Mês da Consciência Negra no RJ homenageia o líder Zumbi dos Palmares e Tia Ciata

O dia 20 de Novembro de foi instituído pela lei 10.639/2003 como o Dia Nacional da Consciência Negra e na cidade do Rio de Janeiro várias atividades foram realizadas durante todo o mês de novembro, destinadas à valorização da cultura afro-brasileira.

O mês de novembro se destinou à valorização da cultura negra e muitos foram os eventos realizados na cidade voltados para a cultura afro-brasileira.

 

O Conselho Estadual dos Direitos dos Negros (CEDINE) realizou, entre os dias 7 e 11 de novembro, na Biblioteca Parque Estadual, no Rio de Janeiro, a FLIN (Feira da Literatura, Ideias e Negócios), dando visibilidade aos artesãos, escritores, artistas plásticos e empreendedores afrodescendentes, atividade que contou com a presença das escritoras negras Conceição Evaristo e Djamila Ribeiro, que abrilhantaram o evento. A Casa França Brasil também promoveu a mostra Cartografia da Africanidade Brasileira: lugares, expressões e saberes, idealizada pelo historiador Marcus Monteiro, diretor-geral do Instituto Estadual de Patrimônio Cultural (Inepac), que expôs um acervo diverso com mais de 500 itens, como esculturas em bronze, utensílios de cozinhas e ferramentas de trabalho, e um relicário de quase um metro, para refazer caminhos percorridos pelos africanos. O evento contou também com uma palestra intitulada Nas Fronteiras da Invisibilidade: O Instituto Pesquisa e Memória Pretos Novos – Museu de um outro amanhã, tendo como palestrante Cláudio de Paula Horonato.

 

O dia 20 de Novembro foi instituído pela lei 10.639/2003 como o Dia Nacional da Consciência Negra, e a cidade do Rio de Janeiro não deixou passar em branco uma data de suma relevância para a comunidade negra do estado. As festividades iniciaram às 5 horas da manhã, com queima de fogos (alvorada), roda de capoeira e a lavagem feita pelas baianas no monumento de Zumbi dos Palmares, que fica na avenida Presidente Vargas, na altura da Praça Onze, no centro do Rio.

 

Muitas foram as atrações no transcorrer do dia, como os grupos Afoxé Filhos de Gandhi, Bloco Barra Ventu, Bloco Afro Orunmilá, Afoxé Okambi, que homenagearam o grande líder Zumbi - ícone da resistência contra a escravidão no Brasil; o famoso Cortejo da Tia Ciata, com a participação da Escola de Samba Mirim Pimpolhos da Grande Rio e Gracy Mary (bisneta de Tia Ciata), que compareceu com os seus remanescentes e baianas tradicionais; Fina Batucada e Mestre Riko, Batuke da Tia Ciata, Mestre Dionísio, da Escola de Mestre Sala e Porta Bandeira; Lais Salgueiro, do Grupo Maracutaia, e Brilhantes do Maracatu do Rio de Janeiro, além de Mestre Maurício Soares, da Nação Estrela Brilhante do Recife. O evento contou também com ato inter-religioso, desfile de moda e concurso, e a coroação da Miss Cedine.

 

Segundo Luiz Eduardo Negrogun, presidente do CEDINE, a realização do evento vem de encontro à força e resistência da luta contra o racismo, contra a intolerância religiosa e qualquer outra forma de perseguição. “O nosso lema contra o racismo se baseia no amor e na união”; ressaltou o presidente da instituição.

 

De 21 a 24 de novembro aconteceu o Seminário Quilombo, na sede da OAB–TRF/RJ 2ª Região, iniciando com a exposição Mãos Negras, dos artistas Maria do Rosário e Claudio Kfé; no dia 23, o evento ocorreu no salão nobre da sede do TRF, onde foi realizada palestra sobre aspectos políticos, jurídicos e políticas públicas inclusivas dos Quilombolas; no dia 24, aconteceu o cortejo, com concentração no Museu de Artes do Rio de Janeiro, que se dirigiu à sede do TRF, onde foi recebido pelo desembargador André Fontes e pelo presidente da Comissão Nacional da Verdade da Escravidão Negra no Brasil, o doutor Humberto Adami, para descerramento de placa alusiva de reconhecimento de vestígios de ancestrais africanos na região chamada Pequena África.

 

O ritual ecumênico inter-religioso, presidido pelo sacerdote de matriz africana Oje Braga, foi realizado no saguão do prédio do TRF e contou com a presença de representantes de diferentes segmentos religiosos, como católicos, judeus, religiões de matrizes africanas e espíritas, evangélicos, etc. O ato vem de encontro à confirmação da luta dos movimentos negros, como a Unegro e a Comissão Pequena África, em relação ao respeito com os restos mortais dos ancestrais africanos que ali se encontram enterrados. De acordo com a presidenta da Unegro, Claudia Vitalino, todo o contexto envolvendo a luta e resistência da história da passagem dos ancestrais negros no Rio de Janeiro é questão de reparação. A mesma linha de pensamento seguem Adriana Odara Martins e Luiz Eduardo Negrogun, representantes da Comissão Pequena África, Sebastiana Braga e Flavia Pinto Ribeiro, representantes da Cevenb-RJ (Comissão Estadual da Verdade da Escravidão Negra no Brasil, da OAB-RJ), onde ressaltaram a importância do ato inter-religioso e o momento chave do evento, no âmbito do contexto de enfrentamento ao racismo e ações de reparação da escravidão.

 

Marluce Lopes