O Casaquistão, o Petróleo e o Legado Comunista

 

Durante a revolução de 1918, o Casaquistão, que ao tempo do império russo fazia parte do Turquestão Russo, aderiu, com as restantes partes da região, à União Soviética.

No período soviético todos os estados incluídos nesta aliança sofreram espetacular desenvolvimento em todas as áreas do progresso e do conhecimento humano, pois, logo de início o analfabetismo foi erradicado e o fanatismo religioso desestimulado.

O idealismo comunista e o espírito de solidariedade desenvolvido entre os povos da comunidade ensejaram que rendas de estados superavitários atendessem ao desenvolvimento de regiões mais pobres, como eram, entre outras, algumas das repúblicas surgidas no Turquestão.

O Casaquistão, naquela época de economia quase que inteiramente campestre, ocupou o segundo lugar em extensão, dentre os países formadores da antiga URSS.

Tem superfície de 2.717.300 Km2, bem próxima da ocupada pela Europa Ocidental, e sua população atinge aproximadamente 18 milhões de habitantes.

É um país mediterrâneo e faz fronteira com a China, Rússia, Uzbequistão, Quirquistão, Trucomenistão e o mar Cáspio.

Em relação à Rússia, sua pequena porção territorial européia se situa nas imediações da gloriosa Stalingrado, cidade a qual durante a Segunda Guerra Mundial, as forças armadas soviéticas quebraram para sempre a espinha dorsal do exército nazista.

As bases do desenvolvimento do país foram alcançadas durante o período soviético, quando mais da metade da população abandonou o nomadismo fixando-se nas cidades, nas culturas de trigo e algodão irrigados, mineração e indústria petrolífera.

A religião predominante é o islamismo que ali chegou por volta do século XVI com a expansão maometana.

Grande parte da população é constituída por russos que, atendendo na forma de brigadas de pioneiros ao projeto estabelecido ao final do governo de Stalin, de desenvolver a agricultura em áreas virgens da URSS, migraram para o norte do Casaquistão.

A capital do país, após a independência, foi transferida de Almaty (terra das maçãs na língua local), situada ao sul numa região de grande instabilidade sísmica, para Astana ao Norte.

Na região de Baikonur opera o cosmódromo de mesmo nome, de onde foram lançados pela primeira vez no mundo os satélites artificiais Sputinik, o astronauta Yuri Gagarin e a estação orbital Mir.

Um acordo com a Rússia permite a continuidade do seu uso para lançamentos espaciais russos.

Ultimamente, todos os lançamentos destinados a prover o abastecimento e o envio de astronautas para a Estação Orbital Internacional partem de Baikonur, onde, no último dia 28, ocorreu também o lançamento ao espaço, através de um foguete Soyus, do primeiro satélite do avançado programa Galileu da Agência Espacial Européia (ESA).

O país produz gás e mais de 1,3 barris de petróleo, por dia. A existência do campo gigante de Kashagan, que supera o maior dos campos existentes no Alaska e as descobertas de petróleo no interior do Mar Cáspio, asseguram ao país a condição de, em no máximo dez anos, colocar-se entre os dez maiores exportadores de petróleo do mundo.

Hoje, oleodutos e gasodutos ligam o Casaquistão à China e aos portos do Mar Negro, através de territórios da Rússia.

Em 1989, o líder do partido comunista do Casaquistão, Nursultan Nazabayev, foi indicado para governar o país.

E, a partir de 1990, com a dissolução da URSS, ele vem sendo seguidamente reeleito como presidente por grande maioria dos votos.

No último dia nove, mais uma vez, sua reeleição contou com o extraordinário apoio de 91% dos votos dos eleitores.

Muito embora ele e os governantes dos países da Ásia Central sofram, em âmbito mundial, campanhas de descrédito por parte de autodenominados “guardiões da democracia”, que professam a democracia capitalista baseada no poder econômico, os resultados por estes obtidos têm sido decepcionantes, pois a rejeição à nova ordem que tentam impor por meio do embuste é total.

As nações do bloco soviético ao se tornarem independentes foram instadas, pela propaganda enganosa do capitalismo, a fazerem privatizações dos bens públicos, conseguidos durante o regime socialista.

E para isso, contaram com o apoio de travestidos comunistas, ávidos em se associarem aos grupos externos com a finalidade de fazerem parte da restaurada classe capitalista exploradora.

Hoje, já despertos da embriaguês das privatizações, alguns governantes procuram corrigir os erros cometidos, conseqüentes à medida adotada, fato que irrita sobremaneira a comunidade capitalista.

A Ásia Central, por ser rica em minérios e possuir grandes reservas estratégicas, passou a ser, mais do que nunca, monitorada pelas potências imperialistas que desenvolvem grandes esforços para substituírem seus atuais governantes por outros dóceis a seus interesses, como os que existem na Arábia e adjacências.

Neste sentido, tudo é válido, inclusive se associarem aos grupos radicais islâmicos em outros locais considerados inimigos mortais, com a finalidade de promoverem movimentos subversivos.

Numa atitude agressiva diante dos reveses eleitorais sofridos ultimamente, a OSCE (Organização de Segurança e Cooperação Européia), ponta de lança dos interesses capitalistas, especializou-se  em divulgar denúncias mentirosas sobre fraudes em eleições, mesmo quando ganhadas por margens de votos de 91%.

Tais inverdades têm o mesmo crédito das brandidas na ONU pelos EUA, quanto à existência de armas de destruição em massa no Iraque.

Com o passar do tempo mais se avoluma o sentimento antiamericano na Ásia e, especificamente, nos países da Ásia Central.

Disso é flagrante o pedido e o recebimento, em devolução, das bases arrendadas por quatro países da região aos EUA no início da Guerra do Afeganistão.

Elmo Mambrino