Até sempre ao ator brasileiro Ivan Setta
Até sempre ao ator brasileiro Ivan Setta
Por: Bianka de Jesus
O ator Ivan Setta faleceu no dia 6 de abril de 2001, aos 55 anos, no Instituto do Câncer de Vila Isabel/RJ.
O Jornal INVERTA o entrevistou em abril de 1999 quando Ivan atuou no filme “Tiradentes”, de Oswaldo Caldeira, onde mais uma vez deu um show de interpretação, imortalizado no cinema, onde atuou em vários filmes como “Lúcio Flávio, o passageiro da agonia”; “A extorsão”.
Ao INVERTA, Ivan, com 40 anos de carreira, destacava entre os seus vários trabalhos, a primeira montagem de “Ubu Rei”, de Alfred Jarret, com direção de Jaime Ratto, onde então com 25 anos, foi premiado. Coadjuvante de ouro, como se autodenominava, Setta, tornou-se conhecido pelo grande público por seus personagens na televisão. Como o Aristide, de “Grande Sertão Veredas”.
Grande crítico do padrão “ariano” das emissoras de tevê , que exclui talentosos atores e atrizes que não se enquadram no tipo físico: “(...)se você não tiver um monolito de cabelo louro, olhos azuis e bonitinho, fica difícil a televisão te chamar. Não existe pai, marido, padrasto com cicatriz no nariz, não existe uma mulher bonita que tenha um defeito físico; na tevê, todo mundo é lindo. Vejo pessoas na rua, talentosas, precisando trabalhar e sem ter a mínima chance (...)”.
Sobre um comentário do companheiro de profissão, Rogério Fróes, de que “o cinema é arte do diretor, o teatro é a arte do ator e a tevê, a do patrocinador”, Ivan riu muito e concordou com o amigo: “Na televisão, o que importa é o ibope. Se você abaixar a cabeça para o sistema, acabará por ser engolido. Eu sou do tipo de ator que brigo até o fim. E enquanto tiver um suspiro dentro de mim, que seja verdade, vou lutar por minha arte, pelo que aprendi e pelo que tenho que mostrar. Eu não sou mentiroso. Sou um ator Brasileiro”.