Presidenta Dilma Rousseff fala na Assembleia de Minas Gerais

Dilma Rousseff fala de impeachment, desigualdade e misoginia

A Comissão Extraordinária das Mulheres da Assembleia Legislativa de Minas Gerais realizou no dia 11 de dezembro, uma audiência pública para tratar sobre a importância das mulheres na luta contra as desigualdades. Onde a presidenta foi convidada a falar sobre participação feminina na política. A comissão é presidida pela deputada Marília Campos (PT).

Movimentos Sociais e o Comitê pela Anulação do Impeachment de Minas Gerais se fizeram presentes na audiência pública para prestigiar a presidenta Dilma. Antes do início da reunião manifestantes ligados ao “patriotas” entrou em confronto com os defensores da presidenta Dilma.

Em sua fala, a presidenta diz que “Não haverá democracia verdadeira no Brasil se não tratarmos das desigualdades do país. Das desigualdades de gênero, sim, mas também das sociais e de renda”.

Dilma destacou a importância das mulheres nas políticas de distribuição de renda do seu governo e a linguagem machista utilizada por seus adversários no processo de impeachment. Ela afirmou, ainda, que as consequências da deposição de uma presidenta são nefastas para todas as instituições democráticas e imprevisíveis até para quem a defendeu.

Para Dilma, mulheres são essenciais na luta contra a desigualdade social e destacou que 94% das pessoas que recebiam Bolsa Família durante o seu governo eram mulheres. Ela afirmou ainda que, das mais de 36 milhões de pessoas que saíram da pobreza extrema no país durante os governos do PT (2003-2016), 54% eram mulheres e 78% eram negros.

Segundo Dilma, ela não foi deposta por ser mulher, mas por ser uma mulher com um projeto político de redução da desigualdade. A prova disso seria, para ela, as reformas que se seguiram. “Isso está expresso na PEC do teto orçamentário, transformada na Emenda Constitucional 95, de 2016. Quem precisa de escola pública, de saúde pública é o pobre; é ele que sofre com o fim dos investimentos”, enfatizou.

Participou da audiência pública as ex-ministras Eleonora Menicucci e Nilma Gomes.

A ex-ministra da Secretaria de Políticas para as Mulheres, Eleonora Menicucci, afirmou que desde o “golpe” a violência contra a mulher tem aumentado. Para ela, o atual governo vem promovendo um desmonte nas políticas públicas para o enfrentamento desse problema.

A ex-ministra das Mulheres, Igualdade Racial e Direitos Humanos, Nilma Gomes, ressaltou que o “golpe” teria promovido um agravamento da pouca representatividade das mulheres na política institucional. “Essa ausência se dá principalmente de mulheres negras, indígenas e quilombolas, que precisam superar o racismo e o patriarcado existentes no país”, lamentou.

A coordenadora do Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre a Mulher (Nepem-UFMG), Marlise Mattos, foi contundente em seu pronunciamento, ao afirmar que o golpe ataca os direitos e tem por objetivo implementar a política neoliberal em nosso país.
Ainda em sua fala, acusou o Estado de condenar professores sem o devido processo legal e de promover um ataque à livre produção de conhecimento nas universidades. “Todos perderam com o golpe, principalmente as mulheres”.


Sidnei Martins