A guerra comercial entre os Estados Unidos e o restante do mundo

A política isolacionista norte-americana está criando problemas para a economia global. As taxações dos produtos e serviços da China e de mais uma série de nações do planeta pode levar a uma guerra comercial de graves proporções.

A política isolacionista norte-americana está criando problemas para a economia global. As taxações dos produtos e serviços da China e de mais uma série de nações do planeta pode levar a uma guerra comercial de graves proporções. Pequim já retaliou os EUA na taxação das importações e a queda de braço entre os dois antigos parceiros comerciais promete mais capitulos. A alta do dólar no Brasil é uma demonstração de que o mundo está em crise econômica e financeira e isto pode fazer a liquidez de recursos internacionais ter uma queda forte a médio prazo. As bolsas de valores em todos os lugares estão com grandes oscilações.

Um ditado antigo dizia que quando Wall Street espirra o restante do mundo pega uma pneumonia. Mas, com a ascenção da China como player internacional as coisas mudaram de figura e o jogo é mais duro para a maior economia do planeta, que precisa tomar cuidado para não se arruinar pensando dar as cartas sozinho no tabuleiro global. Em março, os EUA impuseram à China tarifas de 25% sobre o seu aço e 10% sobre o alumínio não somente do gigante asiático, mas também de várias economias. A China devolveu com taxação de 15% e 25% sobre a carne de porco e produtos no valor de US$ 3 bilhões. Em 15 de junho, os EUA anunciou uma sobretaxa em relação a produtos chineses no valor de US$ 50 bilhões, sendo que a lista afeta a política industrial chinesa com alto valor agregado, como a indústria aeroespacial, robótica, informática, novos materiais e automóveis. Os chineses retaliaram com tarifas em US$ 34 bilhões sobre produtos dos EUA como soja, carnes, laranja, petróleo, gás e equipamentos médicos.

Segundo Paul Krugman, Nobel de Economia, esta disputa comercial pode fazer o comércio global cair em volume em mais de 70% e, mais ainda, o PIB cairia dos atuais 56% para 20%, o que não acontecia desde a década de 1950. O que seria um retrocesso de 60 anos de liberalização das trocas comerciais no mundo. Seria algo parecido com a década de 30, quando o comércio mundial caiu de US$ 5,3 bilhões em 1929 para US$ 1,8 bilhões, uma queda de 66% na época. De 19% do PIB mundial caiu para 10%, menos da metade do século XIX, ou seja, uma queda de 2% na economia global.

A política externa do governo golpista de Michel Temer de alinhamento com os EUA é, além de burra, uma traição, pois a abertura da Cessão Onerosa do Pré-Sal que doa às empresas petrolíferas estrangeiras mais de 70% da Bacia de Santos é um tiro no pé. Todo o projeto de um desenvolvimento autônomo do Brasil, com uma política industrial gerando empregos no país está acabada. Agora as plataformas e equipamentos estão sendo fabricados em outros países, gerando renda e postos de trabalho no exterior. É a mais clara demonstração da elite do atraso, e, mais ainda, da classe cominante do fracasso, que tem uma mente que reverbera o complexo de vira-lata na sociedade brasileira. (JCFL)