Em Memória de Ronaldo do Livramento Coutinho

A trajetória de Ronaldo do Livramento Coutinho se associa à de tantos lutadores que souberam resistir aos duros e ásperos tempos da ditadura que cobriu o Brasil de dor e sofrimento a partir de 1964.

A trajetória de Ronaldo do Livramento Coutinho se associa à de tantos lutadores que souberam resistir aos duros e ásperos tempos da ditadura que cobriu o Brasil de dor e sofrimento a partir de 1964.

Exerceu essa posição nos espaços limitados que a vida acadêmica permitia nesses tempos de cerceamento à liberdade e ao Estado democrático de direito. Soube conjugar rigorosidade acadêmica e compromisso com os que sofrem e padecem das agruras do capital. Enfrentando os riscos dessa opção, participou de inúmeros encontros e seminários em Nova Iguaçu, Baixada Fluminense, no estado do Rio de Janeiro. Participou da Resistência Operária ao arbítrio e em defesa dos direitos sociais negados à grande maioria do povo pobre brasileiro. Para lembrar apenas alguns desses eventos, citemos os seminários sobre o Plano Real em 1986 e o Seminário “Socialismo Vive”, em 1989.

Desse movimento de intelectuais comprometidos com o proletariado participaram, além de Coutinho, Aluisio Pampolha Bevilaqua, José Nilo Tavares e tantos outros, com afinidades políticas e ideológicas construídas a partir do convívio na Universidade Federal Fluminense (UFF). Em 1988, o Centro de Educação Popular e Pesquisas Econômicas e Sociais (CEPPES) é fundado, constituindo-se em polo de aglutinação do trabalho de formação e educação política. Em 2003, Ronaldo é eleito presidente da entidade e participa ativamente do I Seminário Internacional de Lutas contra o Neoliberalismo, realizado no mesmo ano, parte na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e parte na Associação de Moradores do Jacarezinho, em comemoração ao aniversário do jornal INVERTA, e que desde então se converteu em importante trincheira da luta anti-imperialista, anticapitalista e pelo socialismo.

Como sociólogo e pensador político elegeu muito cedo V. I. Lênin como grande alvo de seus estudos, sendo responsável por manter presente a contribuição científica deste autor, marchando na contramão dos modismos e caminhos fáceis. Já em 1963, publicara artigo sobre Lênin e a Revolução Proletária, tema que o acompanhou por toda a vida política e acadêmica.

Na área de Sociologia do Direito foi professor na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e responsável por estudos pioneiros sobre direito ambiental. 

O rigor acadêmico e o compromisso com a revolução social de Ronaldo nos farão falta, especialmente neste momento em que a limitada democracia foi novamente golpeada entre nós. Mas permanece seu exemplo e a obra teórica legada.

Ronaldo do Livramento Coutinho, Presente!

CEPPES