Servidores do Rio em greve

 

Os trabalhadores da rede estadual de educação do Rio de Janeiro, sob a direção do SEPE (Sindicato Estadual dos Profissionais da Educação-RJ), entraram em greve por tempo indeterminado no dia 2 de março. A greve é uma resposta, segundo a direção e a base da categoria, à politica educacional e salarial do governo de Luiz Fernando Pezão. O governador, desde o primeiro ano de governo, desenvolve uma política que retira direitos dos servidores. Na educação, não houve reajuste salarial em 2015 nem no primeiro bimestre de 2016; houve crise nas empresas terceirizadas, perdas de serviços essenciais, como limpeza, porteiros; o pagamento de dezembro e o 13º salário foram parcelados, e até hoje alguns trabalhadores que tiram férias em janeiro não receberam 1/3 destas; e a data do pagamento foi jogada para o 7º dia útil do mês, sob a justificativa de que não há dinheiro para pagar.

Não obstante, o governador assumiu em 2015 uma dívida de R$ 38,9 milhões da Super Via com a Light; ofereceu isenção fiscal a distribuidoras de bebidas e montadoras de automóveis - serão mais de R$ 30 bilhões de 2015 a 2018; gastará com propaganda em 2016 R$ 53 milhões; fará reforma na piscina de sua residência oficial (o Palácio Guanabara), obra que custará R$ 2,4 milhões; e dará incentivo fiscal de R$ 85 milhões para a Light.

Os servidores públicos do estado, particularmente da saúde, segurança e justiça, também estão em estado de greve, que deve ser deflagrada a partir do dia 16 de março. Na área de educação, a greve se unificou, pois também paralisaram as atividades por tempo indeterminado os servidores da FAETEC e da UERJ.

Os trabalhadores da educação realizaram assembleia na Fundição Progresso com centenas de servidores no dia 02/03, e deliberaram a continuidade da greve e um calendário de lutas, em seguida saíram em passeata até a Assembleia Legislativa, onde estavam os demais servidores para a realização do ato unificado. Neste dia estava pautado para discussão no plenário da Assembleia o PL que aumenta a contribuição da Previdência, que passaria de 11% do salário bruto para 14% do mesmo.

O movimento dos servidores está sendo organizado pelo MUSPE – Movimento Único dos Servidores Públicos. Após a ato na Assembleia, os mais de 10 mil servidores, que aglutinavam educação, saúde, bombeiros, justiça, estudantes etc. saíram pelo centro da cidade até a Cinelândia onde também está para ser apreciada pelos vereadores o PL que propõe que os professores não façam discussão política com seus alunos em sala de aula.

Uma avaliação inicial sobre este movimento deixa uma pergunta no ar: só o governador deu todos os motivos para um grande, correto e justo movimento de unidade dos servidores estaduais, proposta inclusive que o Movimento de Luta Contra o Neoliberalismo defende desde a época da OPPL (Organização Popular é para Lutar - 1986)?

O que nos chama a atenção é que comparando este movimento com os anteriores é a facilidade como este está se construindo, assembleias iniciais cheias, atos superlotados, e a relação de alguns setores que antes reprimiam o movimento em todos os sentidos, agora nos incentivam.

Porém, o que mais nos preocupa é que na atual conjuntura, em que a extrema-direita que representa setores do imperialismo em nosso país pede o impedimento da presidenta Dilma Rousseff através de um golpe que é notório para a sociedade, levado a cabo pela mídia fascista, grupos econômicos e jurídicos, o rumo das avaliações de setores políticos que compõem a direção do SEPE peçam o “fora Dilma”, como se a responsabilidade pela crise econômica mundial e da onda fascista e reacionária na política brasileira fosse dela, deixando o Congresso, Senado, setores do Judiciário, políticos como Aécio Neves e partidos como o PSDB passarem ilesos.

Neste tempo de crise do capital, ataque dos neoliberais, e em época eleitoral e interesses associados, a quem interessa posições como essas? Será que é só Pezão que está unificando os servidores?

Osmarina Mattos Portal – Movimento de Luta Contra o Neoliberalismo e Pelo Socialismo