A falta de saneamento básico no Brasil

Segundo fontes do Ministério das Cidades de 2004, menos de 50% da população brasileira tem o saneamento básico satisfatório, sendo que a maioria dos locais atendidos com este serviço está nas grandes cidades do país. O desperdício de água pelas companhias concessionárias é muito grande, a capital com a maior taxa de perdas das fontes dos mananciais até o consumidor final é Porto Velho, em Rondônia, com 78,8% de desperdício e é a capital com menor cobertura aos seus habitantes.

A falta de saneamento básico no Brasil


Segundo fontes do Ministério das Cidades de 2004, menos de 50% da população brasileira tem o saneamento básico satisfatório, sendo que a maioria dos locais atendidos com este serviço está nas grandes cidades do país. O desperdício de água pelas companhias concessionárias é muito grande, a capital com a maior taxa de perdas das fontes dos mananciais até o consumidor final é Porto Velho, em Rondônia, com 78,8% de desperdício e é a capital com menor cobertura aos seus habitantes.

Das 27 capitais brasileiras 15 perdem mais da metade da água produzida, esta quantidade daria para abastecer 38 milhões de pessoas por dia, sendo a média de consumo nas capitais de 150 litros por habitante diários. Os locais com maior consumo são: Rio de Janeiro, Vitória e São Paulo, que chegam a gastar 220 litros por habitante ao dia, a ONU recomenda 110 litros por pessoa diariamente. Em termos de volume de água, o Rio de Janeiro tem a maior perda, com um total de 618 piscinas olímpicas por dia; São Paulo é segunda cidade com maior perda 425 piscinas olímpicas, que corresponde a 14% do total em volume. O acesso à rede de esgoto não atende a 30% da população das grandes cidades brasileiras que é aproximadamente 13 milhões de pessoas e mais da metade não tem este serviço essencial e 80% dos esgotos são lançados diretamente nos rios. Algumas cidades como Manaus, Belém e Rio Branco atendem a menos de 3% da população que nela reside, com rede de esgoto, enquanto os maiores índices de tratamento de esgoto são: Brasília, Curitiba e Rio de Janeiro, com mais de 60% de cobertura no serviço.

A saúde da população brasileira mais pobre é sacrificada com esses índices alarmantes de falta de cobertura de saneamento básico e as doenças que poderiam ser evitadas com esses investimentos na rede de abastecimento de água e de coleta esgoto é um problema que irá persistir por várias gerações no Brasil. As obras necessárias para resolver este problema são caras e não aparecem na hora das eleições e a nova lei de saneamento básico traça uma série de diretrizes para os investimentos no setor e essa legislação demorou vários anos para ser aprovada no Congresso Nacional e mais de R$ 50 bilhões por ano são necessários para que em 15 anos o problema seja solucionado e que as doenças decorrentes da falta de infra-estrutura nas cidades brasileiras tenham uma queda significativa em médio prazo. A privatização do saneamento básico é um erro, mas para que seja implementada completamente terá que haver uma decisão do STF para resolver a questão de quem a titularidade das concessões para a exploração deste tipo de serviço de estados ou municípios.

Carlos Amâncio