A “pinguela” do governo golpista está se desmoronando

Apesar das falhas, limites e forma como vinha sendo conduzido o programa governamental petista, a população presenciou pela primeira vez o acesso aos direitos básicos, ao pleno emprego, ao maior programa de combate à pobreza, à educação, saúde, energia elétrica, saneamento básico, além de reconstruir a capacidade produtiva nacional etc. Essas extraordinárias mudanças no país ocorreram no mesmo momento de uma profunda crise geral do sistema capitalista internacional e sua globalização neoliberal.

Apesar das falhas, limites e forma como vinha sendo conduzido o programa governamental petista, a população presenciou pela primeira vez o acesso aos direitos básicos, ao pleno emprego, ao maior programa de combate à pobreza, à educação, saúde, energia elétrica, saneamento básico, além de reconstruir a capacidade produtiva nacional etc. Essas extraordinárias mudanças no país ocorreram no mesmo momento de uma profunda crise geral do sistema capitalista internacional e sua globalização neoliberal. Nos últimos anos, no entanto, foram criados midiaticamente todo um arsenal ideológico e psicológico para desconstruir a execução deste programa liderado pelo PT. A grande mídia declarava insistentemente que o tufão da crise de 2008 iria atingir em cheio o Brasil, mas os governos Lula e Dilma transformaram-na em marolinha.  

Para aliar-se à desconstrução deste programa e forçar o golpe contra a presidenta Dilma Rousseff, os donos do capital no país passaram a boicotar, nos últimos 3 anos, os investimentos na própria acumulação interna de capital. Tendo o presidente da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), Paulo Skaf, à frente, o empresariado paulista passou a (des)investir premeditadamente valores inferiores aos necessários para uma reprodução simples do seu capital, na (re)produção da base alcançada anteriormente. Como a produção paulista representa 30% da produção nacional, qualquer medida de estímulo ou boicote impactará diretamente a economia do país. Foi o que observamos a partir da campanha de reeleição da presidenta Dilma quando a Fiesp passou a comandar o corte unilateral dos investimentos privados em São Paulo.

O PIB (Produto Interno Bruto), digamos, de São Paulo, sempre acompanhou de perto o PIB brasileiro. Em 2009, o PIB paulista foi de –0,78%, e o brasileiro, de –0,33%. Em 2010, foi de +7,94% (SP) e o nacional de +7,53%; no ano seguinte, foi de +2,20% (SP) e +2,70% (Brasil); em 2012, +1,30% e +0,90%, respectivamente; em 2013, +1,7% (SP) e +2,7% (Brasil). No início de 2014, bem antes das eleições, os analistas de mercados previam que tanto a economia paulista como a brasileira iriam crescer em torno de +1,5%. No entanto, a Fiesp passou a frear a marcha da história e partiu para uma abrupta queda nos investimentos no ano: –5,3%. Com isso, puxou toda a economia paulista para baixo, que registrou uma queda no PIB de –1,90%. Em consequência, puxando também a economia nacional para baixo que, por conta dos investimentos federais, o PIB nacional conseguiu crescer apenas +0,10%.

Com a posse do 2º mandato da presidenta Dilma, a FIESP passou a jogar ainda mais pesado no boicote à produção nacional. Em 2015, a indústria em torno da Fiesp foi responsável pela queda de –9,0% na economia de São Paulo, empurrando o PIB paulista para uma queda de –4,1%. O PIB nacional não conseguiu compensar pelo segundo ano seguido a drástica queda da economia paulista, que corresponde à 30% da nacional, caindo para –3,8%. Com a chegada enfim da crise “prenunciada”, os falsos profetas construíram o burlesco Pato da Fiesp.

Cabe destacar que em 2015 também tem que se considerar o gigantesco impacto da Operação Lava Jato contra a Petrobrás e as principais construtoras nacionais e seu perverso, e também premeditado, reflexo na economia nacional. Segundo estudo da consultoria GO Associados, o impacto desta operação jurídico-midiática significou uma redução de 42% dos investimentos da Petrobrás. Este processo de destruição da Petrobrás e empreiteiras, segundo a mesma consultoria, entre outros estudos, significou o corte de cerca de R$ 142,6 bilhões na economia brasileira, o que desencadeou por si só uma queda de –2,5% no PIB.

Além disso, este mesmo estudo atribuiu à esta força tarefa a responsabilidade direta pela perda de 1,9 milhão de empregos! O impacto da Lava Jato foi tão destruidor que estados que dependiam dos royalties em torno do petróleo estão entrando em falência. O Rio de Janeiro, maior produtor de petróleo (38%), arrecadou R$ 8,7 bilhões em 2014, isto é, antes da Lava Jato. Depois da intervenção da referida operação, a arrecadação do estado caiu para R$ 5,3 bilhões em 2015, e a projeção de arrecadação para este ano de 2016 é ainda menor: R$ 4,5 bilhões. Com a arrecadação caindo pela metade devido à Operação da Lava Jato, o estado teve que decretar falência.

No primeiro trimestre de 2016, quando ainda estava em trâmite o processo de impeachment instalado por Eduardo Cunha (PMDB-RJ), a queda da economia paulista continuou em curso. Na comparação com o quarto trimestre de 2015, a indústria recuou –3,8% no primeiro trimestre deste ano, puxando também o PIB paulista para baixo em –0,9%. A economia nacional, que já não conseguia mais controlar o boicote, cai –0,4%. O desinvestimento que a indústria patrocinou em 2 anos e meio foi tão destruidor que fez com que a Fiesp não só derrubasse o governo petista, mas também fez com que a economia paulista regredisse 6 anos, isto é, retroagiu a “locomotiva paulista” ao patamar da produção de 2010, conforme “Gráfico 1 – Tendência do Índice do PIB de São Paulo”, da Fundação Seade de São Paulo.

No segundo trimestre de 2016, quando o processo de impeachment já estava aprovado pela Câmara dos Deputados, a mudança de postura da FIESP foi tão gritante que somente no mês de junho a produção industrial paulista teve um crescimento de 1,5% em relação ao mês anterior. Com isso, a economia paulista como um todo, finalmente, voltou a crescer, mesmo que modestamente, +0,2%. Esta mudança de postura da Fiesp se torna ainda mais gritante porque foi a primeira vez que o investimento na produção subiu desde a reeleição da presidenta Dilma.

Apesar da Fiesp retomar os investimentos com a posse do golpista Michel Temer, o PIB nacional continuou caindo. No segundo trimestre, com os golpistas já comandando diretamente a política econômica, caiu –0,6%, contra os –0,4% do primeiro trimestre, quando ainda havia o boicote à presidenta Dilma. Segundo dados ainda preliminares, a queda no PIB nacional do 3º trimestre vai ser ainda maior: –0,8%! A tendência é que a queda da economia brasileira para o ano de 2016 seja pelo menos –3,5%, apesar do fim do boicote da Fiesp.

Não há qualquer herança maldita do governo Dilma. O que ocorreu foi a maldita conspiração da Fiesp contra a economia brasileira. Herança que está desmoronando a “pinguela” construída para legitimar o governo golpista. O capital financeiro e especulativo, a grande mídia e a burocracia golpista (juízes, promotores, polícia federal, PSDB, PMDB etc.) estão cobrando o pagamento da fatura do golpe ao governo Temer, que nada tem a oferecer senão todos os direitos conquistados pela classe trabalhadora, todas as riquezas naturais e empresas nacionais e a cabeça de qualquer agente público não alinhado ao golpe neoliberal.

 

Roberto Figueiredo