Em defesa da Petrobrás que é parte do Brasil

A queda de Pedro Parente da presidência da Petrobrás foi a gota d’água de um processo de marketing negativo da maior empresa do Brasil junto a opinião pública nestes últimos anos. O massacre dos escândalos de corrupção que ocorreram na Petrobrás pela mídia conservadora e pelo judiciário partidarizado mexeram com os brios dos funcionários da companhia e da população em geral.

A queda de Pedro Parente da presidência da Petrobrás foi a gota d’água de um processo de marketing negativo da maior empresa do Brasil junto a opinião pública nestes últimos anos. O massacre dos escândalos de corrupção que ocorreram na Petrobrás pela mídia conservadora e pelo judiciário partidarizado mexeram com os brios dos funcionários da companhia e da população em geral.

O combate à corrupção deve ser uma bandeira não somente dos agentes públicos, mas também de toda a sociedade e da classe política em particular, e deve ser punida de forma exemplar, custe a quem custar. Porém, o discurso moralista de nossas elites dirigentes contra os desvios nas empresas estatais encobre o real objetivo deste processo, que é a privatização dos ativos do Estado para aumentar os lucros da iniciativa privada, principalmente do capital estrangeiro. As mensagens da grande imprensa, de ineficiência dos monopólios estatais, gerando corrupção e má prestação de serviços à maior parte da população é uma falácia que esconde a tentativa de desvalorização das empresas no mercado para serem adquiridas a preço de banana pelo investimento privado.

O péssimo serviço prestado por uma série de atividades do setor privatizado como a telefonia, que bate recordes de reclamações dos consumidores nos Procons, os planos de saúde particulares e a previdência privada também são grandes alvos de reclamações da maioria da população que os utiliza no seu dia a dia. Na verdade, o Estado não tem condições de fiscalizar a prestação da maior parte dos serviços concedidos ao setor privado, que fica ao sabor do mercado que faz o que quer para obter lucro.

Apesar do discurso da imprensa comercial de que a Petrobrás está quebrada devido à corrupção, os números do Fatos e Dados da própria empresa evidenciam o contrário. Em 2014, o valor de mercado da Petrobrás era de US$ 105 bilhões, enquanto em 2002 valia US$ 15,5 bilhões, um aumento de 6 vezes em 12 anos. Este ano, a estatal produzirá 3,2 barris de petróleo por dia e em 2020 4,2 milhões. O Plano de Negócios e Gestão para o período 2014-2018 prevê investimentos de 220 bilhões. O total desviado da Petrobrás apurado pela Operação Lava Jato representa somente 1% do lucro da empresa em seu faturamento. A corrupção na companhia tem mais a ver com o financiamento das campanhas eleitorais do sistema político e partidário no Brasil do que um processo sistêmico neste tipo de atividade, como querem fazer crer os arautos da moralidade pública em nosso país.

As elites sempre saquearam o Brasil desde a nossa descoberta em 1500, e sua falta de caráter e patriotismo foi a maior herança deixada na formação social e política do país.

Bento Pereira