Relatório dos Refugiados no Mundo em 2016

No dia 20 de Junho, Dia Internacional do Refugiado, foi lançado no Palácio do Itamaraty, no Rio de Janeiro, o Relatório “Tendências Globais do Deslocamento Forçado em 2016”. O documento mostra a gravidade deste flagelo para a humanidade neste momento de barbárie de nossa civilização.

No dia 20 de Junho, Dia Internacional do Refugiado, foi lançado no Palácio do Itamaraty, no Rio de Janeiro, o Relatório “Tendências Globais do Deslocamento Forçado em 2016”. O documento mostra a gravidade deste flagelo para a humanidade neste momento de barbárie de nossa civilização. O total do deslocamentos forçados no mundo chegou a 65,6 milhões de seres humanos que foram levados por conflitos militares a saírem de seus países e migrarem para outras áreas do planeta. As situações mais graves estão localizadas na Síria com 5,5 milhões de refugiados por causa da guerra civil no país, sendo que um total de 5 milhões de pessoas foram acolhidos nos países vizinhos. O Sudão do Sul é outra região de conflito que já causou 1,4 milhão de refugiados e 1,9 milhão de deslocados internos, um aumento de 64% no segundo semestre de 2016.

Nas estatísticas do ACNUR, 55% dos refugiados no planeta vem da Síria, Afeganistão e Sudão do Sul, sendo que a Turquia foi o país que mais recebeu refugiados pelo terceiro ano consecutivo e abriga atualmente 2,9 de pesssoas. Na Alemanha o total de refugiados mais que dobrou desde 2015 e a maior parte dos pedidos de refugio é de crianças desacompanhadas ou separadas das suas famílias. Metade do total de refugiados no mundo são crianças, sendo que uma das grandes tragédias globais é o que a ONU chama de fuga das crianças e adolescentes da América Central, principalmente de Honduras, da Guatemala e de El Savador, onde são exploradas sexualmente, torturadas e usadas pelo tráfico internacional de drogas e de seres humanos chegando a um total de cerca de 200 mil abusadas neste conflito.

Segundo dados oficiais o total de refugiados no Brasil chega a cerca de 10.500 pessoas vindos principalmente da Síria, da Colômbia, do Haiti e da Bolívia. Na mesa de abertura do evento estavam presentes o Embaixador, Eduardo Prisco, Maurizio Giuliano, diretor do Centro de Informação das Nações Unidas(UNIC); o representante da Caritas Arquidiocesana do Rio de Janeiro, Cândido da Ponte Neto e Isabel Marquez, Membro do Alto Comissariado da ONU para Refugiados no Brasil(ACNUR).

Na sua exposição audiovisual Isabel Marquez fez uma abordagem sobre a situação dramática mundial de sofrimento e privações destas pessoas que devem ser tratadas como seres humanos e com solidariedade, uma vez que é a maior crise humanitária vivida no planeta desde a 2ª Guerra Mundial. “Apesar de todos os problemas do Brasil a nossa população recebe o imigrante com mais receptividade do que a maioria das nações do mundo. Inclusive a nossa legislação tem avançado nestas questões de acolhimento dos refugiados, sendo que a nova lei de migração aprovada há pouco pelo Congresso Nacional é um exemplo do bom convívio entre os povos. A crise mais dramática global é a situação na Síria e no Sudão do Sul em que milhões de seres humanos foram expulsos de suas terras pela violência, pela fome e pela guerra. A maior tragédia deste problema planetário é que quase a metade destes refugiados são crianças e adolescentes sem pais e abandonados a própria sorte da fome e do desespero nas ruas das grandes cidades européias sofrendo todo o tipo de abuso e violência do trabalho escravo e do tráfico de drogas.” Concluiu Isabel Marquez.

Depois das pessoas falarem na primeira mesa aconteceu uma coletiva de imprensa e depois uma conversa com alguns refugiados que deram o seu depoimento sobre este problema tão grave para todos os que se preocupam com a vida humana Esta é uma demonstração que não é só o mercado o que importa como querem os donos do capital que conseguem o lucro sobre a miséria da maior parte da humanidade formando legiões de apátridas e refugiados sendo mortos pelas guerras e pelas doenças causadas pelo sistema desumano que é o capitalismo.

 

Julio Cesar de Freixo Lobo