Arcángeles, um livro de leitura obrigatória

Escrito por Paco Ignacio Taibo, Arcángeles revive a vida de 12 revolucionários de quem poucas vezes ouvimos falar. Ele nos conecta com os aspectos mais singelos da vida de cada um e com os atos que fizeram e os quais não podemos nos esquecer; nos lembra que as derrotas fazem parte dos processos de luta e que são tão heróicas quanto as vitórias.

A história é contada de várias formas. Sempre há uma história oficial que aprendemos na escola infantil, a qual reafirmamos mais adiante no colégio e se torna certeza nas salas de aula para aqueles que têm acesso à universidade, ou simplesmente para aqueles que aprendem com o que diz a televisão e, hoje em dia, com o que se publica na internet. Há também a história que nos é transmitida pelos mais velhos; também está aquela que vamos descobrindo através de nossa própria pesquisa e, claro, também tem a história que nós vamos construindo. A história dos processos de luta e de resistência de cada povo é sem dúvida uma mistura de tudo isso e que exige muito mais esforço. Compartilhar então a leitura de Arcángeles se torna uma tarefa obrigatória para aqueles que procuram e encontram na história novas razões para seguir lutando.

 

Escrito por Paco Ignacio Taibo, Arcángeles revive a vida de 12 revolucionários de quem poucas vezes ouvimos falar. Ele nos conecta com os aspectos mais singelos da vida de cada um e com os atos que fizeram e os quais não podemos nos esquecer; nos lembra que as derrotas fazem parte dos processos de luta e que são tão heróicas quanto as vitórias.

 

Nas páginas de Arcángeles encontramos o espectro completo da esquerda. Está Juan Rulfo Escudero, um mexicano social-democrata que enfrentou a burguesia espanhola e que teve que ser assassinado duas vezes pelos grupos de poder. Encontra-se Federico Adler, o social-democrata austríaco que recorreu ao assassinato de um conde que planejava a reconstrução do autoritarismo estatal e que, através desse ato desesperado, pretendia chamar a atenção para evitar a guerra e a morte de milhares de pessoas. É relatada a breve construção do Sindicato de Pintores e da expressão cultural de resistência que este grupo representou no México, liderado por Diego Rivera. Conta-nos sobre Larisa Reisener e seu jornalismo revolucionário na União Soviética. Fala de San Vicente, um velho espanhol bakunista que foi parte da luta mexicana até ser deportado. Conta-nos sobre Adolfo Ioffé, um marxista bolchevique que se suicidou ao ver a transformação do projeto na URSS. Traz-nos a passagem de um anarquista de ação no México. Conta-nos a história de um anarquista gandhiano que acreditava no poder da palavra e usava esta arma na publicação constante de jornais, e que só se apagou no dia de sua morte depois de uma brutal repressão estatal. Traz à tona Max Hölz, um comunista alemão que ajudou na construção do exército no processo revolucionário da Alemanha Central. Leva a descobrir Peng Pai, um construtor da revolução agrária chinesa. Lembra a batalha de Guadalajara, na guerra civil espanhola. Por último, revive a história de um homem que começou sua luta no processo revolucionário cubano e chegou à África para barrar blindados em Angola.

 

Arcángeles narra através da literatura o que a história deixou de contar. Retoma processos e histórias que parecem contos mas que são no fundo memória coletiva daquelas lutas populares. É um livro que fala de personagens que se mantiveram na sombra e que através do livro podemos conhecer. Sem dúvidas, um livro de leitura obrigatória.

 

Ulkira Borges