Temer e a liquidação do patrimônio brasileiro

Com a posse do governo golpista de Michel Temer, o aprofundamento do projeto neoliberal é claro na economia brasileira.

Com a posse do governo golpista de Michel Temer, o aprofundamento do projeto neoliberal é claro na economia brasileira. O retorno às privatizações do período anterior aos governos petistas está na ordem do dia do novo governo. Para capitalizar a administração pública, tanto a nível federal quanto estadual e municipal, o processo das PPP’s (Parcerias Público-Privadas) será acelerado para conseguir recursos para o poder público que está mergulhado em uma grave crise econômica e em uma profunda recessão na atividade produtiva, com um altíssimo desemprego que atinge mais de 10% da população economicamente ativa, ultrapassando 10 milhões de desempregados no país.

As reformas da Previdência e Trabalhista encontram resistência até mesmo na base aliada do atual governo no Congresso Nacional, pois mexe com direitos adquiridos e conquistados pela população brasileira há muitas décadas. A mentira do déficit da Previdência, que é repetida pelos especialistas em economia dos grandes veículos de comunicação, quer aumentar os lucros do sistema financeiro nacional e estrangeiro em atividade no Brasil. O objetivo é criar uma série de fundos de pensão privados que seguiriam as regras do mercado em uma espécie de ciranda financeira, onde aqueles que contribuem a vida inteira para ter aposentadoria no futuro ficariam sujeitos às leis do mercado onde os lucros sempre ficam com os banqueiros e com as instituições financeiras. No final das contas, as pessoas que entram no mercado de trabalho nunca se aposentam, uma vez que a renda que irão receber no final da vida é uma quantia irrisória. O projeto de previdência para o Brasil é a mesmo seguido pelo Chile e pela Grécia, onde neste país europeu o governo teve que ir à TV, em campanha, pedindo para que a população de idosos parasse de se suicidar, pois os cortes nos vencimentos dos aposentados estavam sendo feitos por ordem da Troika do Banco Central Europeu.

A volta das privatizações das empresas estatais dos estados e municípios, e principalmente do que sobrou de estatal na área federal, será entregue à iniciativa privada com subsídio do BNDES. A venda de ativos da Petrobrás, da Eletrobrás e da Cedae é um processo que busca capitalizar o governo com a intenção de bancar o pagamento da dívida pública que envolve mais de 50% do orçamento da União e dos estados e municípios brasileiros. Só com muita mobilização popular e dos movimentos sociais para denunciar para a população esta injustiça de cortes nas áreas sociais, como saúde e educação, para pagar aos banqueiros, que é o setor da economia que mais tem lucro no Brasil apesar da profunda crise que vivemos.

O povo brasileiro tem que se levantar em um processo organizado contra este retrocesso das conquistas de direitos sociais e de liberdades democráticas e individuais para fazer valer sua voz. É um caminho longo, em uma grande marcha para a libertação social e popular do Brasil, com manifestações como greves, protestos e lutas sociais para barrar esta volta ao passado, onde impera o arbítrio e a exploração do capital contra a parcela mais pobre do povo brasileiro.

Lúcio Fernando