O extermínio dos índios no Brasil

Literatura de Cordel: Quase mil povos indígenas Já tombaram exterminados Trezentos e cinco restam Em nossos dias contados Num triste levantamento Detectaram esses dados.

Quase mil povos indígenas
Já tombaram exterminados
Trezentos e cinco restam
Em nossos dias contados
Num triste levantamento
Detectaram esses dados.

Pelas guerras declaradas
De Extermínio Decretos
Tiveram por conseqüência
Dados cruéis e concretos
Cinco milhões de indígenas
Assassinados diretos.

Não é pouco conhecida
Essa história de terror
Pois ela foi transmitida
Com a visão do invasor
Exaltando o “heroísmo”
Do assassino malfeitor.

Eram milhares de tribos
De etnias incontáveis
No litoral, no sertão
Ou regiões inefáveis
Sofrendo a degradação
Por técnicas deploráveis.

Para expandir a colônia
A exploração implantaram
As milícias, missionários
Às tribos escravizaram
E àquelas que resistiram
Prontamente exterminaram.

Queriam os invasores
Domínio estabelecer
Pelos seus campos agrícolas
E seu rebanho crescer
Eliminando os indígenas
Lançados nessa mercê.

E fizeram as “Guerras Justas”
Massacres e a escravidão
Assassinatos grotescos
Suma catequização
Núcleos de povoamento
Sentença condenação.

Os índios aprisionados
Das mortes encaminhadas
As mulheres das aldeias
E as crianças raptadas
Para servirem de escravas
E para serem violadas.
As missões dos jesuítas
Visaram estabelecer
A expansão portuguesa
E o domínio manter
O interior povoado
À força prevalecer.

E prosseguiram a conquista
No território avançando
A quantos índios achassem
Aos mesmos iam acabando
A chacina, o genocídio
A ferro e fogo espalhando.

A lógica capitalista
Condiciona a relação
Do ser humano com a terra
O poder aquisição
Se a terra é mercadoria
O índio é contradição.

Foi contra o índio lançado
O morticínio, a tortura
O latrocínio, a infâmia
Posta de forma mais dura
Pra fulminar suas vidas
E destruir sua cultura.

E tudo isso foi feito
Pelo progresso em seu nome
Foi extermínio pro índio
A sua miséria, e fome
E o que lhe resta na vida
Logo aparece quem tome.

O genocídio de hoje
Pelos cantos se alastrando
Vai engolindo suas terras
De todo vai lhe tragando
Dia a dia, passo a passo
No espaço se divagando.

Como vai viver o índio
Da forma como vivia?
Quem vai tratar o planeta
Do jeito que ele fazia?
E garantir que a terra
De antes lhe pertencia.

Hamurábi Batista