Operação “Choque de Ordem” no Rio de Janeiro
Essa matéria foi publicada na Edição 432 do Jornal Inverta, em 27/01/2009O novo prefeito da cidade do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, começou o ano de 2009 mostrando qual será a política adotada por seu governo com relação ao povo. Ele e o secretário de Ordem Urbana Rodrigo Bethlen, a partir do dia 5 de janeiro, iniciaram a operação chamada de “Choque de Ordem”, que entre outras coisas, reprime o mercado informal, e ocupações urbanas, em diversos pontos da Zona Sul, Zona Oeste, Centro e Grande Tijuca. Trabalhadores protestam e denunciam abuso de poder.
Meio de sustento de várias famílias são jogados no lixo na operação “Choque de Ordem” levada a cabo pelo novo prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes. (foto: Felipe Bottona)
Operação “Choque de Ordem” no Rio de Janeiro
O novo prefeito da cidade do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, começou o ano de 2009 mostrando suas garras e qual será a política adotada por seu governo com relação ao povo. Ele e o secretário de Ordem Urbana, Rodrigo Bethlen, a partir do dia 05 de janeiro iniciaram a operação chamada de “Choque de Ordem” em diversos pontos da Zona Sul, Zona Oeste, Centro e Grande Tijuca, que tem todas as características de uma medida fascista. “É uma operação para quatro anos. É uma postura de governo. No início tem que ter um choque de cultura maior para as pessoas entenderem que é bom para a cidade que as regras sejam cumpridas”, disse o prefeito do Rio. Já Rodrigo Bethlen, pediu compreensão à população, alegando de modo fascista que as medidas têm o caráter de devolver aos cidadãos os espaços públicos ocupados ilegalmente, “tanto por mendigos quanto por meninos de rua”. Esta operação contou com o apoio do governo estadual, que cedeu policiais para apoiar os 1.500 agentes municipais, mais de 40 veículos incluindo carros, caminhões reboques, ônibus e micro ônibus sob o pretexto de realizar uma “limpeza urbana”.
A tal da limpeza está caracterizada pela retirada de crianças abandonadas e de moradores de rua, comércio considerado ilegal (que podemos traduzir como comércio informal), motoristas infratores sem documentação, entre outras coisas. Em toda a cidade crianças foram levadas, prédios demolidos, carros e vans rebocados, lojas fechadas, mercadorias apreendidas, depósitos fechados, disseminando o terror entre a população pobre que além de ter que lidar no seu dia-a-dia com as misérias deste sistema econômico perverso, ainda perderam suas casas e instrumentos de trabalho.
A equipe do INVERTA acompanhou de perto uma dessas operações realizadas no Centro da cidade, na Rua do Riachuelo, onde agentes da Prefeitura, da Companhia Municipal de Limpeza Urbana (COMLURB), policiais e a guarda municipal entraram na ocupação Carlos Marighella, que abriga hoje aproximadamente 65 famílias, quase todas trabalhadoras do comércio informal (ambulantes) e presenciou a truculência com a qual esta operação foi realizada e o desespero dos moradores que viram todo o seu instrumento de trabalho ser carregado em caminhões de lixo. A operação começou cedo, ao redor das 08 horas da manhã e terminou somente 12 horas depois. Um jovem que não pertencia à ocupação, mas que se solidarizou com os moradores, foi agredido por um policial e depois levado à delegacia. Com medo da violência policial, os moradores decidiram agüentar aquela humilhação e ficaram do lado de fora do prédio, que estava cercado por fitas colocadas pela guarda, assistindo seus pertences serem levados. Os pais e mães de família, com lágrimas nos olhos e sensação de impotência, diziam aos agentes que esta postura por parte da Prefeitura os deixam sem opção, que o material levado é o que garante o sustento de suas famílias.
Esta operação, que visa deixar a cidade “limpa” para os turistas, já que estamos em período de férias e se aproxima o Carnaval, demonstra o descaso e a truculência por parte dos governantes recém eleitos com relação à população. Utilizam a violência e o roubo ao invés de desenvolverem políticas públicas que auxiliem na questão da moradia, do emprego, da saúde e da educação que garantam as condições para que as pessoas possam ter uma vida digna.

