UERJ não está normal!!!

Servidores da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Asduerj) e estudantes realizaram no dia 7/06 um grande ato em várias unidades da UERJ, na luta em defesa da instituição pública para a sociedade fluminense. Anteriormente, o Jornal Inverta conversou com os servidores que acamparam em frente à sede do governo do estado.

Servidores da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Asduerj), alunos e alunas da UERJ realizaram no dia 7/06, fechamento desta matéria, um grande ato com o mote de “Não está normal! Não é por acaso! E tem o que dizer!”, a ‘Marcha pela Uerj’ começou na Policlínica Piquet Carneiro, e na sequência passou pelo Campus Maracanã, Hospital Universitário Pedro Ernesto, Odontologia - até a Praça Barão de Drummond, destino final, em Vila Isabel, como divulgou a Asduerj. Em assembleia docente realizada no dia 31/05, foi mantido o atual estado de greve. A próxima assembleia está prevista para 12 de junho.

O Jornal INVERTA esteve no dia 16 de maio na ocupação realizada pela Associação dos Docentes da UERJ (ASDUERJ) em frente ao Palácio Guanabara, sede do governo do estado do Rio de Janeiro, em Laranjeiras. O objetivo da ocupação foi chamar a atenção das autoridades públicas e da população do Rio de Janeiro para a situação caótica que vive a universidade. Durante a reportagem, motoristas de vários veículos buzinaram em apoio ao acampamento e gritaram as palavras de ordem “Fora Pezão!” e outras palavras em defesa do movimento, revelando um acolhimento da luta em defesa da UERJ em uma parcela cada vez maior da população carioca.

A presidenta da ASDUERJ, Lia Rocha, conversou com o INVERTA e declarou que os servidores e alunos não podem mais esperar que o governo do estado diga que só resolverá a situação da universidade quando for votado o pacote de auxílio de renegociação da dívida em Brasília e que só assim pode haver o pagamento por parte do estado à UERJ, pois esse descompromisso do governo atinge a toda universidade e torna o seu funcionamento quase impossível diante de tantos problemas, como elencam os professores presentes na ocupação: “em nenhum momento o governador falou sobre o orçamento da Universidade que é fundamental, pois a negociação da dívida apenas jogará o problema do estado para frente, e continuará fazendo a opção de isenção fiscal, continuará o esquema de corrupção, que sabemos que o Pezão está envolvido até o pescoço, então, sabemos que isso não será uma solução para o nosso problema, por isso estamos aqui acampados para forçar que o governo tenha um posicionamento efetivo sobre a situação da UERJ”.
Esse foi um dos motivos que levou os docentes a realizarem a ocupação em frente à sede do governo, como complementa a servidora: “as aulas eram para ter sido reiniciadas no dia 17 de janeiro, mas após cinco adiamentos por falta de condições consideradas pela reitoria: estávamos com os salários atrasados, salários parcelados, estudantes sem bolsas, o bandejão sem funcionamento, e o repasse que o governo tem que fazer dos duodécimos totalmente suspensos, o que chamamos de calote do governo à UERJ, então, apesar das condições continuarem as mesmas, a reitoria decidiu que era possível recomeçar as aulas e desde o dia 10 de abril vivemos uma situação muito difícil na UERJ, os técnicos estão em greve, muitos professores não estão conseguindo ir às aulas porque não têm dinheiro, devido aos atrasos e parcelamentos nos salários e os alunos também estão com muitas dificuldades, ou porque não têm bolsa ou porque não têm o bandejão, estamos vivendo uma situação que não permite que façamos um trabalho com um mínimo de qualidade, não estamos nem falando na qualidade que a UERJ tem condição de oferecer, estamos falando do mínimo de qualidade. Eu, por exemplo, estou dando aula apenas para a metade de meus alunos, a outra metade não sei se evadiu, se vai voltar ou se está com dificuldades de vir. Assim, não tenho condições de planejar um curso minimamente decente.

A UERJ, com 2.800 professores, 35 mil alunos, 6.500 técnicos administrativos, tem um papel fundamental na formação humana de uma parcela significativa da população do estado do Rio, e o que se vive hoje é a destruição do projeto que levou estudantes oriundos das camadas populares à universidade, como finaliza a professora Lia: “todas as conquistas históricas para os trabalhadores e seus filhos que estudam na UERJ não parece ser uma prioridade para o governo, pelo contrário, eles querem que a gente dê aulas mesmo sem condições, dizem que é para a gente dar aula “tentando fazer o nosso melhor”, mas isso é impossível; como falei, metade dos meus alunos não está indo, a outra metade tem que optar entre se alimentar e pagar passagem ou xerox. Já tivemos casos de alunos que passaram mal na sala de aula por fome, estamos lutando aqui para a manutenção da universidade pública de qualidade, de acesso à classe trabalhadora, mas também pela qualidade do que fazemos; a UERJ é a oitava universidade do país, em número de artigos, de doutores formados etc, e o que ela passa agora terá um impacto que não conseguimos nem calcular à primeira vista, a perda cérebros, as pessoas que estão largando a vida acadêmica para fazer outra coisa, os estudantes que estão deixando de estudar. Tudo isso só demonstra o projeto do PMDB para o Rio de Janeiro, sobre o sistema de ensino, o sistema de saúde, o sistema de segurança, o sistema social; a crise não é da UERJ, é desse governo do PMDB. O sindicato nacional fez um painel de todas as universidades e já existem vários elementos similares, como o congelamento do plano de carreira, isso não só desanima quem está trabalhando, mas afasta quem tem interesse em trabalhar na UERJ. Isso pode ser estendido para outras universidades, a UERJ é um balão de ensaio”.

 

Bianka de Jesus