O ranço da ditadura nas mortes por “bala perdida”

Está na hora da população trabalhadora das periferias das grandes cidades do Brasil ser respeitada em seus direitos humanos mais elementares. As mortes por “balas perdidas” no Rio de Janeiro já somam centenas de inocentes alvejados por bandidos vestidos de fardas que recebem salários do Estado para massacrar a população mais pobre da sociedade.

Uma passagem da história do Brasil ilustra bem o ranço que os desmandos da Ditadura de 1964 espalhou pela cultura de nosso país. Em uma reunião do Conselho de Segurança Nacional quando da instituição do AI-5, o vice-presidente da República, Pedro Aleixo, questionou esta medida ditatorial dos militares. Responderam-lhe que ele não deveria temer às consequências do AI-5 e Aleixo replicou: “Presidente, eu não tenho medo do que o senhor vai fazer com este poder, mas sim temo dar autoridade ao guarda da esquina que não está preparado para exercê-lo”. Assim é a atual situação depois do Golpe de 2016, onde os instintos mais primitivos da sociedade estão se mostrando depois da quebra da ordem constitucional.

É preciso que o direito à vida, que é elemento fundamental na sociedade humana, seja garantido aos setores mais vulneráveis do estrato social. O sistema capitalista está mostrando as suas vísceras e toda a podridão de um projeto de poder que está caindo de podre. Mas como afirmou Lênin, sem uma força revolucionária contrária o sistema não cai sozinho. Estamos em um momento de transição de modo de produção e neste momento a firmeza dos propósitos humanistas e socialistas devem prevalecer nos setores lúcidos do pensamento revolucionário.

Basta de assassinatos nas periferias e nas favelas do Brasil! O povo tem que se levantar contra os seus opressores e colocá-los no lixo da história. Todo o aparato ideológico, político e econômico do sistema capitalista está em ruínas, e estas matanças com “balas perdidas” dentro das comunidades carentes de nosso país mostram o desespero de um modelo fracassado.

O mito de Midas, que queria transformar tudo o que ele tocasse em ouro foi atendido por Deus, porém, o feitiço se virou contra o feiticeiro. Pois, tudo aquilo que ele tocou virou ouro, inclusive toda a sua comida e bebida se transformaram no metal precioso e ele morreu de fome e sede devido à sua ambição de ficar rico. Assim está sendo o castigo do capitalismo nos seus estertores, onde o que se vê são atos de desespero para alcançar o lucro, não importando quantos milhares ou milhões de pessoas e seres vivos irão morrer para que os seus desejos primários sejam alcançados.

Julio Cesar de Freixo Lobo