SINTUPERJ em greve!

Servidores denunciam destruição das universidades públicas estaduais

Os trabalhadores das universidades públicas estaduais do estado do Rio de Janeiro encontram-se em greve desde julho. Segundo Maria do Socorro, diretora do Sindicato que congrega cerca de sete mil trabalhadores, lutando para garantir um direito constitucional; reposição salarial anual, o plano de cargos e salários, já que os profissionais são concursados e têm muitos anos de universidade, cursos de pós-graduação; e não tem, por parte da governadora, seus direitos respeitados. Além disto, há uma pauta conjunta construída por alunos, professores e técnicos que buscam garantir a qualidade para a universidade e para tudo o que ela produz. "Temos cobrado, todos os anos do governo e da reitoria, o cumprimento do que é essencial, e não tem havido nenhum retorno positivo".


“Nosso sindicato representa os trabalhadores da UERJ e da UENF, que é a Universidade do Norte Fluminense, e nossas reivindicações sempre passam pelas condições de trabalho péssimas e que, com corte de verbas e o sucateamento, cai na questão que é a substância da universidade: a produção do conhecimento e a qualidade na formação de médicos, enfermeiros, dentistas. No ano passado, o corte de verbas do Hospital Universitário Pedro Ernesto (HUPE) chegou a 100%. No entanto, a governadora faz política eleitoreira provocando demandas sobre o Hospital sem dar o suporte. Faz campanha em relação às cotas para afro-descendentes, portadores de deficiência, mas não libera recursos; os alunos tem abandonado os cursos por falta de condições financeiras de se manterem, pois a universidade não foi preparada nem academicamente, nem estruturalmente para esta demanda. O estado de sucateamento do Hospital é tal que chega-se a operar com sacos plásticos no lugar de luvas; os trabalhadores concursados e qualificados estão sendo substituídos por  contratados em condições precárias, apenas nos momentos de greve, sem avaliação. A administração da universidade se tornou uma extensão do governo Rosinha–Garotinho, pois não abre concurso público, mas contrata mão-de-obra terceirizada. As péssimas condições de trabalho, infiltrações nas salas, aliadas aos baixos salários e condições de trabalho aviltantes levam ao stress. Necessitamos levar estas denúncias além dos muros da universidade. O que acontece com o Hospital Pedro Ernesto, ocorre com todos os outros hospitais universitários do país. Vivemos apenas com a verba do SUS que é insuficiente, como é um hospital de formação profissional, tem que investir em maquinário, em tec-nologia. Como há um su-cateamento da rede de saúde municipal e estadual, recebemos uma demanda maior da população. Os profissionais qualificados adoecem por causa das péssimas condições de trabalho, os que ficam são sobrecarregados, pois além de seu trabalho, são obrigados a supervisionar o trabalho dos contratados, que também enfrentam relações de trabalho precarizadas, sem nenhum direito trabalhista respeitado"; denuncia Armando, secretário de enfermaria do HUPE.


Segundo Débora, também do comando de Greve, uma assembléia definiu que não haveria  fechamento do período nem abertura de novo período, assim como manutenção interna da rede, uma maneira de forçar o governo a abrir efetivamente negociações. Por isto os trabalhadores ocuparam o Departamento de Informática da UERJ (DINFO): “Estamos enfrentando dificuldades em dois planos, no federal e no estadual. O governo federal vem tentando implantar uma reforma de cima para baixo, desconhecendo as reivindicações do movimento docente e da universidade pública. As lideranças, não vem fazendo reivindicações de pequenos grupos mas traduzindo as aspirações e tentando superar as frustrações acumuladas. Um ponto que quero chamar atenção é o fato de que os servidores estão sendo sofrendo injustiças".


O INVERTA conversou com o professor da Faculdade de Direito da UERJ e coord. do grupo de pesquisas "Gestão Urbana e Direito Ambiental" Ronaldo Coutinho, secretário da Asduerj (Associação dos Docentes da UERJ) sobre a greve: “não vou falar como primeiro-secretário da Asduerj, pois esta não será uma posição da entidade, mas exclusivamente pesssoal; falo como professor universitário com mais de quarenta e dois anos de militância e magistério. As universidades públicas estão enfrentando uma séria dificuldade. O próprio projeto de reforma que o governo federal vem tentando implantar de cima para baixo desconhece as mais caras reivindicações do movimento docente e da universidade pública; as lideranças de movimento não estão fazendo reivindicações de um pequeno grupo, elas estão traduzindo as aspirações acumuladas da universidade, o governo estadual tem insistentemente ignorado todas as tentativas conciliatórias não só por parte dos professores, que tentaram estabelecer uma estratégia de negociação, mas também dos servidores, que profundamente desrespeitados porque eles acreditaram numa possibilidade acenada pelo governo do estado, que é a implantação do Plano de Cargos e Carreira (PCC), que implica uma modificação qualitativa fundamental para a vida institucional dos servidores que estão sendo des-qualificados de uma maneira absolutamente injusta, inclusive por pequeno grupo de professores que se supõem donos da universidade, tanto quanto donos da verdade, mas não passam de meras marionetes do neoliberalismo e do imperialismo como sempre foram, só que agora se organizaram numa militância voltada contra qualquer tipo de luta da universidade por suas conquistas democráticas. Os nossos servidores são pessoas preparadas sob vários aspectos, são politizadas, pensam na instituição e sempre se devotaram à universidade, e professores como eu e outros que pensam assim não somos baixo clero como alguns vão dizer, temos titulação, produção acadêmica e uma inserção na universidade, só não abrimos mão é da nossa militância, eu particularmente nesse momento estou inteiramente solidário com o movimento dos servidores”.

Gilka Sabino

Celi