Mãe Beata, presente! Já está fazendo falta

O país perde uma das maiores personalidades do século passado e início deste. Beatriz Moreira da Costa, mãe Beata de Yemonja, faleceu no último sábado, dia 27 de maio. Nascida em Cachoeira do Recôncavo, na Bahia, mudou-se para o Rio de Janeiro ainda no final dos anos 60, onde funda o Ilê Omiojuaro, sua roça de candomb

O país perde uma das maiores personalidades do século passado e início deste. Beatriz Moreira da Costa, mãe Beata de Yemonja, faleceu no último sábado, dia 27 de maio. Nascida em Cachoeira do Recôncavo, na Bahia, mudou-se para o Rio de Janeiro ainda no final dos anos 60, onde funda o Ilê Omiojuaro, sua roça de candomblé.

 

Sacerdotisa Yaloroxa, ativista pelos direitos civis e escritora - lançou os livros Caroço de Dendê (sabedoria dos terreiros) e História que minha vó contava. Combativa ferrenha na luta contra o racismo, contra o machismo, contra a homofobia, no combate à intolerância religiosa, sempre esteve ao lado do presidente Lula e da presidenta Dilma em vários momentos importantes, escrevendo inclusive uma carta em apoio à presidenta Dilma Rousseff.

 

Digo isso porque, num momento difícil como o que estamos vivendo, perdemos uma verdadeira trincheira. Fazia do seu Ilê (casa), junto com seus filhos e filhas, um local de pensamento sobre ancestralidade, daí cultural, logo religioso e por que não político?

 

Perdemos uma pensadora de seu tempo. Uma religiosa incrível!

 

Eu, como um comunista, aprendi muito e vou continuar aprendendo com essa mulher.

 

Mãe Beata levou os nomes Baixada Fluminense, Miguel Couto, Nova Iguaçu, Rio de Janeiro e Brasil para o mundo. Uma embaixadora! Isso tem preço? Já respondendo, lógico que não.

 

Nesse sentido, está provado que o racismo, para além de psicológico, de classe, religioso, é extremamente político quando simplesmente é ignorada uma homenagem a uma grande religiosa e ativista. Muito grave! Além de ser uma falta de educação e racismo do poder público de Nova Iguaçu quando não expressa, propositalmente, pelo menos um “Obrigado, a senhora foi e sempre será uma pessoa importante para a nossa cidade”.

 

Jorge Ferreira