Setor da saúde contra o golpe em Belo Horizonte

A Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais sediou no dia 13 de abril, o ato e debate ‘Saúde Contra o Golpe’, que reuniu militantes da área de saúde e educação e contou com a participação de Unaí Tupinambá, professor da Faculdade de Medicina da UFMG; Helvécio Magalhães, secretário de Estado de Planejamento e Gestão; e Beatriz Cerqueira, presidenta da CUT-Minas Gerais.

A mesa de debate aludiu sobre o perigo da conjuntura atual para a saúde do povo brasileiro em geral, onde as diversas conquistas no setor, como o SUS, a Farmácia Popular e o Mais Médicos, correm sérios riscos ao cair nas mãos do setor neoliberal que tenta perpretar um golpe no país, colocando consequentemente em risco a vida dos brasileiros e brasileiras, especialmente a classe trabalhadora. A presidenta da CUT-MG denunciou o programa do golpista Michel Temer, “Ponte para o Futuro”, que deveria se chamar “Túnel para o passado” segundo um dos presentes, pois representa uma agenda de país que segue à risca a receita neoliberal que já fracassou em diversos países, incluindo o nosso.

Como falou Patrícia Pereira, professora das redes municipal de Contagem e estadual: “somos detentores do direito à saúde, não do direito à doença” como pretende a direita brasileira. A professora disse que um de seus dois filhos lhe falou que quer ser médico e ela respondeu: “Olha filho, acho que agora dá para ser”, mas temos que sair às ruas para garantir que esse direito também se mantenha.

Nesse sentido, a professora da Faculdade de Educação da UFMG, Cristina Gouveia, afirmou que temos hoje nas universidades uma juventude filha da classe trabalhadora que anda empoderada, “de cabeça erguida e cabelo sem alisar”, disposta a lutar também contra a perda desse direito de sonhar com qualquer profissão, independente de sua origem. Comentou que, com o início da inclusão de milhares de pessoas historicamente excluídas, essa inclusão no conhecimento é de extrema importância porque implica mudanças mais duradouras. É importante destacar que, além da qualificação de milhões de profissionais, a ampliação da educação superior e técnica no Brasil representa o desenvolvimento de uma geração de atores sociais que já não podem ser facilmente manipulados por sua ignorância, significa uma geração de cientistas e livres pensadores capazes de levar a cabo um projeto autônomo e soberano de país.

Diversos participantes comentaram a dificuldade de se defender uma posição política de esquerda em um âmbito tão conservador como o da medicina; tanto como profissionais, professores ou como estudantes. Ana Laura, estudante da área e membro da Rede de Médicos Populares, denunciou que o diretório acadêmico não estava a favor das panfletagens realizadas em defesa da democracia e que alunos ainda são perseguidos devido às suas posições política e social.

Todos concordam que o sistema ainda tem muitos obstáculos a superar, o próprio SUS não foi implementado em sua totalidade, porém, sem democracia e sob os princípios neoliberais a única possibilidade é de retrocesso. Sonia Mara Mendes Violante, médica e ex-aluna dessa casa, falou que sua geração sabe muito bem o preço da democracia e complementou: “meu marido foi torturado durante 50 dias” durante a ditadura. Disse estar feliz em ver novamente as forças de esquerda se unirem.

Várias falas remeteram à necessidade humana de impedir uma vez mais esse terror, mas o sentimento geral foi de otimismo nessa luta, pois o povo brasileiro está muito mais atento. Além disso, o Dr. Guedes, professor aposentado de Medicina, apontou uma diferença essencial: “hoje temos na presidência Dilma Rousseff, uma lutadora cujo compromisso é comprovadamente inabalável. Ela não se suicidará, ela não renunciará, ela nos dá a oportunidade de resistir em um momento histórico cuja importância a maioria das pessoas não tem nem como conceber”.

Além disso, os ataques feitos à integridade e à personalidade da presidenta Dilma demonstram o caráter machista daqueles que tentam desmoralizá-la. Tentam atribuir a crise política e econômica a uma suposta “incompetência” da mulher em administrar o país, acusando-a de histérica. Como afirmou Beatriz Cerqueira, “se nós mulheres temos opinião, então somos histéricas, estamos de TPM”.

Ao encerrar, foi enfatizada a importância de se manter uma mobilização constante nas ruas. Apesar das falcatruas da mídia, que tenta impor um clima de pessimismo generalizado, as manifestações democráticas têm surtido efeito e pesam sobre aqueles parlamentares dispostos a vender nosso país a qualquer preço ou que subestimam esse processo de impedimento por não compreender esse momento histórico que estamos vivendo de crise do capital. Como lembrou a palestrante da CUT: “Se as ruas não fossem importantes, a direita não estaria tentando ocupá-las”.

O ato demonstrou que mais um setor da sociedade brasileira reconhece o perigo desse golpe em andamento e se soma às mobilizações nacionais para defender nossas conquistas, mesmo dentro de um setor historicamente conservador.

Sucursal BH