O escândalo dos Papéis do Panamá

A revelação de relatórios sobre contas em paraísos fiscais Panama Papers dividiu os analistas entre temas como espionagem, manipulação política e corrupção financeira, sob a interrogação “por que agora?”

A revelação de relatórios sobre contas em paraísos fiscais Panama Papers dividiu os analistas entre temas como espionagem, manipulação política e corrupção financeira, sob a interrogação “por que agora?”

A complexa malha de operações em torno do escritório de advocacia Mossack Fonseca, com sede no país centro-americano, é considerada pelos economistas como o maior vazamento de informações da história divulgado para um amplo grupo de imprensa. O vazamento ocorreu em 3 de abril a partir do Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação (ICIJ) com sede em Washington e envolve 140 políticos e funcionários de todo mundo, entre eles 12 antigos e atuais líderes mundiais.

Uma lista que inclui 11,5 milhões de documentos de quase 40 anos do escritório panamenho especializado na administração de capitais e patrimônios com informação de 214 empresas denominadas Offshore em mais de 200 países e territórios.

O termo ambíguo “Offshore” parece ter sido tomado da náutica (costa afora) em uma alusão a pequenas ilhas que foram há muitos anos muito populares em matéria de paraísos fiscais e evasão de impostos, algo que beneficia a lavagem de dinheiro e o narcotráfico. Mas, o curioso é que este vazamento de informações se apresente agora com muito mais informação que as divulgadas em seu momento pelo Wikileaks, talvez para se contrapór a este último.

Políticos, esportistas, artistas e banqueiros figuram em uma lista que para alguns não significa notícia, se for levado em consideração que estes procedimentos sempre foram legais, o ilegal seria o fim dos referidos meios, e as evasões. Tanto o é que o grupo Mossack Fonseca nasceu em 1977 de maneira legal com escritórios em cada continente, especializado em administração patrimonial, fiscal, estruturas internacionais e direito comercial.

O escritório oferece seus serviços ao Reino Unido, Malta, Hong Kong, Chipre, Ilhas Virgens Britânicas, Bahamas, Anguila Britânica, Seychelles, Samoa, Nevada e Wyoming (Estados Unidos) e Panamá.

Também é interessante que o ICIJ atue em Washington e poucos estadunidenses apareçam na lista, ainda que o grupo investigativo tenha jornalistas de todo o mundo.

Entre as notas que se destacam a este respeito, o jornal alemão Süddeutsche Zeitung menciona que o escritório teve vários traficantes de droga ou companhias sancionadas pela Europa e pelos Estados Unidos como clientes. A França pedirá à Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômicos que siga seu exemplo e reinsira o Panamá na lista de países não cooperativos em matéria de transparência fiscal. Na lista também estão o escritor peruano Mario Vargas Llosa, o futebolista Leonel Messi e o cineasta Pedro Almodovar, segundo revelaram meios de imprensa que publicam na Espanha as investigações de ICIJ.

Por sua vez, o primeiro-ministro da Islândia, David Gunnlaugson, está no centro dos políticos com sua renúncia devido ao Panama Papers. Investigam ainda a irmã do rei Juan Carlos da Espanha, Pilar de Borbón, e atores indianos.

Porta-vozes de Moscou destacam que os envolvimentos russos podem ter uma intenção de desacreditar o Kremlin, e apontaram que muitos desses jornalistas são ex-representantes do departamento de Estado, da CIA e de outros serviços especiais.

Ministro espanhol implicado no escândalo Panama Papers renuncia

O ministro espanhol de Indústria, Energia e Turismo em funções, José Manuel Soria, apresentou em 15/04 sua renúncia depois de ser relacionado a empresas em paraísos fiscais nos chamados Papéis do Panamá. Em um comunicado, Soria anunciou esta decisão amparado na “falta de informação precisa sobre fatos que ocorreram há mais de 20 anos e considerando o dano evidente que esta situação causou ao Partido Popular (PP)”. Deixou claro que renuncia tanto a suas responsabilidades como ministro interino, como ao seu assento de deputado no Congresso, à presidência do PP nas Ilhas Canárias e “a todo tipo de atividade política”.

Prensa Latina