Pinochet: uma última ironia

A morte no dia 10 de dezembro do ex-ditador chileno Augusto Pinochet ficará para a história como uma ironia ao coincidir em dia com o Dia dos Direitos humanos, criado em 1948 pela Assembléia Geral da ONU em respostas aos horrores da II Guerra Mundial, os quais ao longo de sua vida  ele desconheceu.

O ex-ditador de 91 anos deixou para trás uma esteira de dor e morte, e apesar dos inumeráveis processos judiciais faleceu sem pagar por nenhum de seus crimes.

Para Pinochet, esses direitos eram pura retórica e durante seu governo (1973-1990), aonde chegou depois de um golpe de estado contra o presidente eleito Salvador Allende, encarregou-se de semear o medo e o terror.

Em sua qualidade de chefe da Junta Militar de Governo, formada por ele mesmo em sua condição de comandante em chefe do Exército, assumiu o poder, proscreveu os partidos políticos e dissolveu o Congresso.

Restringiu os direitos civis e políticos e ordenou a detenção dos máximos líderes da Unidade Popular, declarando-a ilegal.

Conseqüente com a violência do golpe, uma vez no poder perseguiu brutalmente aos partidários do governo Allende, a quem considerou inimigos do Estado.

Em conseqüência, introduziu como política a detenção, tortura, assassinato, desaparecimento ou exílio de todo aquele que estivesse ligado ao governo de Allende, fazendo configurar o conceito de terrorismo de Estado.

A polícia secreta, a Direção de Inteligência Nacional (DINA) (1974-77), foi outra das ferramentas utilizada pela ditadura para assassinar o ministro das Relações Exteriores do governo de Allende, Orlando Letelier, em 21 de setembro de 1976 em Washington.

Durante o governo do Pinochet foi organizada a Operação Condor, um plano para propiciar a cooperação mútua entre organismos de espionagem de diferentes ditaduras militares da América Latina, com o apoio do governo dos Estados Unidos.

Esses e outros desmandos são detalhados pelo relatório Rettig criado pela Comissão Nacional de Verdade e Reconciliação sobre as violações aos direitos humanos no Chile durante a ditadura militar.

O relatório, que cobriu o período que vai desde em 11 de setembro de 1973 até em 11 de março de 1990, descreve cerca de três mil mortes ou desaparecimentos, e quase 30 mil detidos e torturados sob o regime do Pinochet.

Viviana Díaz, dirigente do Agrupamento de Familiares de Detidos e Desaparecidos, indicou que os julgamentos por violações aos direitos humanos contra o ex-ditador chileno e seus mais próximos colaboradores devem continuar.

Granma Internacional