deverá ser construída, se delegue essa tarefa a alguns (e não todos) jovens militantes do Partido, que deverão compor uma comissão nacional encarregada do tema, respondendo diretamente ao Comitê Central. Dessa, vez, orem, com um acúmulo de discussão e uma clareza dos objetivos muito maiores.

Esperando também um dia ter o orgulho de poder dizer-nos de fato comunistas, mantemos a convicção de que cabe a nós analisar a realidade e construir respostas coletivas às dificuldades que surjam na luta por um mundo sem exploração e sem miséria, onde todos possam ter suas necessidades satisfeitas.

Reproduzimos o que foi dito antes, tantas vezes:

“Nós, os revolucionários marxistas-leninistas, não apenas temos que conhecer, que saber interpretar o mundo, a sociedade, suas leis e suas contradições, mas temos que ser capazes de construir, de transformar a sociedade”.

“A liberdade não consiste na sonhada independência com respeito às leis naturais, mas no conhecimento dessas leis e na possibilidade que ele traz consigo de fazê-las atuar de modo planificado para fins determinados… O livre arbítrio não é, portanto, segundo isso, outra coisa que não a capacidade de decidir com conhecimento de causa”.

“O que fizeram até agora os filósofos foi tratar de entender a realidade, mas se trata de transformá-la”.

Por isso repetimos que o trabalho dos comunistas deve chegar a todos os jovens como a pele chega em cada parte dos nossos corpos e que a construção de uma organização juvenil de novo tipo é uma maneira de fazê-lo.

Helena Campos



Nota:

1 FIDEL.
É de Idéias que se Armam os Povos.

2 FIDEL. É de Idéias que se Armam os Povos.

3 FIDEL. Conferência de Organização da UJC.