As delações premiadas e a pirotecnia da mídia

As delações da Odebrecht veiculadas pela grande imprensa antes da homologação pela justiça é um caso grave de violação do Estado de direito no Brasil. O furo da notícia pelos principais veículos de comunicação do país, no caso das delações da Odebrecht contra vários políticos de grande projeção, é uma forma de consolidar o oligopólio da mídia em relação aos segredos de Estado e de Justiça.

As delações da Odebrecht veiculadas pela grande imprensa antes da homologação pela justiça é um caso grave de violação do Estado de direito no Brasil. O furo da notícia pelos principais veículos de comunicação do país, no caso das delações da Odebrecht contra vários políticos de grande projeção, é uma forma de consolidar o oligopólio da mídia em relação aos segredos de Estado e de Justiça. A luta intestina entre os setores oligárquicos no poder no país é clara na atual conjuntura, com os grupos se degladiando para ficar com as sobras dos recursos do Estado e dos ativos públicos que assim passariam para a iniciativa privada aprofundando as razões do golpe de 2016 contra o governo do PT.

Os políticos citados nas delações da Odebrecht são de todos os matizes ideológicos e mostram a putrefação da classe política brasileira com a legislação que garantia o financiamento privado das campanhas políticas no Brasil. Os remendos neste casuísmo de mudar o dinheiro doado das empresas particulares para as doações individuais apenas dificultou as fraudes no sistema partidário brasileiro, mas não acabou com o processo ilegal de usar os mandatos parlamentares para interesses privados das empresas. Agora, ao invés de doações milionárias da iniciativa privada, os indivíduos dão dinheiro aos políticos de forma pessoal, mas se tornam testas de ferro dos mesmos interesses ilegais e corruptos de antes.

O governo golpista de Temer está mergulhado em um mar de lama e o Congresso Nacional também sofre as consequências das delações da Odebrecht, que somam bilhões de reais para deputados e senadores e autoridades de todas as esferas políticas do Brasil. Mas o Poder Judiciário que tenta vestir a pureza da República esconde em suas entranhas as mais sujas corrupções com o corporativismo em relação às suas decisões autocráticas previstas em lei. A venda de sentenças pelos magistrados que já foram alvo de reportagens da imprensa em todo o país e que tiveram como resposta a unidade das entidades classistas do judiciário e a tentativa de censura aos órgãos de informação é mais um capítulo das disputas dentro da classe dirigente brasileira.

Eles estão disputando qual o poder da República irá instaurar a ditadura de fato, uma vez que a Constituição de 1988 já foi rasgada pelo golpe de 2016. A crise é tão séria que os dirigentes do Brasil estão batendo cabeça em Brasília para saber quem fica com a hegemonia do poder, dado que a economia brasileira está em frangalhos. A população deve se manifestar com toda a sua força para barrar a aprovação das medidas propostas no Congresso Nacional que aniquilam o futuro do Brasil como nação soberana.

Se 2016 foi um ano atípico com várias excrescências políticas e ideológicas não somente no Brasil como em várias partes do mundo, a tendência é que este conflito se aprofunde em 2017. Um processo de transformações como o que estamos vivendo neste momento no mundo pode levar a um caminho sem volta para a humanidade, já que estamos em uma crise civilizacional que pode ser o fim da existência do ser humano no planeta com as mudanças climáticas que estamos assistindo.

É preciso humildade revolucionária para se chegar a um fim que não seja vergonhoso para a humanidade, visto que hoje menos de 1% dos habitantes da terra detêm mais de 50% das riquezas do planeta. A ganância e a cobiça da atual elite dirigente planetária são potencialmente destrutivas não somente para o ser humano, mas também para todas as espécies de seres vivos. O Brasil, por seu tamanho geográfico e por sua posição rica em recursos naturais, pode ser um divisor de águas e dar um exemplo para toda a humanidade de como construir uma alternativa de saída para a crise do planeta. A população brasileira é fundamental neste processo de mudanças no plano interno e também na solução da crise internacional. A organização popular em torno da justiça social, da solidariedade entre os povos e da distribuição das riquezas e dos recursos naturais como aconteceu nos últimos 13 anos do governo do PT na administração federal é um sinal de que o olho do furacão está no Brasil. É preciso estudar os processos revolucionários e de transformações profundas nas sociedades para entender o que está se passando no país nesta atual conjuntura política e ideológica. É preciso resistir aos “salvadores da pátria” neste momento, uma vez que a luta política é um processo coletivo para mudanças radicais na vida das pessoas.

 

Lúcio Fernando