Doutrina do império

Bush contra o Brasil, e a política externa americana

 

Os símbolos da dominação dos Estados Unidos podem se traduzir em demonstração constante de sua presença de força armada para seus amigos e inimigos.

Estão prontos para usar a violência em nome da “liberdade”. Independente do partido que está eventualmente exercendo o governo daquele país.

Esta tem sido uma constante, para demonstrar sua posição de força, a partir da qual estão sempre exigindo ou propondo construção de bases militares (escapamos de uma em Alcântara) nos países onde têm interesses vitais.

As mais recentes são o aumento de bases em territórios da América do Sul. Inclusive o argumento da “fronteira tríplice” - Brasil, Paraguai e Argentina.

Na “luta contra o comunismo”, que foi iniciada logo após o final da II Guerra Mundial, os americanos desenvolveram sua doutrina baseada em tarefas que se propunham e forçavam ou convenciam seus aliados.

Tarefas que tinham como objetivos manter o domínio militar de regiões que, segundo o governo americano, eram vitais aos seus interesses, jogavam com a possibilidade de iniciar uma guerra com bombas atômicas, que dentro de sua doutrina funcionava como um chamariz aos militares de outros países, que eram hostis ao “comunismo”, e que poderiam garantir uma resposta à “agressão” contra os seus interesses, principalmente na Europa, Alemanha, ocupada por forças americanas, e a Coréia, após a guerra, em 1953.

O poder nuclear, neste sentido, funcionava como um magneto, expressando os símbolos do poder imperial. Ninguém resistia a estes apelos.

É dentro deste contexto que se pode considerar a aliança selada pelos militares brasileiros, principalmente aqueles que dominavam nosso Estado Maior, a partir da fundação da Escola Superior de Guerra, com os interesses e doutrina dos Estados Unidos.

As bases militares dos Estados Unidos, construídas nas regiões que eles consideram estratégicas aos seus interesses vitais, sempre tiveram tarefas específicas.

Mas, ao mesmo tempo, estavam subordinadas à doutrina militar padrão, durante a Guerra Fria, “luta contra o comunismo”, e parte da doutrina atual, “luta contra o terrorismo”.

No entanto, na “luta contra o terrorismo” está inserida uma nova doutrina, que estabelece renovadas tarefas de dominação.

A superioridade militar dos Estados Unidos foi elevada, pelos seus estrategistas, ao nível de verdade absoluta, quase onipotente, “onipresente”, está em todos os lugares ao mesmo tempo.

Ou seja, espionar os cidadãos estrangeiros, ao nível de autoridades de governo, até pessoas sem nenhuma militância política.

Para este gênero de espionagem não existem aliados ou amigos, todos são espionados (o caso recente da empresa americana de espionagem que cumpria tarefas de um banqueiro, Daniel Dantas, no Brasil).

O controle das fontes de abastecimento, de energia, água, florestas, rios (fontes de petróleo, de energia elétrica, produção agrícola, etc).

Outro objetivo estratégico, impedir que outros países desenvolvam tecnologias próprias, como, por exemplo, a energia atômica, não só na propulsão de submarinos, navios ou outros equipamentos. Isto porque se torna mais fácil para eles, ao dominar as fontes de energia, exercer pressão e chantagens sobre os países que não dispõem.

Ao mesmo tempo que conservam nas mãos das empresas americanas as possibilidades de unicamente estas criarem novos postos de trabalho e gerarem lucros para o “complexo militar industrial”.

Dentro desta estratégia está embutida também a sabotagem ou retardo de projetos em outros países, aliados, que possam livrá-los da dependência.

No caso do Brasil tivemos duas questões importantes, a pressão sobre as compras governamentais e impedimento do Brasil de desenvolver tecnologia própria (quatro exemplos, construção de um avião a jato, enriquecimento do urânio e construção da plataforma de exploração de petróleo, retardo do nosso projeto da base de lançamentos de portadores de satélites).

No nosso caso, temos mais uma questão que solucionou-se de acordo a gerar grandes lucros para empresas americanas, o caso do projeto SIVAN, os radares da Amazônia.

Finalmente, podemos também constatar dentro dessa visão de dominação, que é uma espécie de motor contínuo, dentro do qual eles se julgam no direito e “dever” de expandir suas bases militares, sua dominação imperial.

É uma espécie de dinâmica que se cria, “o poder pelo poder”, o poder até cansar, quando as cabeças podres da dominação imperialista, burguesa, liberal são racionalizadas, de forma que justifique seu poder inconteste.

Funcionam mais ou menos como aquela frase que estamos cansados de ouvir, “eles tem um governo que merece”.

Os americanos, ou melhor, a burguesia imperialista americana e seus associados, nos países dominados, raciocinam assim, “nós merecemos o poder que temos, porque sem nós só caos, anarquia e governos ditatoriais (sic)”.

Não existe sentença mais absurda e enganosa. Foram estes argumentos que facilitaram a política de privatização das empresas nacionais que se constituíam em obstáculo à expansão imperialista.

“Vendam suas empresas aos nossos interesses”, dizia Margareth Tatcher ou Ronald Reagan. Assim fizeram os governos dos países vassalos.

Aqui uma ressalva, no nosso caso, do Brasil, muitos julgam que nós não somos vassalos dos interesses americanos, o que se constitui apenas em um desejo.

Quanto ao aspecto de explicar por que os americanos constroem uma base militar no Paraguai? Por que o governo paraguaio aceita semelhante tratado? O que une os dois países, neste caso, é o imperialismo, militarismo dos Estados Unidos e a subserviência da classe dominante.

O servilismo do governo do Paraguai está na razão direta do oportunismo dos políticos daquele país. Que de resto, já participou em duas guerras, uma com o Brasil e outra com a Bolívia.

A guerra do Caco foi pelos interesses do petróleo! A força que move a burguesia imperialista dos Estados Unidos, de dominação dos povos da terra, está diretamente ligada aos interesses de suas empresas, dos técnicos, engenheiros, médicos, cientistas.

Em última instância, parece adquirir uma dinâmica própria, um sadismo político de superioridade, semelhante às elucubrações dos nazistas alemães, quando planejaram o domínio da Europa.

A “Neuropa” idealizada por Hitler se transformou nos cérebros da classe dominante dos Estados Unidos, um projeto que pretendem realizar.

Este projeto está apoiado numa estratégia que faz com que os militares dos Estados Unidos pensem a política, em termos militares.

Construir uma base militar significa ampliar os domínios, como na guerra operacional, aumentar a região que dominam e construir novas bases.

Vejam os exemplos: eles queriam a base de Alcântara, depois construíram bases na Colômbia, no Equador, Peru e agora no Paraguai.

O Pentágono está por trás destes planos, com a leniência do Departamento de Estado, dos elaboradores da política externa dos Estados Unidos.

Por essa razão eles precisam de “razões”, motivos, pretextos, para que o império americano seja mantido e ampliado.

A grande maioria das bases americanas são colocadas dentro do contexto de “bases secretas”, proibidas para os cidadãos dos países, e até para alguns setores da opinião pública americana.

O Departamento de Defesa dos Estados Unidos, com suas numerosas agências. Aqui é bom determo-nos no termo “Agência”, que de repente também se transformou numa forma de organização do Estado brasileiro.

A Agência Nacional de Segurança dos Estados (NSA) e o Escritório de Reconhecimento Nacional (NRO) são órgãos secretos de espionagem tanto militar como civil, eles são especializados em espionagem e recursos petrolíferos.

Estas organizações possuem bases “secretas” em todas as partes do mundo. São todas dedicadas a atividades de espionagem.

Estas atividades são “secretas” porque a representação americana nos países onde operam geralmente têm uma cobertura de atividade oficial do país em questão.

Podemos calcular quantos tipos dessa organização existem no Brasil! As informações destas agências são remetidas para os Estados Unidos, ou melhor, para o Pentágono, ou para as bases de espionagem americanas em países aliados preferenciais, como Inglaterra, por exemplo.

Tudo dentro do âmbito das telecomunicações (a estratégia de privatização das nossas telecomunicações seguiu uma variante militar não só comercial, como dizem os entreguistas).

As conversas telefônicas, o correio eletrônico, todas as formas de comunicação pela internet, a emissão de fax, telegramas, todas estas são controladas, em sua grande maioria, pela Intelsat, Comunicações Internacionais via satélite.

Os militares americanos controlam estas emissões, com seus aparelhos de escuta. Estas, em essência, são as bases sob as quais o império exerce o seu controle.

Para se livrar disso, cada país tem que ter os seus próprios meios de comunicações. Seus próprios satélites, seus próprios centros de lançamentos, enfim, sua independência. Fora disso, falar em colaboração é conversa fiada!

Antonio Duarte