Os investimentos em infraestrutura nos governos do PT

As matérias da imprensa quando não são feitas por encomenda da iniciativa privada conseguem mostrar a realidade do Brasil. Três notícias recentes chamaram a atenção: a parceria entre o Brasil e a Rússia no setor espacial, mais particularmente no monitoramento de lixo nas galáxias planetárias; a ampliação dos portos de Santos e Paranaguá, que multiplicou o escoamento da nossa capacidade produtiva; e o término da obra da transposição do Rio São Francisco, que possibilitou a melhoria das condições de vida do povo nordestino.

A instalação de um telescópio em parceria entre o Brasil e a Rússia no município mineiro de Brazópolis faz parte de uma aproximação entre os países que compõem o BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul). Esta iniciativa é parte de uma estratégia da política externa brasileira nos governos do Partido dos Trabalhadores (PT), que levou o Brasil a ter uma voz altiva nas relações globais, inclusive com a criação de vários organismos internacionais de cooperação sul-sul. Esta posição mudou a geopolítica mundial com o Banco dos BRICS, que tem um objetivo claro de contrabalançar a hegemonia dos países ricos na área de finanças.

Os investimentos em infraestrutura nos governos do PT foram feitos maciçamente com recursos do BNDES, somando bilhões de reais para financiar os consórcios privados que colocaram dinheiro na economia brasileira. As ferrovias, segundo uma matéria do Globo Rural, tiveram bilhões de recursos aplicados para ser um modal de transporte competitivo na logística nacional. Com essas mudanças, a ampliação dos portos de Santos e de Paranaguá foram sentidas pelos índices de produtividade em franca recuperação. Houve vontade política dos governos do PT para atrair investimentos e incentivar com recursos públicos os setores produtivos da economia. A contrapartida do capital alijado das oportunidades de negócios foi o uso da Operação Lava-Jato para quebrar com as empreiteiras brasileiras, como a Camargo Correa, a Odebrecht e a OAS, entre outras, para que grupos estrangeiros entrassem no mercado nacional e criassem oligopólios multinacionais.

A transposição do Rio São Francisco, como medida para mitigar a questão secular da seca no Nordeste também foi um projeto iniciado nos governos do PT. Recentemente, na inauguração da obra na Paraíba, quiseram esconder os dois governantes que tocaram o projeto, que foram Lula e Dilma Rousseff, mas apesar das mentiras, a população reconheceu quem a beneficiou. Com todos os factóides da grande imprensa brasileira, os investimentos feitos pelos governos do PT em 13 anos de gestão estão sendo sentidos agora pela cadeia produtiva, uma vez que em tudo na vida existe um tempo de plantio e um tempo para dar frutos no futuro.

Portanto, não é verdade que o dinheiro do BNDES e do Banco do Brasil foram utilizados para financiar ditaduras de esquerda na América Latina, mas sim para injetar recursos na economia brasileira. A atual recessão brutal que o Brasil vive hoje faz parte de um locaute empresarial, que deixou de colocar no mercado brasileiro parte de seus lucros para depositar esta fortuna no mercado financeiro nacional e internacional. Pelos cálculos preliminares, cerca de 30% dos lucros da indústria brasileira no início do governo Dilma Rousseff foram desviados para as aplicações financeiras das empresas, criando artificialmente uma queda no PIB e levando a um quadro de insatisfação geral entre a população, estimulado pelas grandes corporações midiáticas, e posteriormente levando ao impedimento da presidenta legitimamente eleita pelo povo com a queda de sua popularidade, e à consolidação do golpe contra seu governo e contra o povo brasileiro.

Julio Cesar de Freixo Lobo