As manobras militares na Amazônia e a visita de Evo Morales ao Brasil

Depois de criticar com veemência o impeachment de Dilma Rousseff, o presidente da Bolívia, Evo Morales, fez sua primeira visita oficial ao Brasil, nesta primeira semana de dezembro, com Michel Temer como presidente.

Depois de criticar com veemência o impeachment de Dilma Rousseff, o presidente da Bolívia, Evo Morales, fez sua primeira visita oficial ao Brasil, nesta primeira semana de dezembro, com Michel Temer como presidente. No brinde no jantar diplomático oferecido pelo Itamaraty, o líder boliviano defendeu as boas relações com o Brasil, maior parceiro comercial do vizinho andino, que em 2016 alcançou em trocas de mercadorias, entre outros interesses, um total de US$ 2,8 bilhões (R$ 9,1 bilhões). Foram assinados vários convênios entre os dois parceiros, como o Corredor Ferroviário Bioceânico, que é de interesse não só dos dois países, mas também da China, para que as exportações cheguem mais rápido ao Oceano Pacífico passando pelo território do Peru, que daria uma economia de 22 dias e 4 mil quilômetros.

Mas a grande realidade é que o verdadeiro objetivo desta visita foi criar uma política de distensão com o Brasil logo após as manobras militares na Amazõnia, no início de novembro, da qual participaram Brasil, Peru, Colômbia, e com o apoio dos EUA. O efetivo de tropas envolvidas nesta operação girou em torno de 2 mil homens dos quatro países, sendo 1.533 brasileiros, 150 colombianos, 120 peruanos e 30 estadunidenses. O teste para a criação de uma Base Militar Logística em Tabatinga (AM), fronteira com a Colômbia (Letícia) e Peru (Santa Rosa), foi denominada de Amazonlog 17 e tem supostamente o objetivo oficial de atender a emergências humanitárias, como terremotos, secas e enchentes, entre outras catástrofes na região, mais específicamente na Colômbia e na Venezuela.

O recado do irmão do norte foi dado aos nossos vizinhos bolivarianos, por isso Evo Morales tenta criar um diálogo com o país sede das manobras militares, no caso o Brasil. A maior operação militar na AL em época de paz é uma clara demonstração do tom belicista dos EUA. Para retomar a sua hegemonia no continente, os estadunidenses usam os governos afinados com a diplomacia de Washington para assustar os governos progressistas da região, como o Equador, a Venezuela e a Bolívia, e para intimidar qualquer tentativa de ruptura com o modelo neoliberal, mesmo que seja através de projetos democráticos baseados em eleições.

Bento Almeida