Educação, cultura, tragédia e dor: Janaúba chora por suas crianças e por sua heroína!

O mês de outubro é dedicado aos professores, às crianças, ou seja, à cultura em geral. Em Minas Gerais, iniciamos esse mês com tristeza, dor e indignação. Tristeza e dor pelas crianças e pela professora da creche de Janaúba, MG; indignação pela tentativa fraudulenta de um grupo de direita tentar forjar um novo sindicato para os professores da rede estadual, e pela intransigência de fundamentalistas evangélicos e neofascistas ligados ao PSDB/MBL de tentarem impedir uma exposição de arte no Palácio das Artes em Belo Horizonte.

Dez vítimas fatais no incêndio da creche na cidade de Janaúba - MG

Uma tragédia e uma heroína que fez toda a diferença e conseguiu salvar 25 crianças do fogo e da morte - a professora Helley Abreu Batista, nossa heroína que no mês dos professores e das crianças entregou sua vida para salvar seus alunos da morte. A educadora da creche infantil, que amava sua profissão e se dedicava para dar o melhor de si aos seus alunos da creche onde trabalhava, não hesitou em nenhum momento para defender suas crianças. Ela travou uma luta corporal contra o vigia Damião Soares Santos, 50 anos, que ateou fogo no próprio corpo e nas crianças da sala da professora. O vigia, segundo informação da Polícia Militar de Minas Gerais, sofria de esquizofrenia.

Ao todo foram oito crianças mortas: Luiz Davi Carlos Rodrigues, Ana Clara Ferreira da Silva, Ruan Miguel Soares Silva, Juan Pedro Cruz dos Santos, Cecília Gonçalves, Renan Nicolas dos Santos, Yasmin Medeiros Sabino, e Talita Vitoria Bispo, todos com 4 anos idade.

O jornal Inverta, em particular a sucursal Minas Gerais, se solidariza com toda a família e homenageia a professora que foi muito além das suas funções como servidora pública e doou a própria vida em um ato de coragem e amor, Helley Abreu Batista – Presente! Presente! Presente!

Mas trazemos uma reflexão necessária aos governantes, sejam eles da esfera federal, estadual ou municipal. A comoção foi geral, desde o presidente golpista, passando pelo governador, até o prefeito do PSDB. As creches, em sua maioria nas cidades do interior e ou em cidades pobres da Região Metropolitana das capitais, são marcadas pela falta de infraestrutura adequada, pela falta de procedimentos de segurança, e pelo descaso de grande parte dos governantes que negligenciam o orçamento público na hora de definir as prioridades. Esse fato se confirma com o golpe contra a presidenta eleita Dilma Rousseff e os seus 54 milhões de votos, quando o governo golpista impede por 20 anos investimentos na área da educação, saúde e assistência social.

Muitas creches são casas inadequadas que mais parecem um depósito de crianças do que um espaço de convivência e formação educacional. As profissionais, além de baixos salários, não têm os instrumentos pedagógicos para fazerem o seu trabalho como deveria ser feito.

Com toda certeza, a creche não tinha extintor de incêndio, não tinha nenhum treinamento para combater esse tipo de incidente que levou à morte 9 inocentes e o próprio causador da tragédia.

Se não fosse a ação direta da professora Helley, o número de mortos poderia ter sido muito maior. A política econômica neoliberal não visa a melhoria para o coletivo, para os cidadãos, infelizmente essa tragédia é um sintoma da má qualidade do serviço prestado pelo Estado brasileiro, que prefere destinar bilhões de reais para pagar juros a banqueiros do que investir em uma educação de qualidade para o seu povo.

No mês das professoras e professores, o Sind-UTE/MG sofre ataque!

O Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais (Sind-UTE/MG), que tem sido um polo de resistência contra o projeto neoliberal no estado de Minas, onde travou lutas históricas contra a era dos governos tucanos, Aécio e Anastasia - governos esses que implantaram a política econômica neoliberal e o seu choque de gestão, trazendo grandes prejuízos à categoria dos professores -, denuncia a tentativa de criação de um outro sindicato por pessoas com interesses escusos aos da categoria.

Segundo a nota do Sind-UTE/MG que denuncia essa fraude:
“Nesta sexta-feira, dia 06 de outubro de 2017, foi convocada para a cidade de São Francisco, 452 km da capital mineira, uma assembleia para a suposta criação de um sindicato dos servidores contratados da rede estadual, na tentativa de dividir a base de representação do Sind-UTE/MG”.

A nota do Sind-UTE/MG relata que professores da região da cidade de São Francisco foram até o local da Assembleia e foram impedidos por seguranças de participarem da mesma.

“Mais de 200 pessoas ficaram na porta solicitando o direito de entrar, conforme edital de convocação. Os seguranças agrediram vários trabalhadores, sendo as agressões registradas em Boletim de Ocorrência pela Polícia Militar. Presentes no local da convocação da assembleia e com o objetivo de evitar fraudes, comuns nestes casos onde se forjam listas de pessoas que não estavam presentes e atas com conteúdo diferente da decisão tomada pela maioria, foi realizada assembleia pelos presentes que rejeitaram a criação de um novo sindicato, reafirmando o Sind-UTE/MG como representante da rede estadual de educação. Toda a decisão está registrada em ata, bem como o registro de todos os presentes na assembleia realizada no local da convocação pelo edital!”

O triste dessa história é ver o ex-presidente do PT-Contagem, Lindomar Gomes, encabeçando tal proposta. O Sind-UTE denunciou a tentativa de divisão da categoria patrocinada por grupos com interesses privados, que não fazem parte da educação.

Grupos neofascistas tentam barrar exposição de arte em Belo Horizonte

492 - p3 - Educação, cultura, tragédia e dorNa sexta feira, dia 6, um pequeno grupo de evangélicos, militantes do PSDB e um vereador da capital mineira, Jair di Gregório (PP), tentaram barrar a exposição de arte “Faça Você Mesmo Sua Capela Sistina”, do artista Pedro Moraleida, no Palácio das Artes.

Segundo a direção do Palácio das Artes, foi colocado na entrada e espalhados por vários locais que a exposição é destinada ao público maior de 18 anos. Entretanto, os fundamentalistas fizeram o seu barulho, acusando a exposição de “atentado à criança e ao pudor”. Evangélicos aos gritos e o tal vereador, que é da ala mais conservadora da Câmara Municipal de BH, tentaram barrar a exposição.

Trabalhadores e artistas se mobilizaram e impediram que os vândalos liderados pelo vereador conseguissem impedir a exposição. O clima ficou quente, mas a polícia militar apareceu e os ânimos foram se acalmando.

Artistas e defensores da arte livre estão mobilizados para proteger o direto das pessoas terem acesso às obras de arte de Moraleida. A exposição entrou em cartaz no dia 1º de setembro, reúne esculturas, textos, radiografias, vinhetas musicais, desenhos e pintura.

Sidnei Martins - Sucursal BH